08
out

CADÁVER

por: Compartilhamento


Caminhando nas veredas da vida
Vi um cadáver chorando a ferida
Feita pelo vento cortante dos erros
Recordando-se de seus pesadelos
Na solidão, o repúdio da falange
Na Febre maldita que abrange
A hipocrisia de uma sociedade abstrata
Que cospe, bate e maltrata
A face de seus componentes
Escorraça, dizimam inocentes
Onde os comandantes salteadores
Correm livres pelos corredores
Dos palácios da justiça imponentes

O cadáver vagueava no silêncio
Na embriaguez da sua própria ilusão
A chuva caía, mas no seu coração
Ardia o fogo pelas lágrimas suspenso
E eu preso naquele segundo imenso
Absorvia-me daquela calamidade
Descobri que a maldade
Também as minhas mãos sujavam
Então ali eu calava
Sem ter mais o que dizer
Apenas observei a sofrer
O cadáver que chorava

(Gilmar De Sena)

***

Escavacando meus arquivos encontrei esta bela poesia do querido amigo Gilmar de Sena. Merece reflexão.

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