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Isto é uma “des-Graça Comum”
por: Antognoni Misael
Após vários textos sobre Graça Comum, e de certamente ter inquietado muitos crentes que abominam as artes seculares e principalmente a música, resolvi dar mais uma demonstração de que gosto mesmo da música dita secular. Tenho tanto prazer em ouvi-la que procuro não deixar passar uma só vírgula ao meu ouvido.
Pensando nisso, e percebendo que os extremos são perigosos, resolvi criar uma série de pôsteres que visam “não-demonizar” a música comum, mas classificar algumas destas como “não-saudáveis” ou “des-recomendadas” para qualquer cristão.
A Bíblia fala de irmãos fracos na fé (Rm 14), de gente que ainda bebe do “leite” espiritual e que precisa aprender que a moderação e sabedoria são requisitos imprescindíveis para uma vida sadia e sem demasias.
O que pode ocorrer é que alguns fracos na fé exagerarem no lidar com a música por dois excessos: 1) no de “satanizar” a música secular e julgar os que a ouvem, ou, 2) ouvir de tudo sem haver o mínimo de critério.
Não vou falar do primeiro tipo, mas percebo que há muuiiita gente por aí, que para justificar o mau gosto musical, ou até o seu desleixo para com o indispensável critério da “COSMOVISÃO” anda degustando cada comida estragada que sei não viu… Geralmente estes costumam dizer que vivem as bodas da liberdade cristã e por serem “cristãos pensantes” nada os atinge, e o que fica é só a arte e contemplação.
Antes de continuar a crítica quero deixar uma ressalva. Quando escrevi o texto “Como avaliar uma obra de arte”, na série Arte Sã, pude sugerir a parir das leituras de Francis Shaeffer como lidar com uma obra de arte de forma sadia. Os quesitos forma e conteúdo foram observados respectivamente pelos âmbitos da excelência técnica e validade. Portanto, é possível que uma música seja bela estruturalmente, harmonicamente, mas ao mesmo tempo falar inverdades ou até mesmo atacar a nossa fé. Sim claro. Por isso, para o bom uso, seja ele didático ou pedagógico, não vejo problema nenhum em se explorar tal canção no aspecto técnico, em caso de não existir outras fontes. Sendo assim, acho bem coerente que isso aconteça em lócus, como no caso de um músico instrumentista que estuda rítmica, harmonia, solos de guitarra ou coisas assim, de uma trilha de cosmovisão falha, porém nunca esquecendo de ser criterioso e de procurar saber por onde se está pisando. Pra que me entendam melhor, o caso da linguagem em pintura é bem prático, por exemplo: veja que alguém pode muito bem observar um quadro de Diego Velasquez e admirar seus dotes técnicos com os traços em pincel, uso de perspectiva, cores e reprovar a ideia da imagem passada na tela. Sendo eu pintor, o que me impede de compreender melhor seu lado técnico? Não posso estudá-lo?
Voltando pra questão do mau uso, escrevo isso porque acredito que há muita gente perdida na doutrina da Graça Comum. Certa vez uma amiga comentou comigo o quanto gostava da musicalidade de Vanessa da Mata. Um dia a flagrei ouvindo a canção “Não me deixe só” e a perguntei: “você acha que está canção te edifica em alguma coisa?” Ela me respondeu que achava legal a levada da canção. Eu repliquei: “mas você prestou atenção na letra?” A música era, e é de uma cosmovisão extremamente descabida para um cristão estar ouvindo ou cantando. Veja o que ela diz:
“Não me deixe só
Que eu saio na capoeira
Sou perigosa, sou macumbeira
Eu sou de paz, eu sou de bem mais”
Exemplos como este com certeza não tem o mínimo de Graça (comum) pra um cristão estar cantarolando ou curtindo por aí. Entretanto, já que o apóstolo Paulo afirmou que tudo é lícito, mas nem tudo convém (1Co 6.12), está na hora de muita gente compreender que assim com na música Gospel é bom se usar critérios para audição, na música secular devemos fazer também, e bem feito. Por que não?
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Arte de Chocar.
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