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17
jul

O Corte ao Hino Nacional Brasileiro e o Culto Evangélico no Brasil

por: Compartilhamento


bandeiradobrasil

Em tempos de Copa do Mundo de futebol, e, sobretudo, acontecendo no Brasil, os brasileiros se tornam mais patriotas do que nunca. Independente dos motivos que levam tantos a quererem deixar o país e os problemas crônicos que nos rodeiam nas mais diversas áreas, tal patriotismo se evidencia na hora de se cantar o hino nacional. É o nosso nacionalismo, que tantos afirmam não existir como em outros países, mas que é presente – sim – num país de geografia continental, beleza fenomenal, rico em criatividade e expressões culturais, povoado por gente amável e acolhedora, e de forte tradição no futebol – o que tanto nos enche de orgulho.

Quando chega a hora de se cantar o hino nacional num estádio, esse orgulho bem motivado transparece das mais diversas formas, com brilho nos olhos, emoção no coração, empenho e força, além dos diversos erros de pronúncia, por um povo sem conhecimento e educação necessários para se cantar um hino com letra tão rebuscada e fora da usualidade da atual língua portuguesa, o que provoca até boas piadas; aliás, outra excelente característica do nosso povo, que simplesmente sabe desfrutar das coisas da vida.

É nesse momento cheio de bons motivos, quando num ato, não se sabe de inteligência ou inconsciência, mas certamente de espontaneidade, se testemunha uma espécie de protesto coletivo pelos “filhos deste solo”, que, além de tudo, vê o seu hino sendo cortado a menos de um terço e resolve cantá-lo à capela até o final da primeira parte… “és mãe gentil, pátria amada, Brasil!” Na realidade, só a introdução do hino já é grande, e por outro lado, talvez nem todos os brasileiros saibam cantar a primeira parte, quanto mais a segunda, mas de qualquer forma, não deixa de ser um desrespeito como a qualquer outra nação.
Imediatamente, a mídia de plantão se aproveita para fazer daquilo algo que nem sei explicar o quê, mas que simplesmente transforma o espontâneo no previsível, manipulável, e, agora, acompanhado de novas ações (de marketing) com os mais diversos objetivos e intenções.

Simplesmente a espontaneidade passa a dar lugar a um comportamento pensado, calculado e talvez até teatralizado por parte de quem está no foco das câmeras. Por outro lado, a expressão sincera de um povo precisa ser preservada e priorizada, mesmo que as cifras em jogo e o tempo de transmissão pelos meios de comunicação bancados pelos patrocinadores não concordem.

Mas, e o que o corte ao hino nacional brasileiro em eventos internacionais, tais como Copa do Mundo FIFA ou Fórmula Um, tem a ver com os cultos evangélicos no Brasil, como sugere o título? – Isso é realmente algo para se pensar com muito cuidado!

Um povo sincero e cheio de reais motivos tem se reunido historicamente para expressar adoração ao Pai. Não apenas a verdade, mas a espontaneidade deve ser fator presentes nessas reuniões. No entanto, diante da falta de consciência (leia-se entendimento ou educação) do que representa adoração para Deus, conseqüência da falta de leitura da Palavra, e de uma liderança composta por homens cada vez mais cheios de interesses pautados no poder econômico e político, e menos cheios do Espírito como orienta o ensino bíblico Neo Testamentário, logo surgem os que vão, ao invés de conduzir, induzir; ao invés de ensinar (ou instruir), manipular; ao invés de depender, controlar.

Outro dia, um amigo convidado para ministrar louvor numa igreja histórica de evidência e renome nacionais, foi convocado a participar da reunião de organização do culto com um gestor de marketing. Outro que também vivencia bastidores no meio pentecostal ficou surpreso com o fato de uma equipe de “ministério de recepção” ser habilmente treinada para identificar pessoas mais efusivas no momento de louvor para sentarem-se em posições estratégicas em relação às câmeras de vídeo. Sem dúvida, em nome de um “ministério” e do próprio Deus, equívocos como esses serão cometidos com as melhores das intenções, pois o importante não é pensar, mas obedecer e cumprir. Talvez por isso, vários das novas gerações nunca venham a entender os movimentos ocorridos nos tempos de ditadura nacional e engessamento na liturgia dos cultos, mas de espontaneidade nas atividades alternativas, sem que nem se percebesse ou até se categorizasse como tais. Ao contrário dos dias atuais, qualquer rejeição era rapidamente superada pelo fruto explícito da ação do Espírito. Basta lembrar, por exemplo, dos efeitos dos acampamentos e equipes missionárias através da música que cruzavam o país.

Com isso, não quero dizer que o Espírito não seja livre para agir na vida de qualquer pessoa, em qualquer situação e em todo o tempo. Mas parece que, na era da imagem e do som na internet, vale muito mais o exposto nas redes sociais do que o secretamente revelado na intimidade com o Pai, que, diga-se de passagem, deveria ser o motivo do culto, inclusive coletivo. É como se o que conta não fosse mais a espontaneidade de expressão de um povo grato, que, com sinceridade de coração se junta para reconhecer a Deus como Misericordioso e Gracioso, passando a depender d’Ele e proclamando-O. Basta simplesmente aparentar isso! As imagens de uma igreja rica e triunfante são mais interessantes do que de uma igreja pobre, sacrificada e sofrida por amor ao evangelho. Mas de que evangelho, se o muitas vezes pregado sequer fala de arrependimento, condição sine qua non para sermos verdadeiramente cristãos? Talvez seja por isso que o que tem valido mais no nosso meio evangélico brasileiro dos dias atuais seja que camisa religiosa estamos vestindo, ao invés de necessariamente não ter camisa, mas ser do Reino.

Que aprendamos a cantar os nossos hinos, preferencialmente os nacionais, de coração aberto e numa conexão sincera e profunda com o Pai, como expressão de um culto coletivo, mas fruto de um culto cotidiano pessoal, consequência de uma relação de dependência focada na pessoa dEle, ao invés dos olhos fitos no telão para tentar ver-se como se está sendo transmitido ao mundo nos seus possíveis poucos segundos de glória.

Àquele que conhece os corações além das câmeras, a vida além do tempo, e que no final de qualquer jogo será O vitorioso, seja a glória!

***

O texto é de Augusto Guedes, um dos fundadores e Diretor Executivo do Instituto Ser Adorador, pastor, líder de adoração, empresário no ramo de imóveis na cidade de Fortaleza-CE, mas prefere se apresentar como alguém que continua encantado com o chamado de simplesmente seguir a Jesus.

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14
jul

“Porque Garotas Cristãs Postam Selfies Sedutoras” por Kristen Clark

por: Compartilhamento


self femQuando eu estava no ensino médio, Bethany e eu decidimos que queríamos fazer uma sessão de fotos bem legal de nós mesmas.

Colocamos as roupas mais modernas que poderíamos encontrar, nos cobrimos com jóias, colocamos duas camadas de rímel e nos dirigimos a um lugar privilegiado – o nosso telhado. Recrutamos (imploramos) uma de nossas irmãs mais novas para ser a nossa fotógrafa. Todas nós subimos ao telhado de nossa casa e ela começou a tirar as fotos.

Sim, um telhado é um lugar inusitado para fazer uma sessão de fotos, mas nós fizemos lá para que a perfeita brisa de top model soprasse direitinho o nosso cabelo. Para cada foto, nós posavámos exatamente do jeito que tínhamos visto as modelos profissionais fazerem – com os lábios franzidos, uma sobrancelha erguida, a mão no quadril e olhos sérios.

Sem que ninguém nos ensinasse como posar sedutoramente, nós fomos “profissionais” e sabíamos exatamente o que fazer. Nós postamos nossa sessão de fotos no Facebook com todo orgulho e esperamos os elogios aparecerem.

Sedução é a nova norma.

Infelizmente, vivemos em uma cultura que treina as nossas mentes para ver sedução como norma a partir de uma idade muito jovem. Basta dar uma rápida caminhada pelo shopping e você verá cartazes atrás de cartazes com modelos em pose sensual. Desde a invenção do Pinterest, Instagram e outros aplicativos, imagem sensuais estão em nossa frente mais do que nunca.

Como garotas cristãs, estamos sendo bombardeadas por mensagens de nossa cultura que sedução e poses sensuais são legais, descoladas e normais. Tirar selfies sedutoras não é mais atrevido… é aceitável e louvável. Por vivermos em um mundo caído, faz sentido que a cultura incentive as garotas a agirem assim.

Faz sentido que as supermodelos e meninas não-cristãs não tenham problema em postar selfies assim.

A pergunta que eu tenho pra você é esta: Por que razão as meninas cristãs estão postando selfies sedutoras?

Fico chocada, às vezes, quando eu entro no meu Instagram e vejo algumas das poses sensuais que minhas amigas cristãs estão postando. O que mais me surpreende é que eu leio os comentários de outros amigos cristãos que estão elogiando as imagens e chamando-as de “lindas”. Como assim? Parece uma epidemia ao longo dos últimos anos.

Por que meninas cristãs gostam tanto de postar selfies sedutoras?

Eu sei a resposta para estas perguntas, porque eu costumava ser uma daquelas meninas. Eu costumava ser a garota por trás do iPhone tirando aquelas selfies sedutoras. Eu era a garota do telhado fazendo uma sessão de fotos para que eu pudesse exibir os resultados para os meus amigos.

Quanto a mim, eu postava as fotos porque queria que os rapazes me notassem. Eu queria que as pessoas elogiassem “o quão bonita eu era”. Eu adorava ouvir o louvor e afirmação dos meus amigos. Nunca foi por um “acidente” que eu postei uma foto minha. Era sempre intencional e planejado. Eu já tinha visto imagens suficientes de modelos da moda para saber como uma foto sensual devia ser.

Muitas de vocês que estão lendo este blog, sabem exatamente do que estou falando, porque você já fez a mesma coisa.

A verdade é que, postar selfies sedutoras é apenas um sintoma exterior de uma questão muito mais profunda.

É um sinal de uma menina que anseia por algo mais. É um sinal de uma menina que está tentando encher o seu ego através dos louvores e elogios de seus amigos. Uma menina que deseja atenção de rapazes e tem a esperança de que eles vão notar uma de suas fotos. Uma menina que quer parecer confiante, mas é fraca e solitária no interior. Uma menina que gosta de seduzir os rapazes fazendo com que eles “queiram o que não podem ter.”

Selfies sedutoras são nada mais do que imagens que gritam, “Olhe para mim!”. Elas são uma oportunidade para apontar os holofotes sobre si mesma por um breve momento e esperar que alguém note.

Como garotas cristãs, Deus nos chama para um padrão muito mais elevado do que para jogar o jogo “selfie sedutora”.

Todo o propósito de nossas vidas é apontar outros a Cristo, não para nós mesmas. Esse tipo de foto nunca é centrada em Cristo, mas é sempre centrada em sí mesma. Deus nos chama a viver uma vida moralmente pura em todos os sentidos.

Postando fotos sedutoras de si mesma, você não está promovendo a pureza ou santidade dentro do corpo de Cristo.

Desde aquele dia no telhado, Deus me deu convicção de pecado acerca da motivação e condição do meu coração. Diga-me se você acha que selfies sedutoras não são erradas de acordo com Efésios 5:1,3: “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados. Mas a impudicícia e toda sorte de impurezas ou cobiça nem sequer se nomeiem entre vós, como convém a santos”.

O que você acha?

Primeiro somos chamadas a sermos imitadoras (reflexos) de Deus para o mundo que nos rodeia. Você e eu somos filhas de Deus! Precisamos refletir bem o caráter e a pureza de nosso Pai. Em segundo lugar, somos ordenadas a ficar longe de qualquer forma de imoralidade sexual e toda a impureza. Você entendeu isso? “Qualquer forma … toda a impureza”.
Selfies sedutoras não tem chance contra estes versículos.

Nossa cultura nos diz que santidade e pureza é careta e que ser rigorosa demais consigo mesma a levará a uma vida de tédio. Se for esse o caso, então por que há tantas meninas solitárias, tristes, deprimidas, inseguras e carentes?

Deus nos dá padrões de pureza e santidade, porque Ele sabe que é o que é melhor para nós. A verdadeira alegria e contentamento não virá através dos aplausos de seus amigos, ela só virá através de obedecer e honrar a Deus. “Bem-aventurados os irrepreensíveis no seu caminho, que andam na lei do SENHOR. Bem-aventurados os que guardam as suas prescrições e o buscam de todo o coração” Salmo 119:1-2.

Eu sei que você quer ser abençoada por Deus. Tenho certeza! Em vez de ficar se esforçando para alcançar o aplauso vazio deste mundo, se esforce para receber os aplausos gratificantes de seu Rei.

Nada lhe fará mais feliz do que viver para a glória de Deus.

Como garotas cristãs, temos o dever de honrar nosso Rei, em todas as áreas de nossas vidas. Temos a responsabilidade de refletir a imagem de Cristo para o mundo perdido ao redor de nós.

Você vai se juntar a mim em rejeitar a tendência de selfies sedutoras? Você vai dizer não às postagens de fotos que te auto-glorificam e colocam toda a atenção em você?

Nosso mundo precisa desesperadamente de meninas cristãs que estejam dispostas a defender a verdade de Deus, exibindo algo muito maior do que elas mesmas.

Vamos tornar isto pessoal:

Você é culpada por postar selfies sedutoras? Se assim for, qual é a sua motivação por trás das publicações?

Você está disposta a pedir perdão a Deus por não refletir bem a Sua imagem? Se assim for, confesse seus pecados e peça a Deus para criar um coração limpo e puro dentro de você.

De que forma você é tentada a colocar a atenção sobre si mesma, em vez de Deus?

Eu adoraria ouvir o que você tem a dizer sobre isso nos comentários abaixo!

_____________

Este post é uma tradução de um artigo de Kristen Clark publicado originalmente no Blog “Girl Defined”, traduzido e publicado em Português no blog Juventude Presbiteriana e reproduzido com permissão da autora e tradutora.

A Mini Biografia da autora será postada em breve.
Traduzido por: Bruna Bugana
Revisão: Flávia Silveira

Fonte: Mulheres Piedosas. Dica: Deborah Pedroso.

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17
mar

NORMALMENTE DIFERENTES E DIFERENTEMENTE NORMAIS

por: Compartilhamento


tatoo bibliaQuem é diferente e quem é normal? Esta pergunta deve passar pela cabeça de muita gente. Muitos se perguntam: – Eu sou normal ou sou diferente?

Normalmente quando se encontra com alguém que (aparentemente) é diferente de nós, chega-se a conclusão que somos normais e o outro é diferente. Muitas vezes consideramos o outro diferente sem compara-lo às outras pessoas, mas simplesmente por comparar esta pessoa com a gente mesmo.

É muito comum esta análise ser feita com superficialidade, pois geralmente não se conhece a pessoa a fundo e tira-se conclusões precipitadas baseadas na aparência ou no “jeito” da pessoa.

Mas afinal, quem define o que é normal e o que é diferente? Normal em relação a quê? E diferente em relação a quem?

Todo ser humano é diferente um do outro. Cada ser humano é único. Uma pessoa tem sua impressão digital e mais ninguém durante toda a história da humanidade terá igual.

No final das contas somos todos diferentes um dos outros. Podemos nos vestir parecidos, termos ideias e filosofias de vidas semelhantes, termos temperamentos equivalentes e etc, mas nunca seremos exatamente iguais uns aos outros. Nem irmãos e irmãs gêmeos os são.

Quando analisamos pessoas que são diferentes de nós por causa de um piercing, tatuagem, cabelo, terno e gravata, maquiagem e etc é preciso tomar cuidado para não julgarmos o caráter e quem de fato a pessoa é. A aparência de alguém pode dizer muito sobre a pessoa, mas não a define como um ser. Ser alguém é muito mais que seu visual, pois existe uma mentalidade, sentimentos e características que muitas vezes nem nós mesmos nos conhecemos profundamente.

As vezes o comportamento “esquisito” de alguém, o jeito de falar e outras coisas deste tipo faz com que nos afastemos das pessoas por considerar a pessoa “diferente” e concluir que a pessoa não é “normal” como você. Perdemos oportunidades incríveis de conhecer pessoas que poderiam muito bem fazer parte do nosso ciclo de amizade por fazer julgamentos precipitados e preconceituosos em relação ao outro.

Claro que devemos nos preocupar com nossa segurança, com más influências, com pessoas vazias que não acrescentam muito, mas nunca descarta-las. Gente não é descartável. Gente é o bem mais precioso neste mundo físico. Não deixemos nos levar por definições rasas para concluir quem é diferente e quem é normal para conviver comigo, pois no final todos somos NORMALMENTE DIFERENTES E DIFERENTEMENTE NORMAIS.

***

O texto é de Mateus Feliciano, que é Graduado em Administração, Bacharel em Teologia (Faculdade Teológica Batista de Campinas) e Coordenador da Seara Urbana (recuperação de moradores de rua), e escreve no Blog Pólis Centro.

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27
nov

A Igreja está tão doente quanto o mundo

por: Ultimato


igreja-morta-doenteO psicoterapeuta suíço e pastor da igreja reformada Paul Tournier, autor de vários livros (“Bíblia e Medicina”, “Da Solidão à Comunidade”, “Os Fortes e os Fracos”), dedicou o seu livro “Mitos e Neuroses” aos seus filhos Jean-Louis e Gabriel e à geração jovem de seu tempo, pedindo “perdão por lhe haver legado um mundo tão enfermo”.

Duas observações são necessárias. O mundo não estava doente só na época em que Tournier escreveu o livro (1947). O mundo sempre esteve enfermo. Basta ler os muitos volumes da história da humanidade. A outra observação é: para tratar de um mundo doente, nada melhor do que uma Igreja saudável. Acontece, porém, que a Igreja está tão doente quanto o mundo, embora em seu seio haja várias e bem-aventuradas ilhas de resistência. Em vez de ser a luz do mundo e o sal da terra, a Igreja deixou-se contagiar com o mundo.

Não é novidade. Muito se tem escrito a respeito da influência do mundo sobre a igreja, transformando-a numa verdadeira empresa. Nenhuma empresa sobrevive sem produtos, lojas (pontos de venda), vendas, vendedores, lucros, propaganda, concorrência. De tudo isso certos setores modernos da igreja têm lançado mão com reconhecido sucesso. Por exemplo, os pontos de venda seriam as igrejas abertas o dia inteiro e os produtos seriam não as boas novas da salvação, mas as boas novas da cura e da prosperidade material (sucesso profissional, posição social elevada, bens de consumo de alto valor e em grande quantidade).

Poucas empresas fariam um marketing tão bem sucedido quanto o das igrejas neopentecostais. Elas não economizam dinheiro na propaganda da marca (nome da denominação) e de seus fundadores e dirigentes supremos. Elas compram os mais longos horários da televisão, publicam jornais, revistas em grandes tiragens. Dentro de uma destas revistas sempre há um DVD com mensagens do fundador, cuja foto e cujo nome aparecem em todos os números e em grande quantidade.

Os muitos lançamentos de livros, nas principais cidades brasileiras e de outros países, do líder de outro grupo neopentecostal foram feitos com enormes estardalhaços, com filas de leitores que queriam o seu autógrafo ou da pessoa que o representava. O testemunho de cura ou de bênção que essas revistas publicam dificilmente é atribuído a Deus ou a Jesus. Os agraciados mencionam o nome do líder, o nome do programa de televisão que eles fazem ou o nome da denominação neopentecostal. Nenhum deles repele a homenagem indevida, como Paulo e Barnabé fizeram em Listra (At 14.11-18). Estes homens talvez nunca tenham lido a repreensão do anjo a João na ilha de Patmos: “Não faça isso [curvar-se aos meus pés]! Sou servo como você e seus irmãos, os profetas, e como os que guardam as palavras deste livro. Adore a Deus!” (Ap 22.9). No dia em que eles se diminuírem, certamente os impérios eclesiásticos que eles fundaram cairão por terra.

Outra evidência do estilo empresarial é a concorrência que existe entre as denominações neopentecostais. Aliás, essa chaga afeta também outras denominações pentecostais e históricas e a própria Igreja Católica, mesmo que elas estejam distantes da ideia de mercado. Nesse caso, a concorrência seria uma espécie de defesa contra os neopentecostais. Há uma corrida entre cantores gospel protestantes e cantores gospel católicos, entre megaeventos protestantes e megaeventos católicos, entre megatemplos protestantes e megatemplos católicos. Segundo reportagem de “Veja BH” de julho de 2012, “a construção da Catedral Cristo Rei não deixa de ser uma das respostas ao avanço dos evangélicos”, já que o número de católicos da diocese de Belo Horizonte tem caído e o de evangélicos tem subido. A nova catedral “terá capacidade quatro vezes maior que a do imenso templo erguido pela Igreja Universal do Reino de Deus”. Em linguagem clara, isso significa competição religiosa, algo totalmente estranho ao espírito evangélico.

A tentação da concorrência, inclusive da parte da Igreja Católica, é tal que alguns teólogos católicos começam a se pronunciar. Luiz Carlos Susin, ex-presidente da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Teologia e Ciências da Religião e professor da PUC-RS, diz que “a melhor coisa é a gente caminhar um ao lado do outro, sem fazer guerra de ciúmes porque uma comunidade cresceu e a nossa ficou menor”. Outro teólogo, Agenor Brighenti, especialista em teologia pastoral e presidente do Instituto Nacional de Pastoral (INP) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), é mais explícito: “Um dos riscos da Igreja é de simplesmente entrar na disputa do mercado e usar meios de evangelização que não sejam tão evangélicos no contexto de hoje. Cabe à Igreja não apostar tanto em massa, tanto em número, tanto em marketing, visibilidade e prestígio, mas é preciso que sinalize e testemunhe uma vivência do reino de Deus na simplicidade”. Mesmo tendo perdido considerável espaço para os evangélicos na última década, Susin explica que o grande evento da Jornada Mundial da Juventude, realizado no Rio de Janeiro em julho, “não deve ser lido como uma tentativa da Igreja de recuperar território e rivalizar com outras denominações” (“Cidade Nova”, julho de 2013, p. 23).

A falta de simplicidade é outra marca que caracteriza a igreja doente. A entrevista que um líder pentecostal (não neopentecostal) concedeu a “Veja” em junho de 2012 o nivelou com empresários ricos que têm carro importado e blindado, avião, imóveis aqui e no exterior. Dois leitores da matéria de capa de “Veja BH” de junho de 2013 também ficaram incomodados com a falta de simplicidade da cantora cuja foto aparece na capa. Um deles escreveu: “A ostentação de adereços e o excesso de maquiagem não remetem a Deus”.

O mesmo poderia ser dito da milenar pomposidade do Vaticano, à qual o atual papa parece contrário. A doença da vaidade de aparência, de títulos e de poder tem tomado conta de muitos líderes evangélicos das três correntes: histórica, pentecostal e neopentecostal. A seu tempo, Deus cobrará tudo isso e o preço será alto demais, pois o livro de Provérbios coloca isso em pratos limpos: “Primeiro vem o orgulho; depois, a queda – quanto maior é o ego, maior é o tombo” (PV 16.18).

A mercantilização da igreja, a concorrência e a ostentação estão de tal modo arraigadas que a esperança de cura é muito pequena. Uma das razões é que o povo já se acostumou com todos esses desvios e chega a tirar proveito deles, além de bater palmas para os seus responsáveis. Neste sentido, aquele cartaz contra a corrupção do país que dizia “Afasta de mim este cale-se” foi muito oportuno. O “quem cala consente” de Artur Azevedo é uma verdade muito séria. Se mais pessoas abrissem a boca para, com isenção de ânimo e com humildade, lutar contra a profanação do evangelho, esses grupos não cresceriam tanto! Além do mais, o sucesso numérico e de bens é tão grande que outros grupos neopentecostais podem ser formados e denominações pentecostais e denominações históricas podem corromper-se, o que já vem acontecendo. A doença da teologia da prosperidade é contagiosa. “A falta de ética e o narcisismo religioso” — diz Ricardo Barbosa, autor de “A Espiritualidade, o Evangelho e a Igreja” — “é uma praga muito ampla”.

Quem abriu a boca outro dia foi Valdir Steuernagel, presidente da Aliança Cristã Evangélica Brasileira: “A assim chamada teologia da prosperidade tem materializado a bênção de Deus, nos tornando cristãos consumistas”. Essa busca de benefícios pessoais, completa Steuernagel, “acaba provocando um profundo desvirtuamento da fé cristã” (“Jornal Nosso Tempo”, dezembro de 2012, p. 12).

Outra voz, mais recente, é a do sociólogo em ciência da religião e padre católico Inácio José do Vale, de Volta Redonda, RJ: “O neopentecostalismo é a suprema heresia do cristianismo pós-moderno e o seu fundamento é a exotérica teologia da prosperidade”. Em seguida, o padre diz: “A nossa era é refém dos grandes escândalos entre igrejas e dinheiro, evangelho e mercado, fé e heresias, seitas e denominações, pastores e mercenários, Bíblia e mercantilismo, ecumenismo e cismas, escatologia e fundamentalismo apocalíptico”. Inácio José cita vários autores protestantes, como o pastor Valdemar Figueiredo: “Já foi provado que a igreja eletrônica gera mais antipatia do que conversos; enche mais os bolsos do que as almas; constrói mais celebridades do que gente; reúne mais multidão do que rebanho”. O dramático artigo do padre Inácio José do Vale foi publicado em “O Lutador” (11 a 20 de julho de 2013, p. 15).

Para tratar de um mundo doente, nada melhor que uma Igreja sadia. Acontece, porém, que a Igreja está tão doente quanto o mundo. Todos nós temos a obrigação de orar:

“Ó Deus, coloca-nos em UTI. Trata de nós! Cuida de nós! Cura-nos!”

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Fonte: Revista Ultimato, via PC Amaral.

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25
set

Crente em Show? Iron Maiden? – Ariovaldo Jr. continua a polêmica…

por: Antognoni Misael


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Lembrando que eu não curto nem um pouco o Iron Maiden… Meu rock não passa de Beatles, é bem leve.

Arte de Chocar.

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17
set

Doutorando em Ciência Socais aponta o forró eletrônico como resposável pela “degeneração” da música popular

por: Compartilhamento


garota safada2Olá pessoal, encontrei esta matéria e achei muito pertinente. Não sei se vocês do Norte ou Sul do país já ouviram falar em uma banda conhecida por “Garota Safada”. Pois é, aqui no Nordeste ela tem sido uma das promotoras da prostituição e bebedice através da música. Arrastando multidões, este grupo que na verdade, enquanto arte, pra mim não passa de um esterco sonoro foi alvo de uma tese de doutorado que conjectura sobre a decadência da música popular brasileira. Leia a matéria abaixo:

Tese de doutorado sobre a “degeneração” da música brasileira

A música brasileira está decadente – sans élégance. Difícil encontrar alguém que nunca tenha ouvido uma frase como essa. Refine o gênero, e as frases continuarão a fazer sentido para muitas pessoas. O funk, o sertanejo, o forró, o pop, todas as músicas consumidas pelas massas não prestam.

Um estudo acadêmico parte do forró eletrônico, ouvido à exaustão em todo o Nordeste, para investigar o que muitos chamam de “degeneração” da música popular. O professor Jean Henrique Costa, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, obteve o título de doutor em Ciências Sociais com a tese “Indústria Cultural e Forró Eletrônico no Rio Grande do Norte”, defendida em março de 2012 na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

O pesquisador defende que o gênero preferido entre os nordestinos faz parte de uma engendrada indústria cultural, por meio da qual são criadas e sustentadas formas de dominação na produção e na audição desse tipo de música.

Segundo ele, quando uma banda de forró eletrônico recorre a canções de temática fácil, na maioria das vezes ligadas à busca de uma felicidade igualmente fácil, ela está criando mecanismos para a formação de um sistema de concepção e circulação musical. Nele, nada é feito ou produzido por acaso. Tudo acaba virando racionalizado, padronizado ou massificado.

O ideal de uma vida festeira, regada de uísque, caminhonete 4×4 e raparigas (mulheres) é hoje um símbolo de status e prestígio para muitos dos ouvintes. Ninguém quer ficar de fora da onda de consumo. Numa das partes da pesquisa, Costa analisou o conteúdo das letras dos cinco primeiros álbuns da banda Garota Safada e descobriu que 65% das músicas falam de amor, 36% de sexo e 26% de festas e bebedeiras.
“Parte expressiva das canções de maior sucesso veicula a ideia de que a verdadeira felicidade acontece ‘no meio da putaria’, ou seja, nos momentos de encontros com os amigos nas festas de forró”, escreveu Costa. “Não se produz determinada música acreditando plenamente que se está criando uma pérola de tempos idos, mas sim um produto para agradar em um mercado competitivo muito paradoxal: deve-se ser igual e diferente concomitantemente.” Ou seja, a competitividade do mercado induz à padronização dos hits.

“O que move o cotidiano é isso mesmo: sexo, amor, prazer, diversão. O forró e quase toda música popular sabem muito bem usar desse artifício para mover suas engrenagens”, explicou Costa. “Não é por acaso que as relações sexuais são tão exploradas pelas canções de maior apelo comercial a ponto de se tornarem coisificadas à maneira de clichês industriais.”

REFERENCIAL TEÓRICO

Outros gêneros musicais também recorrem a estratégias semelhantes. O forró eletrônico consegue se diferenciar dos demais ao dar uma roupagem de “nordestinidade”, criando a identificação direta com o seu público. Mas o objetivo final de todos é proporcionar diversão. O problema, segundo Costa, é que “se vende muito pão a quem tem fome em demasia”.

Costa baseou sua pesquisa no referencial teórico de Theodor W. Adorno, um dos ideólogos da Escola de Frankfurt. O pesquisador procurou atualizar o conceito de indústria cultural a partir da constatação de que as músicas do forró eletrônico são oferecidas como parte de um sistema (o assédio sistemático de tudo para todos) e sua produção obedece a critérios com objetivos de controle sobre os efeitos do receptor (capacidade de prescrição dos desejos).

O pesquisador recorreu ainda a autores como Richard Hoggart, Raymond Williams e E.P. Thompson para abordar o gênero musical a partir da leitura dos estudos culturais (a complexa rede das relações sociais e a importância da comunicação na produção da cultura), que dialogam com outro conceito anterior, o de hegemonia, de Antonio Gramsci. Pierre Bourdieu também serve de referencial teórico.

Ao amarrar essas teorias, o pesquisador argumenta que o público consumidor de músicas acaba fazendo parte de esquemas de consumo cultural potentes e difíceis de serem contestados. Neles, até o desejo acaba sendo imposto. Em entrevista a FAROFAFÁ, Costa exemplifica esse fato com a atual “cobrança” pelo consumo de álcool, onde a sociabilidade gira em torno de litros de bebidas.

“O que se bebe, quanto se bebe e com quem se bebe diz muito acerca do indivíduo. O forró não é responsável por isso, mas reforça.” Para o pesquisador, o consumo de bebidas se relaciona com a virilidade masculina, que, por sua vez, se vincula à reprodução do capital.

“Não reconheço grande valor estético (no forró eletrônico), mas considero um estilo musical que consegue, em ocasiões específicas, cumprir o papel de entreter”, afirmou. O pesquisador ouve todo tipo de música (samba-canção, samba-reggae, rock nacional dos anos 1980 e 1990, bolero, tango, entre outros), mas sua predileção é por nomes como Nelson Gonçalves e Altemar Dutra.

Para cobrir essa lacuna sobre o gênero que iria pesquisar, Costa entrevistou nomes como Cavaleiros do Forró, Calcinha de Menina, Balança Bebê eForró Bagaço. O seu objetivo foi esquadrinhar desde uma das maiores bandas de forró eletrônico do Rio Grande do Norte até uma banda do interior que mal consegue fazer quatro apresentações por mês e cobra em torno de R$ 500 por show.

É dentro desse contexto de consumo de massa de hits que nascem e morrem, diariamente, pelas rádios e carrinhos de CDs piratas, que prevalece o forrozão estilo “risca a faca” e “lapada na rachada”, para uma população semiformada (conceito adorniano de Halbbildung), explica Costa. Sobra pouco ou nenhum espaço para nomes consagrados do gênero.Entre os extremos de quem ganha muito e quem mal consegue sobreviver com o forró, o professor constatou que o sucesso é um elemento em comum, e algo difícil de ser obtido. Depende de substanciais investimentos financeiros e também do acaso – ter um hit pelas redes sociais ajuda. É por isso que Costa afirma que Aviões do Forró e um forrozeiro tecladista independente estão em lados completamente opostos, mas ainda têm algo basilar em comum: a indústria cultural.

Luiz Gonzaga, por exemplo, embora seja o símbolo maior do gênero e tratado com respeito pela maioria dos nordestinos, acaba sucumbindo a essa indústria cultural. “A competição é desigualmente assimétrica para o grande Lua. O assum preto gonzagueano, nesse sentido, bateu asas e voou.”

Costa diz não ser um pessimista ou só um crítico ferrenho do forró eletrônico. Tampouco que tem pouca esperança de que a música brasileira seja apenas uma eterna engrenagem da indústria cultural. Ao contrário, é dentro dela própria que ele vê saídas para o futuro da produção nacional. “Se vejo alguma possibilidade de mudança pode estar justamente nesses estúdios caseiros de gravação de CDs, nas bandas de garagem, no funk das periferias, no tecnobrega paraense. Não afirmo que a via é essa, mas que é um devir, uma possibilidade que pode não ir para além do sistema, mas minar algumas de suas bases”, concluiu.

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Fonte: Pragmatismo Político. Divulgação: Arte de Chocar.

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08
ago

CONSTELAÇÃO, MALABARISTA E GLOBO DE NEVE

por: Marcos Almeida


malabaristaVou falar de três nomes. Ouça atentamente.

Veja o Gospel; ele é a grife da dualidade. Entretenimento e religião o tempo todo a contradizer a própria sigla. Eterna tensão. O Gospel quer o templo no palco e acaba trazendo o palco para o templo. Mas, de repente, surge nos anos 2000 o movimento de “adoração” que deseja resolver aquele contínuo contradizer pela supressão do entretenimento. Tentam com isso eliminar o outro lado da polaridade. Esse objeto que o Gospel insiste em fazer coexistir com a maneira de ser da igreja, começa a ser bombardeado. E aí, não existem mais artistas, somente adoradores. Não existem mais palcos, apenas altares. Realizam agora um sonho davídico anacronizado num utópico tabernáculo pós-moderno que utiliza itens do entretenimento de massas, como o rádio e a TV, para didaticamente higienizar o meio com o fogo da santidade levítica. [desculpem os não-evangélicos que leem esse texto, mas preciso usar algumas palavras do nosso vocabulário interno, calma aí, no final vocês vão entender].

Essa solução do movimento 2000 é monótona para o entretenimento. Sim, todos já sabem disso: a ‘música de adoração’ fora do ‘ambiente de adoração’ não faz tanto sentido, ela é uma música-experiência. Daí, é muito difícil aprecia-la isoladamente como obra de arte. O movimento 2000 é oposição forte ao entretenimento e de certa forma ao exercício de fruição estética. Esse movimento chamado de ‘adoração’ quer o templo pela eliminação do palco, sem no entanto abrir mão da mídia.

Uma música brasileira de raiz cristã tem sido nosso slogan e representa a maneira de vermos a relação entre fé e cultura. Consideramos que na amálgama de uma cultura mais ampla, que aqui chamamos brasileira, temos um núcleo que é a fé cristã, a ética decorrente de uma comunidade de fé e consequentemente os artefatos culturais que nascem desse lugar tão vivo. É preciso diferenciar esse nome dos dois outros acima! Usando algumas imagens vou tentar ser mais claro.

Malabarista e Globo de Neve

Vejo o Gospel como um jovem malabarista, mantendo no ar algumas bolinhas de pesos diferentes, uma delas é a religião, outra o entretimento. Não poucas vezes elas se tocam, despencam no chão, deixando o malabarista envergonhado, mas logo ele as toma de volta e começa tudo de novo. Por outro lado, vejo o Movimento de Adoração como aquele impressionante presente que o papai trouxe no Natal, e que encantou a todos: o globo de neve. Dentro desta única esfera podemos ver a neve caindo sobre a casinha, basta sacudir com jeitinho e colocar sobre a mesa, mil sensações se desprendem da gente – parecem querer a bola, morar na neve, ficar pra sempre dentro de um globo de vidro.

Constelação

Tenho dito a quem me dá a honra de ser ouvido que no desenvolvimento da nossa brasilidade discernimos três tipos de ações básicas: redimir, rejeitar e inventar. Mas é preciso entender o lugar dessas ações e elas se dão no todo da vida, no mundo real. E o que é o todo da vida; o mundo real? É onde o palco está conectado com o templo, onde a capela comunica com o teatro, que fala ao mercado, que ouve a família, que deseja a arte, que se entretém no cinema, que escolhe seu governante, que obedece ou subverte as leis do país, que faz suas economias, que deseja o Eterno! O mundo real é uma constelação, uma espiral de muitas esferas brilhantes! Considere distinguir essas coisas no sentido de discernir, não de isolar. Porque , você vai ver que, embora distintas, todas elas estarão sempre conectadas.

Que Viagem é Essa?

Essas ideias não brotaram na minha cabeça do nada. É resultado de anos de oração, meditação, conselho, estudo e pé na estrada. Fazer parte de uma banda brasileira de rock, dialogar com gravadora, estar na Universidade, falar com rádios e blogs, conversar com artistas e produtores, servir numa comunidade cristã cosmopolita, ser pai, ser esposo e filho, poder ouvir a intelectualidade cristã e não-religiosa, tudo isso, tem permitido gestar um pensamento, mas um pensamento feito para agir.

O difícil é o óbvio

Quem explica dá o molde e as duas fontes de explicação milenares são a teologia e a filosofia. É admirável encontrar no último livro do Lobão dois caras como Chesterton e Olavo de Carvalho formando as bases do seu texto crítico e muito divertido sobre a cultura popular. Mas não deveríamos nos assustar tanto assim, porque todos falam a partir de uma explicação de mundo, os famosos “pressupostos”, a surpresa é ver o ícone da rebeldia roquenrou se tornando um direitista de bases cristãs! Indubitavelmente a ironia de Chesterton e Carvalho apimentaram ainda mais a sagacidade do Lobón – o que não diz nada a respeito de filiação religiosa ou reforma de conceitos. Mas, o que quero dizer com esse exemplo é que falamos sempre a partir de categorias apreendidas dessas fontes de explicação; teologia e filosofia. Seja nas bibliotecas ou na sua forma diluída dentro do cotidiano, quando passam a ter uma cara de trivialidade, anestesiando, como diz certo amigo, o nosso senso crítico. É que podemos ser enganados pelas palavras difíceis de um teólogo ou filósofo, mas, somos constantemente ludibriados pelo senso comum, quando arrogantemente já achamos tudo óbvio demais.

Categorias de pensamento

Acho útil apresentar as ideias de ‘família nuclear’ e ‘família estendida’ para vocês. A partir do que disse o Dr. Peter Wagner – irmão muito respeitado pelos pentecostais e esnobado pelos liberais. Esse é um conceito da antropologia que serve para dizer o seguinte: existe a igreja no templo, no local de reunião, a famosa igreja de domingo, chamada por ele de família nuclear e existe a igreja da segunda-feira, do mercado de trabalho, que poderíamos chamar de igreja na rua, denominada por família estendida. Para ele, existe um abismo cultural entre as duas igrejas.

D.A. Carson sugere os termos ‘cultura local’ e ‘cultura mais ampla’. Herman Dooyeweerd falaria em ‘modalidade pística’ e ‘modalidade estética’, ao falar de igreja e arte. Darrow Miller usa a imagem de ‘acampamento’ e ‘portas da cidade’, para indicar a ideia de algo que acontece ‘dentro’ e que se estende ‘fora’. Seja quem for o mestre, todos eles estão ensinando sobre como viver a vida no meio do mundo. Isso quer dizer que a ideia de constelação ou soberania das esferas, da qual sou filho, tem muitas semelhanças com todos esses movimentos de resposta ao problema fé e cultura, templo e trabalho, igreja e rua. Todos querem uma vida mais inteira, na íntegra!

De volta aos nomes

Chamei o gospel de Malabarista. Tomei o movimento de adoração como um encantador Globo de Neve. Enxerguei na música brasileira de raiz cristã essa surpreendente Constelação, uma espiral de muitas esferas brilhantes, cada uma com seu jeito de brilhar e que juntas formam um grupo de incontáveis conexões.

Nessa nova música brasileira não existem fãs, mas cúmplices. A vida que a gente vive na vitrine do mundo. Esse novo movimento considera a porosidade espiritual da cultura popular e não ignora o sagrado na rua. Essa arte da ‘família estendida’ reflete a realidade da ‘família nuclear’ junto aos ‘portões da cidade’, numa ‘cultura mais ampla’, mas jamais ousaria profanar seu lugar de ‘acampamento’, já que negócios são tratados fora da tenda, lá no mercado, junto aos portões e nunca dentro de casa.

Acredito que o Gospel precisa se reinventar ou irá desfalecer, afinal de contas nenhum malabarista consegue ficar tanto tempo equilibrando bolas de pesos diferentes.

O movimento de adoração pode avivar nosso culto comunitário e torna-lo outra vez extraordinário, intenso, inesperado e cada vez mais desinteressante para o entretenimento! Um Globo de Neve cognoscível e misterioso.

E a Constelação, ela brilhará intensamente. Brilhará ainda mais quando apagarmos o sol da nossa insensatez, sol que nos cega diante do óbvio e nos amarra ao trivial. Ela brilhará quando eu aprender a olhar para o céu e ver que tudo na vida está diante da face de Deus! Ela brilhará quando for “assim na terra como no céu”.

Marcos Almeida para o Nossa Brasilidade

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Fonte: Nossa Brasilidade.

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22
jun

As sombras da maldição brasileira

por: Antognoni Misael


sombrasNo nosso país passeia um vírus chamado maldição brasileira. A maldição brasileira é cultural, histórica, social e transcendente.

O vírus tem suas fases de crise. O corpo natural, em determinadas épocas e aleatoriamente junta anticorpos na tentativa de expulsar seu maldito jeito corrupto, bandido, hipócrita de ser. Massas vão às ruas, gritos ecoam por todo o céu, avenidas sem enchem de cores e emoções convergem em patrióticos gritos: “o gigante acordou”!

A maldição de fato é hereditária. (Nosso passado colonial nos condena)

Pense bem. Num país onde honestidade é exceção, onde nem faixas de pedestres são respeitadas, onde o tal “jeito brasileiro” desde o “colar” na hora da prova ao furar a fila do banco, de não devolver ‘achado perdido’, do próprio descompromisso com o próximo nas traições dos relacionamentos conjugais, do sonegar impostos, e tantas e tantas coisas… não ser corrupto é uma exceção. O “jeitinho brasileiro” de alimentar esse vírus em nós mesmos e se justificar pela corrupção do político em exercício é talvez o modus operandi de perpetuação dessa maldição na terra tupiniquin.

Malditos somos nós que em épocas de eleições corremos atrás de candidatos em busca de migalhas, que nos vendemos como prostitutos por sacas de cimentos, ordens de gasolina, por promessas de empregos conspirados ou por qualquer outro bem. Malditos somos nós que enchemos as casas de show’s para perpetuar uma subcultura musical onde os mais baixos níveis de poesia não se comparam a depravação do que se canta e se pedagogiza na geração presente e vindoura. Malditos somos nós que abandonamos os livros em troca dos supérfluos conteúdos midiáticos (Globo). Malditos somos nós que tanto criticamos a corrupção do país, mas almejamos cargos públicos para oferecer nosso resto, às vezes mamar na teta estatal e inchar o próprio dedão do pé com o próprio jeito egoísta de viver.

Falando-se em egoísmo… A grande verdade é que esta é uma das facetas desse vírus na maldição brasileira. Sabe aquele necessitado tão perto de nós… morrerá sem a nossa ajuda, pois levantaremos a célebre desculpa de que o governo não oferece uma boa saúde e educação, quando tínhamos a possibilidade de ajudar aquele vizinho desprovido de uma carona para levar o filho ao hospital.

Sabe aquele desejo consumista de ter, e ter, e não cansar de ter, mesmo que “roubando” diplomaticamente de alguém? Não é verme político! É verme do povo! Sabe por que é verdade isto? Porque a solidariedade não é cultural em nosso país, há não ser quando em tragédias… e essa parte não interessa!

Talvez alguém julgue ao dizer que o que foi escrito aqui não passou de devaneios. Ué!? Não foram eles que denunciaram o capitalismo, que balançaram a ditadura, que foram exilados, que até em armas pegaram parahonestidade defesa do bem comum da nação? Eles são os malditos brasileiros vendidos, omissos, corruptos… eles ensinaram ao povo a ser mais “brasileiro” ainda. E nós continuamos a repetir toda essa corrupção do macro em nosso micro universo!

Chegamos ao magma da corrupção absurdamente aproveitadora. No nosso país até o aspecto religioso entendeu a maldição brasileira. Pastores mentem em TV aberta, enchem suas igrejas em virtude da pobreza alheia, sugam até o último centavo dos fieis desavisados; “astros” que “brilham” mais do que Deus viajam pelo país a fora enchendo suas contas bancárias cobrando valores exorbitantes em nome de Deus, estes  demonstram entender desse modus operandi. Triste… Brasileiro gosta disso, de ser inju$to quando o a$$unto é $. Ou você nunca se sentiu com o bolso a$$altado pelo seu semelhante?

Por fim, aonde chegamos? Somos contra a manifestação de rua? Claro que não! Somos contra esse vírus!!

Que o povo brasileiro se levante nas ruas contra a corrupção que há no país, que há em Brasília, que há em nós mesmo…

O gigante acordou!! (não sei se é a sombra dele ou se o é real)

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