segunda-feira, 20 de outubro de 2014

PASTORES, LÍDERES E EDITORAS: PRECISAMOS DE UMA TEOLOGIA APOLOGÉTICA TUPINIQUIM

Por Leonardo Gonçalves

A apologética cristã – um discurso em defesa das doutrinas cristas - é talvez um dos tópicos mais negligenciados pelos nossos estudiosos. Raramente consta no currículo de algum seminário e comumente se confunde com a heresiologia. No entanto, o atual quadro do cristianismo me faz pensar que poucas vezes ela foi tão necessária. Em tempos difíceis como os nossos, em que evangélicos estão dando as mãos aos católicos, espíritas e budistas em nome do “diálogo inter-religioso” e em que despontam novas espiritualidades, algumas estranhas e avessas ao evangelho de Jesus, é preciso que a liderança séria do nosso país se desperte para a necessidade de elaborarmos uma sólida apologética com a qual possamos combater as doutrinas modernas, geralmente diluídas entre filosofias ocas e relativizantes.

Uma das razoes porque defendo que a teologia brasileira deve ter ênfase apologética, vem do nosso contexto histórico-cultural. Os portugueses trouxeram o catolicismo romano. Os africanos arribaram suas crenças em espíritos orixás. Os nativos contribuíram com suas crenças animistas. Isso sem falar no êxodo que houve por ocasião das guerras mundiais, quando japoneses, italianos, poloneses, alemães aportaram por aqui, cada grupo trazendo sua própria cultura religiosa, a qual se misturaria com as crenças já diluídas dos brasileiros. A verdade é que vivemos em uma nação continental onde credos e raças se confundem e exercem influencia sobre a sociedade e a religião, demandando dos pastores e pesquisadores um constante raciocínio apologético.

A segunda razão porque defendo a tese de que a teologia brasileira deve ser apologética, é a nossa obstinação em importar tendências. Historicamente acostumados a toda sorte de crenças estrangeiras, o povo brasileiro tem como praxe a “tolerância”. Na verdade, a nossa cultura se parece mais com uma grande esponja, a qual tudo absorve e incorpora, e esta tendência também pode ser vista nas igrejas. Assim, em um mesmo segmento evangélico é possível encontrar conceitos que variam da Teologia da Prosperidade ao Teísmo Aberto, e do Neopentecostalismo ao Liberalismo Teológico. É necessário que a liderança séria do nosso país seja revestida de uma percepção apologética e através de meditação e submissão à Palavra, comece a separar os alhos dos bugalhos.

A terceira razão porque defendo a elaboração de uma teologia apologética nacional é que ninguém conhece melhor a igreja brasileira do que os crentes brasileiros. Obviamente que, como muito do que acontece no cenário teológico é um déjà vu de alguma teologia que surgiu lá fora, a produção de apologistas estrangeiros é de grande importância para nós. Não podemos, porém, negligenciar o fato de que nosso país tem uma problemática própria e muitas das nossas inquietudes não perturbam os grandes mestres da apologia internacional. Lá, fala-se muito em ateísmo e evidências da ressurreição, mas aqui no Brasil o numero de ateus e de pessoas que não crêem na ressurreição é consideravelmente menor, sendo este assunto, em certo sentido, menos relevante para nós. Por outro lado, o brasileiro convive com espiritismo, reencarnacionismo e ritos africanos que se misturam com crenças cristas, mas pouca gente lá fora está preocupada com isso. Assim, ao importar todos os livros de apologética estrangeira, memorizar seus jargões e despejar aquele “grande conhecimento” sobre nossos ouvintes, corremos o risco de ser supérfluos ao ponto de responder perguntas que ninguém está fazendo.

Creio que o momento é oportuno para implantar a apologética em nossas escolas teológicas, dando a ela não um papel secundário, mas essencial na formação dos nossos teólogos e líderes eclesiásticos. Também penso que as editoras evangélicas não perderiam em investir em apologistas nacionais tanto ou até mais do que investem na tradução de obras estrangeiras, pois o que percebo é uma grande carência de estudos especializados voltados para nossa realidade nacional. Penso ainda que a popularidade dos blogs e sites que se dedicam à defesa do cristianismo em um contexto tupiniquim é a prova cabal de que jamais houve momento melhor para se investir nos apologistas nacionais.

É tempo de investir numa teologia com sotaque nordestino, mineiro, paulista e paraibana; uma teologia verde-amarela, indigena, mameluca, curiboca, teologia mulata, robusta, com cara de Brasil.

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Leonardo Gonçalves é pastor, missionário, e escreve no Púlpito Cristão

ARROCHA GOSPEL #FUJAM



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Além da pobreza musical, poética, sinceramente...é ridículo ser o genérico do raso secular.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Deus nos deu o Rock In Roll - Música, Mundo e Mais



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Arte de Chocar.

Padre de cidade do sertão paraibano se apaixona por uma mulher e larga a batina

O padre Francisco Batista de Sousa Neto, da cidade de São João do Rio do Peixe, emitiu carta aberta a população, nesta terça-feira (14), anunciando o abandono do ministério presbiteral e da administração da paróquia Nossa Senhora do Rosário, do município, para viver um relacionamento amoroso.

Padre Francisco disse também que sua decisão é fruto da coerência, pois não acha correto viver de forma forjada no celibato.

Leia abaixo a carta na íntegra.
Venho, através desta carta, expressar os meus sentimentos diante da minha escolha. De início, oportuno anotar, que não interpretem estas palavras como justificativa, pois não preciso apresentá-la, até porque a escolha é individual, pessoal e assim como fiz livremente para ser padre posso também livremente deixar. Deve-se entender que cada um tem um limite de ação, que existe o livre arbítrio. Neste sentido, desarmem-se de suas concepções religiosas preconceituosas, pois a vida é feita de escolhas.


Após um longo processo solitário de discernimento, decidi abandonar o ministério presbiteral e a condição de administrador da Paróquia Nossa Senhora do Rosário em São João do Rio do Peixe-PB. Decidi viver um grande amor. Um amor criado por Deus vivenciado entre um homem e uma mulher. Um amor divinamente humano. Espero que compreendam que não estou fazendo uma troca, pois o amor a Deus e ao seu Reino sempre estará em primeiro lugar na minha vida e até porque o amor é onde Deus está, é o que Deus é e não é possível ir contra isto. Apenas quero ser coerente e verdadeiro. Não vai de encontro aos meus princípios viver de forma forjada a disciplina do celibato a qual prometi no dia da minha ordenação viver. Não posso enganar a mim mesmo e ao Povo de Deus.
Padre Francisco abandona batina por amor um amor maior

É inconteste que não foi fácil o caminho de discernimento e tenho consciência que nem será o de recomeçar, mas a vida é feita de escolhas e as escolhas fazem parte da vida daqueles que são livres, como Deus nos criou. Para ser fiel a Deus e a si mesmo é preciso mudar.

As decisões, são sempre difíceis de serem tomadas, corremos o risco de sermos crucificados, apedrejados, mas no fim, a misericórdia divina supera toda atitude de preconceito e de não amor. O certo é que não podemos viver sempre em indecisões atrasando o futuro que nos espera e, mais tarde, arrependidos de não termos feito o que deveríamos. Viver requer coragem. E tem coisas que pulsam no coração em que nem mesmo a razão é capaz de explicar.

O maior dom do ser humano é a liberdade para fazer escolhas. Viver é uma sequência de escolhas certas ou erradas com consequências positivas ou negativas para o envolvido e os demais. Não há dúvida de que as escolhas são o principal fator determinante da vida.

Confesso que não estava prevista no meu projeto de vida esta mudança. Desde da tenra idade cultivei o sonho de ser padre, em poder servir ao Povo de Deus, e assim me dediquei a este legado com um longo tempo de preparação. Não me arrependo se quer uma fração de segundo, porque vivi intensamente a minha escolha. Nos quase seis anos de ordenação presbiteral, sempre fui feliz, cada momento foi vivido com amor exerci a minha missão com muita verdade e comprometimento.

Porém, nos últimos anos despertou em meu ser a necessidade de concretizar algo de muito valor que já tinha admiração na fase infanto-juvenil: a vida conjugal. Isso foi despertado em mim e confesso que não foram as poucas vezes que tentei focar minha vida naquilo que eu havia escolhido primeiro, mas chegou um tempo em que a minha humanidade não suportava mais. Alguns podem até pensar que foi uma crise vocacional, sou sincero e convicto ao dizer que não, porque se fosse para continuar sendo padre e ao mesmo tempo constituir uma família pra mim nada mudaria. Compreendo que o celibato é uma disciplina da Igreja e que deve ser observado por aqueles que livremente escolhe esta vocação. No início do meu ministério até pensei que seria possível viver por toda a vida, mas chegou o momento em que a minha humanidade falou mais forte. Realmente o celibato é um dom e nem todos são capazes de viver e entender. Admiro muito aqueles que são capazes de viver. Acredito que a não vivência do celibato não impede de exercer e nem mácula este ministério. Contudo, é uma disciplina da Igreja e que deve ser cumprida por aqueles que escolhem livremente vivê-la. Não sou eu quem vai mudar a disciplina, eu quem devo mudar. Então, me debrucei nesta reflexão, concluindo que não poderia ser incoerente com a minha escolha. Decidi então recomeçar a minha vida, rompendo com meus sonhos e esperanças e de tantos outros que depositaram em mim.

Que fique claro, que em momento algum nesta nova escolha desejei ou articulei magoar alguém. Quantas vezes quis dominar o meu coração, mas isso é impossível quando sentimos um amor verdadeiro sem malícias e pretensões. Peço perdão se alguém sentiu ferido e atingido por mim. O amor é amor quando existe reciprocidade e isso eu senti. Nada pode contra e ninguém pode resistir ao amor. É o último grau de evolução, é onde Deus está, é o que Deus é e não é possível ir contra isto.

Com imensa satisfação, continuarei servindo a Igreja, assumindo o meu batismo como discípulo e missionário de Jesus Cristo, e, exercendo o meu sacerdócio batismal, celebrando, agora, uma liturgia doméstica, culto a Deus prestado ao Senhor em casa, oferenda religiosa da vida conjugal, pondo em prática o plano de amor que Deus confiou ao homem e mulher.

Peço oração e compreensão de todos que ao longo da caminhada cruzaram o meu caminho. Preservarei os mesmos sentimentos e carinho por todos. Agradeço àqueles e àquelas que foram ombro amigo aonde eu descansei, desabafei e por muitas vezes chorei neste meu itinerário de discernimento. Tomo esta decisão na firme esperança e na sinceridade de coração.

Saibam que não desisti da caminhada, apenas mudei a rota, na certeza de que todas tem o mesmo destino. Sejamos felizes e que Deus nos abençoe!

Cordialmente,

Francisco Batista de Sousa Neto

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Matéria de Michele Marques, via Portal Mídia.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Vaticano discute tolerância e valorização da orientação sexual gay


Tema da matéria Uol:

Papa Francisco ainda me levará a crer em Deus

Por Josias de Souza, no UOL

No ano passado, instado a dizer o que pensa sobre os homossexuais, o papa Francisco soara assim: “Se uma pessoa é gay, busca Deus e tem boa vontade quem sou eu para julgar?”. Fiquei surpreso. Incréu, jamais compreendi o descaso da Igreja para com as sagradas escrituras .

No versículo 34 do capítulo 13, o livro de João anota: “Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros.” Jesus disse isso antes do início do calvário que o levaria à crucifixação. Foi como se ditasse um testamento.

A despeito das palavras Dele, a Igreja sempre amou de forma seletiva. Imagine se Jesus retornasse para sussurrar o mandamento nos ouvidos das batinas: “amai, irmãos, amai como eu vos amei.” Seus operadores responderiam, crispados de bondade: “Só aos heterossexuais, ó, Senhor. Só aos heterossexuais.

Súbito, o papa convocou um Sínodo. E incluiu os gays na pauta dos bispos. Nesta segunda-feira (13), veio à luz o esboço de um texto que deve ser aprovado no sábado. Não chega a equiparar a união civil entre pessoas do mesmo sexo ao casamento. Mas…

Mas anota coisas assim: “As pessoas homossexuais têm dons e qualidades que podem oferecer à comunidade cristã.” Ou assim: é preciso acolhê-las “aceitando e valorizando sua orientação sexual.” Alvíssaras!

O homossexualismo, como se sabe, é um dado da realidade. Existe a despeito da vontade da Igreja. Está presente, aliás, no interior de bons seminários, conventos e mosteiros. Mas sempre foi tratado pelo Vaticano como uma agressão à natureza, um atentado contra o “crescei e multiplicai-vos”.

Levando-se o argumento às últimas (in)consequências, também a Igreja estaria conspirando contra a natureza humana ao impor o voto de castidade aos seus sacerdotes. Se o destino do homem e da mulher é a procriação, o celibato teria de ser considerado tão “anormal” quanto o homossexualismo.

No rascunho produzido durante o Sínodo, anotou-se que há casos em que a união entre pessoas do mesmo sexo provê “o mútuo sustento” e “constitui um apoio precioso para a vida de cada um dos parceiros.”

A prevalecer esse entendimento na Igreja, o papa Francisco vai acabar me fazendo acreditar em Deus. Até porque, considerando-se os rumos da humanidade, está difícil de acreditar em qualquer outra coisa.

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Via Pavablog.