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Arte cristã: abrindo janelas
por: Lya AlvesPodemos convencer alguém da sua falência moral, mas somente o Espírito Santo pode convencer uma pessoa que ela está perdida. Isto posto, vamos ao assunto.
Neste domingo participei de uma ação de evangelismo no Morro Menino de Deus. A igreja local tem uma base no morro onde prepara as crianças com escola bíblica durante a semana. Isto porque ali, como em outras comunidades, as crianças ficam expostas ao tráfico e costumam ter referenciais ruins. Mas o pastor teve sabedoria e sensibilidade para entender que um Menino de Deus amanhã será um homem de Deus, e com esta visão bem clara em sua mente, começou a mobilizar a igreja para atuar no morro com crianças.
Nesta ação de evangelismo, a idéia era ensinar que Jesus é mais doce que o mel. Na verdade foi uma maravilhosa Escola bíblica a céu aberto. Crianças não esquecem esse tipo de coisa. Eu lembro de quando eu era criança e uma professora (Professora Fernanda) me ensinou frações fracionando uma barra de chocolate (diamante negro, lembro com detalhes). Bem, tivemos teatro, dança, graffiti, malabares e louvores. A equipe circense deu um show (rolei de rir com o Capitão Palhaço). Estavam muito bem , o pastor deles investe no talento deles e o grupo atrai muito a atenção das pessoas. Este evangelismo certamente teve pão e circo: Pão da Vida e circo de evangelistas usando as coisas que não são, para confundir as que são. Coisa boa é ter pastores com visão de Reino.
Eu fiz o meu graffiti, uma representação gráfica da nuvem de glória. As crianças se aproximavam e tentavam entender oque era aquilo.
“Tia, é um fogo?”
“É água, nuvem? Oque é isso, tia?”
“É a nuvem de glória, crianças. Ela representa a presença de Deus aqui no Morro. Deus sempre quis estar com a gente, ser nosso amigo. Vocês já ouviram falar de Moisés?”
Bem, assim eles aprenderam sobre a presença de Deus. E de como a Presença Santa protegia e protege o povo de Deus. Tivemos vários grupos de louvores, inclusive os queridos missionários de Manaus ministrando.
Estou muito feliz em conhecer jovens com tanta disposição para evangelismo, que estão mesmo fazendo a diferença, que romperam com a estrutura religiosa e com a passividade. Isso vai espalhar, contagia mesmo. O Reino de Deus é dinâmico e não se molda a estruturas babilônicas.

André Alves fechou com louvores e inclusive um que fez para o evento, o “Desarmado”, bem conveniente para a comunidade local e também para aqueles que se armam diante do Senhor. E aqui faço meu apelo. Se desarme para o Senhor, você também, crente. Você que tem a metralhadora do juízo nas mãos. Que usa a teologia como um escudo e se afasta da simplicidade que há em Cristo Jesus. Na batalha pelas almas, a arma que você precisa é o amor. Antes de sair como um Rambo com uma M60 na mão, desarme-se. Ao invés de rajadas de conceitos que matam, use o amor que gera vidas.
Fico feliz de ver os jovens usando e multiplicando seus talentos a serviço do Reino. A arte abre janelas. No tempo do filósofo Sören Kierkegaard, todos os pensadores estavam com suas mentes confinadas no sistema de pensamento de Hegel, com seu método de tese, síntese e antítese. Kierkegaard libertou os pensadores do seu tempo abrindo janelas na mente deles propondo o salto da fé. Abra sua mente. Assim como a filosofia, a arte não salva. Mas abre a janela para quem está confinado ver que o Rei dos Reis está do lado de fora, esperando para entrar.
Paz e tinta!
Lya Alves é missionária, graffiteira, artista, arte educadora, desenhista da história em quadrinhos Guerreiros de Deus.
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