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15
fev

O paradoxo do ser, a oração do Publicano e o Teatro Mágico

por: Antognoni Misael


teatro mgico 5Vez por outras algumas pérolas da música brasileira marcam um encontro conosco. Aí elas remexem o caldeirão de significados de nossa existência e espiritualidade.

Em “Recombinando Atos”, do Teatro Mágico, trarei três aspectos relevantes na canção “Perdoando o Adeus” que me provocaram reflexão:

a) Arte é um reflexo da criatividade de Deus, uma evidência de que somos criados à imagem de Deus; (Gn 1.26)

b) Todo homem é carente de significados em todos compartimentos do existir, portanto a poesia da dúvida, do incerto, não passam de tentativas de se auto-responder para a vida;(Ec. 3.11)

c) Por crer na Graça Comum, encontramos fragmentos da verdade em discursos poéticos no cancioneiro popular, uma vez que até os que não declaram a fé cristã também são alvos de sabedoria e sensibilidade emanadas do Pai. (Tg 1.17)

Por isso “Perdoando o Adeus” tem, acredito, questionamentos e declarações contundentes que dialogam com a nossa fé. Vamos a música, em seguida para a análise.

1)” Meu Deus! Sei que não sei rezar. Como viver então? Não é só pra pedir por mim e por outros, mas pra confortar e acalentar e agradecer dentro de nós”.

- Gratidão. Sempre e constante. É algo que não deve se ausentar de nós. Antes de pedir, agradecer é a sina de quem teve um encontro com o Cristo da Graça.

2) “Dentro de nós [Gritam, lutam, choram, sangram, esquecem], Dentro de nós [Juram, julgam, sonham, ganham, perdem]”.

- O encontro com “Cristo da Verdade” não resolve definitivamente os nossos conflitos por aqui, pois após a justificação outras estações ainda nos aguardam: santificação e finalmente a glorificação, onde finalmente encontraremos a perfeição de nossa existência.

Sabemos também que o coração do homem é enganoso e a nossa tendência natural é o descaso, e por causa disso, constantemente haverá um paradoxo dentro de cada um  - Paulo fala sobre isso em Romanos 7. Então lutar e perder, sonhar e esquecer, chorar e julgar e tudo quanto representar nossas imperfeitas aspirações na vida, serão de algum forma um discurso válido de quem somos nós.

Diante deste contraste de SER e VIVER o que sempre nos compensará é a presença do Espírito Santo em nós, assumindo o nosso leme e levando-nos à vontade do Pai.

c) “Rogai por mim! Vou tentar rezar agora despudoradamente, em público reclamar da vida o desatino e talvez dizer já seja uma reza…Já seja uma reza. Já seja uma oração: dentro de nós..

- A terrível religiosidade que nos persegue! Este trecho me fez lembrar das orações do fariseu e do publicano (Lc 18:9-14), quando o primeiro em pé, despudoradamente orava para si mesmo, estando mais preocupado em lembrar-se de suas virtudes, e reverberá-las para aqueles que o ouviam, enquanto que o publicano nem sequer teve a coragem de levantar os olhos para o céu, mas antes provoca-o a abaixar a cabeça e apenas declarara com sinceridade: “Ó Deus, sê propício a mim, pecador!”

Apesar dos intensos conflitos que digladiam-se dentro de nós resta-nos o bálsamo da Graça de Deus e o acalanto do seu abraço. Orar!? Não sabemos. Nunca saberemos! Por isso esta reflexão, quiçá, já seja uma reza, uma oração… dentro de nós.

E que dentro de nós, que a morte dê lugar a vida. Abundantemente e sempre.

“A vida anuncia…Que renuncia a morte dentro de nós”.

***

Criado pelo músico Fernando Anitelli em 2003 “O Teatro Mágico” se consolidou como um dos principais cases de sucesso da América Latina no uso das redes para formação de público e referência em sua estética na união da música com as artes performáticas. Em comemoração a trupe lançou seu terceiro DVD ao vivo “Recombinando Atos” um apanhado geral da trajetória da banda e inéditas, um belíssimo baú comemorativo.

Informações do site Oficial do Teatro Mágico.

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08
fev

Contando Palavras

por: Marcos Almeida


mpbSe o conceito de secular significa “o lugar onde Deus não é lembrado”, não existe música secular no Brasil.

Registro palavras que ouvi durante a viagem. Uma jornada que me manteve inteiramente atento à paisagem sonora da canção popular. Tentei não me distrair com os livros, não li muito, apenas documentei expressões e símbolos. O roteiro dessa viagem foi construido dentro da lista que a revista Rolling Stone fez em 2007, a lista dos 100 maiores discos da música brasileira. Tive a companhia da já conhecida de vocês Sarah Ferreira de Toledo e, mais recentemente, do físico pernambucano Maelyson Rolim. Prestem atenção nele.

Meu amigo de Pernambuco é formado em física pela UFPE e hoje está completando o mestrado em física aplicada. Sua pesquisa aborda padrões estatísticos e termodinâmicos de textos literários! Sim, vocês já vão saber o que é isso. O trabalho tem sido desenvolvido no sentido de “observar se a forma como as palavras são organizadas dentro de um texto, sobretudo no gênero literário romance, apresenta características universais e como tal distribuição pode ser utilizada para, entre outras coisas, extração de palavras-chave com baixo custo computacional”, explicou Maelyson, usando o vocabulário técnico necessário para isso.

Esse “cara de exatas com os dois pés em humanas”, me deixou fascinado com seu objeto de pesquisa. Em e-mail recente, ele continuou o assunto. Vamos ouvi-lo: “num trabalho chamado The automatic creation of literature abstracts publicado em 1958, H. P. Luhn propôs o uso do número de ocorrências como parâmetro para determinação de palavras-chave. Na última década inúmeros pesquisadores tem buscado ampliar essa abordagem e é nisso que tenho trabalhado.”

Maelyson, juntamente com seu orientador, construiu um programa para determinar diversos parâmetros de textos, como frequência (número de ocorrências de termos), distribuição e entropias. Apelidei a sua criação de “A Incrível Máquina de Contar Palavras”. E claro, pedi pra ele passar pelo programa todas as canções selecionadas pele revista. E assim ele fez, generosamente.

Os dados que vocês vão ver são relativos apenas ao número de ocorrências de cada verbete dentro da lista da Rolling Stone. São números. Portanto, não definem valor litero-musical ou a qualidade de qualquer canção. Gravem isso.

Era de se esperar, caso fôssemos presos ao senso comum, que palavras como estas que vocês vão ver, fossem propriedade do canto litúrgico das comunidades cristãs. Que esses símbolos não tivessem nenhuma ocorrência na rua. Que autores não sacros, ou não religiosos, suplantariam de sua obra estes termos tão ligados à religião cristã. Maelyson me enviou um arquivo contendo lista com todas as palavras utilizadas nas mais de 1200 canções que ouvimos (lista total da Rolling Stone). Ele também me apresentou todas as palavras que ocorrem nas cem canções que a Sarah selecionou – aquelas que vamos ver mais de perto aqui na série Espiritualidade na MPB. Para efeito de curiosidade, apresento a vocês aquelas palavras ligadas ao campo da espiritualidade e da religião cristã, presentes nas canções da série. Pela ordem de maior presença nos textos, nós ouvimos:

Palavras-chave na MPB

“Deus”, “Jesus”, “Fé”, “diabo”, “Senhor”, “Santo”, “Lord”, “Christ”, “Inferno”, “Haleluia”, “Glória”, “Alma”, “”Santa”, “Cristo”, “Padre”, “Espírito”, “Pecado”, “Graça”, “Ave”, “Rezar”, “God”, “Sagrada”, “Eterno”, “Cruz”, “Igreja”, “Culpa”, “Aleluia” (sem H), “Crer”, “Reza”, “Amém”, “Perdão”, “Divina”, “Pastor”, “Perdoe”, “Hebron”, “Crentes”, “Misericórdia”, “Capítulo”, “Versículo”, “Jacó”, “Sodoma”, “Gomora”, “Divino”, “Serpente”, “Paraíso”, “Sagrado”, “Profecia”, “demônio”, “Louvado”, “Crucifixo”, “Glórias”, “Rezei”, “Anjos”, “Arcanjos”, “lúcifer”, “Batiza”, “Batizado”, “Jesu”, “Sancta”, “Nobus”, “Romaria”, “Tentação”, “Adão”, “Mártir”, “Eterna”, “Hino” , “Orai”, “Babel”, “Evangélico”, “Profeta”, “Judas”, “Salvo”, “Pecou”, “Bíblia”, “Mística”, “Páscoa”, “Crença”, “Católica”, “lúcifer”, “Evangélica”, “Pentecostal”, “Madre”, “Frei”, “Bispo”, “Presépio”, “Vigário”, “Belém”, “Papa”, “Creio”, “Milagre”, “Religião”, “Éden”, “Infernal”, “Reverendo”, “Pecava”, “Pecatoribus”, “Santidade”, “Infiel”, “Doutrina”, “Profetas”, “Hinos”, “Consagrar”, “Abençoar”, “Apocalyptic”, “Armageddon”, “Blasfemou”, “Blasfema”, “Blasfemei”, “diabos”, “Exorcista”, “Flamejando”, “Católico”, “Protestante”, “Capela”, “Benção”, “Abençoado”, “Livrai-nos”, “Perdição”, “Bendita”, “Procissão”, “Abraão”, “Ore”, “Culto”, “Pecados”, “Crucificaram”, “Crente”, “Judeu”, “Abel”, “Caim”, “Católicos”, “Calvário”, “Martin”, “Luther”, “Espíritos”, “Malignos”, “Salomão”, “Divinas”, “Protestantismo” e “Pastores”.

Estatísticas

Vejamos agora uma análise das 30 palavras que mais aparecem nas 100 canções da série. Vou colar os dados conforme Maelyson me passou e ao lado coloco as principais funções gramaticais de cada verbete. Da esquerda para direita temos a colocação no ranking das palavras, o número de vezes que ela ocorre, quem é a palavra e qual a sua principal função.

01) 931, O, artigo. def. masc. sing.

02) 826, QUE, pronome interrogativo, exclamativo,relat.

03) 736, DE, preposição

04) 720, A, artigo, pronome, preposição

05) 703, É, presente do indicativo verbo ser, 3a pes.

06) 699, E, conjunção aditiva

07) 568, EU, pronome, substantivo masculino

08) 560, NÃO, advérbio, substantivo masculino

09) 384, UM, numeral, artigo indefinido, adjetivo,

10) 283, NA, preposição, artigo definido

11) 282, NO, prep., pronome neutro, preposição

12) 282, PRA , preposição, pronome

13) 278, SE, conjunção, pronome pessoal

14) 270, DO, contração da prep. de e do artigo o

15) 228, DA, masculino, interjeição

16) 201, MEU, forma átona do pronome eu, subst. masc.

17) 199, ME, preposição

18) 195, COM, advérbio, subst. masculino, prep.

19) 184, MAIS, conj.aditiva, pron. indef.

20) 183,TEM, do verbo ter

21) 175, UMA, feminino do numeral um

22) 156, VAI, do verbo ir

23) 152, EM, preposição

24) 150, VOCÊ, pronome de tratamento, pron. indefin.

25) 144, QUEM, pronome

26) 140, OS, art. def. masc. plur.

27) 130,, interjeição, variação do v. estar

28) 128, DEUS, substantivo masculino

29) 128, , adjetivo, adverbio, substantivo masc.

30) 118, MAS, conjunção, adverbio, palavra denotativa

Desconsiderando preposições, artigos e adverbios, preste atenção nas palavras que são usadas principalmente como substantivos, pronomes e verbos. Pela ordem decrescente de aparição temos: “Que” (pronome interrogativo, exclamativo…) 826 vezes, “A” (artigo, pronome, preposição) 720, “É” (do verbo ser) 703 , “eu” (pronome, substantivo masculino”) 568, “não” (adverbio, substantivo masculino) 560, “Se” (conjunção, pronome pessoal) 278, “Meu” (Pronome possessivo, substantivo masculino) 201, “Tem” (do verbo ter) 183, “Vai” (do verbo ir) 156, “Você” (pronome de tratamento, pron. indefin.) 150, “Tá” (variação do verbo estar) 130, “Deus” (substantivo masculino) 128 vezes e “Só” (adjetivo, adverbio, substantivo masculino) que também ocorre 128 vezes!

E daí?

Interessante notar a relação íntima que todas essas palavras têm com identidade e transcendência; buscamos descobrir quem somos, qual o sentido disso tudo e se existe alguém maior que os números.

Tá. O que isso significa? Entre tantas outras coisas, que a música popular brasileira tem na sua própria obra as razões para não dispensar a presença de todos os novos artistas cristãos que não fazem música litúrgica e que não se alinham à grife gospel. São as próprias canções brasileiras e não as prateleiras de mercado as verdadeiras detentoras de autoridade para dizer qual o lugar do espiritual na obra de arte. Me parece que todas essas palavras que acabamos de ver não deveriam ser ignoradas. Deveríamos notar que “Deus” está mais presente em nossas canções de rua do que imaginávamos. Deveríamos descobrir logo que se o conceito de secular é “o lugar onde Deus não é lembrado”, não existe música secular. Ou melhor, a maior parte da música brasileira não trabalha sobre a égide do secularismo, não poderíamos dizer que ela é “iluminista’, mas sim romântica. Uma música que nasce da alma. Não há o que verificar cientificamente (paradigma secular) sobre os temas do amor, da solidão, da busca por sentido, da transcendência. O que tudo isso significa? Deus está falando do meio do redemoinho: “também pus no coração do homem o anseio pela eternidade; mesmo assim este não consegue compreender inteiramente o que eu faço”.

***

Fonte: Nossa Brasilidade.

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19
jan

Além, Porém Aqui – Teatro Mágico

por: Antognoni Misael


Teatro_MagicoVia canção do Teatro Mágico após meu amigo Célio Linhares compartilhar via facebook. A textura da música é muito bacana, a sonoridade a rítmica também… Apesar da subjetividade da letra, ressignifico ao meu jeito e compartilho com vocês este musical: verdadeira obra de arte!!

Acorda coragem em si!
Acolhe a verdade
Acode a saudade e se alcança…
Além!

Semear o amor!

Mudaram o modo de temer
De ceder e saturar!
Da descabida dor (desregrada euforia)…
Discordar!

Anuncia teu dissabor!
Renuncia ao paladar!
Dissecando a flor
Dissertando que ”o viver é não pensar!”

Aturando o tom
De vil alegoria
Maturando o bom!
Se acontecendo!

Acorda coragem em si!
Acolhe a verdade
Acode a saudade e se alcança…
Além!

Mudaram o modo de querer
De perder e perdoar!
Do descabido ardor (desregrada alegria)… se infestar!

Anuncia teu dissabor!
Renuncia ao paladar!
Dissecando a flor
Dissertando ”o que viver é não pensar!”

Aturando o tom
De vil alegoria
Maturando o bom!
Se acontecendo!

Acorda coragem em si!
Acolhe a verdade
Acode a saudade e se alcança…
Além!

Semear o amor!

***

Arte de Chocar.

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28
dez

“Pra ser Feliz”: um paralelo entre o sertanejo de Daniel e o Evangelho de Jesus

por: Antognoni Misael


felicidade-e-a-certeza-q-nossa-vida-nao-esta-se-passando-inutilmente-erico-verissiompoEu não curto muito o estilo sertanejo de ser. Só que ontem me apresentaram este vídeo abaixo, então o conteúdo sobrepujou a forma…

Queridos, em tempos onde o cardápio Gospel entoa refrões humanistas, vingativos, e desprovidos de criatividade, aparece o Daniel, artista que não tenho o menor afinco, e fala de felicidade de uma forma simples e contundente. Assista abaixo:

Ah, não podia deixar de compartilhar. É como se as pedras clamassem… E clamam, inclusive naquele tipo de cancioneiro que nem nos imaginamos a participar!

No mundo tão viciado em consumismo, que tem ensinado a igreja a consumir, barganhar com Deus e até mesmo decretar benesses, aparece esse lampejo de graça em forma de canção!

Louvo ao meu Pai em tudo!

Que bom ter a oportunidade em ver o mundo com as lentes do bem. Graça Comum!

Então, vamos pensar juntos?: “ Pra ser feliz, do que é que o ser humano necessita?”, “o que é que faz a vida ser bonita?”, e “a resposta onde é que está escrita”?

Fazendo ecos com as Escrituras Sagradas, as quais testificam de Cristo (Jo 5.39), a razão do nosso viver, penso que quem anda conjugando o “TER” o que a traça e a ferrugem corrói e os ladrões roubam, jamais encontrará o sentido de SER feliz. SER de Jesus!

Gente, não nos conformemos com os ditames deste século, voltemos ao Evangelho. Voltemos a simpliscidade de ser e vivamos satisfeitos com o que Deus tem nos dado e como Ele tem nos sustentados. JESUS é suficiente para nossa felicidade!

***

Antognoni Misael, editor do Arte de Chocar.

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25
set

Crente em Show? Iron Maiden? – Ariovaldo Jr. continua a polêmica…

por: Antognoni Misael


***

Lembrando que eu não curto nem um pouco o Iron Maiden… Meu rock não passa de Beatles, é bem leve.

Arte de Chocar.

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21
ago

A Cerveja, o Whisky, o Garçom e o Músico

por: Compartilhamento


dia-do-musico-2012-02por Augusto Guedes

Num vôo para Recife-PE, numa das mais recentes idas para rever a família nesses muitos anos de residência em Fortaleza-CE, encontrei no avião um grupo de músicos com seus cases de instrumentos, malas e mochilas. Dentre eles, um músico cristão. Ou será que devemos chamar de… um cristão músico?

Era a banda de um cantor famoso nacional e talvez internacionalmente. Logo começamos a conversar, pois ele sentou na poltrona ao meu lado, do outro lado do corredor, e, embora não nos conhecêssemos pessoalmente, tínhamos amigos comuns e até já ouvíramos falar um do outro. Da conversa, uma experiência vivenciada por ele ficou registrada em minha mente como história a ser recontada face realidades que parecem não deixar de permear a relação desses profissionais com muitos dos cristãos que também compõem a igreja.

Era noite de festa, daquelas, tipo formatura, casamento, enfim, celebração. A primeira banda estava no final da sua parte, e ele, juntamente com os seus companheiros, assumiria o baile a partir da meia-noite. Enquanto esperava na lateral do palco, um garçom se aproximou dele e lhe ofereceu “uma cerveja”. – “Não, obrigado!” Disse ele! A música continuou, a festa continuou, e depois de algum tempo o mesmo garçom lhe retornou… “E Whisky, deseja? – Não, obrigado!” Novamente o músico respondeu. Foi quando surgiu a pergunta: “Você é evangélico?” Ele respondeu: “Sou cristão!” – “De que igreja?” perguntou o garçom. O músico, então, respondeu participar de uma denominação evangélica bem conhecida em nosso país. A partir daí, o semblante e a presteza do garçom mudaram ‘da água para o vinho’ ou “do vinho para a água’ – talvez por ser a sua mesma denominação – e ele perguntou: “Então, o que você está fazendo aqui?” De imediato, a resposta do músico foi… “Vim trabalhar.” O garçom, indignado, afirmou prontamente: “Isso não é trabalho para um cristão! Vai tocar a noite toda para os outros dançarem!”

Essa história por si só já se explica e ensina, no entanto, por ser um assunto tão recorrente nas perguntas que surgem sobre músicos, vida cristã, e suas relações com profissão e “igreja”, nos congressos e palestras de “adoração” e afins, que é melhor caminhar um pouco mais, pois certamente, infelizmente o assunto, para muitos, ainda não está bem resolvido.

Embora alguns nem acreditem, esse não é um posicionamento tão incomum em relação aos cristãos que têm por profissão a música e a exercem atuando em restaurantes, bares ou confraternizações, as mais diversas.

Talvez não seja comum um diálogo como esse, afinal, não é todo dia que um irmão garçom encontra um irmão músico, ambos no exercício das suas profissões e travam esse tipo de diálogo, embora comumente encontremos cristãos se debatendo por causa dos irmãos artistas, principalmente músicos, que exercem as suas profissões ‘na noite’, aliás, na maioria das vezes num tipo de conversa desprovida ‘da graça’ e que acontece muito mais no ambiente do local chamado “igreja” do que nos tidos como “não aconselháveis” para um cristão.

Assim, creio que vale a pena evoluirmos um pouco mais, talvez respondendo franca e responsavelmente para nós mesmos a algumas poucas perguntas:

Será que todos os cristãos músicos profissionais estão preparados para exercerem sua profissão sem se contaminarem com o mal, ou com “as coisas desse mundo”?

Conheço músicos que foram alcançados pelo evangelho, em grande parte, pelo testemunho de companheiros músicos cristãos atuando profissionalmente nos mais diversos locais, influenciando-os positivamente por meio de vidas pautadas por princípios cristãos. Também conheço músicos cristãos que se profissionalizaram e influenciaram negativamente outros músicos, assim como outras pessoas, muitas vezes até da própria igreja. Aí eu me pergunto… Mas isso não é passível de acontecer com todos nós, independente das nossas profissões? Em todas as nossas atividades da vida, e também profissionais, sempre estaremos sujeitos ao risco de tomarmos “a forma do mundo”. Precisamos estar sempre alertas, a fim de “não nos conformarmos com este mundo, mas buscando sempre renovar a nossa mente”, como aconselha Paulo, o Apóstolo, a todos nós, e não apenas aos músicos profissionais que tocam “na noite”. Afinal, o texto de Romanos 12 certamente não inicia com… “Rogo-vos, pois, ‘músicos’, que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus…”. Claro que não é assim!

Ah, tá! Talvez o problema esteja “na noite”, ou seja, no turno de trabalho. Mas, então, o que vamos fazer com os taxistas, os médicos, os garçons, os enfermeiros, os pilotos, os policiais, os vigilantes, e tantos outros profissionais que exercem profissões, muitas vezes no turno da noite? Se o problema está no horário de trabalho, e se queremos tratar com justiça, ou pelo menos lógica, seria, então, proibido para o pastor profissional, aquele que é sustentado financeiramente pela igreja, atuar no turno da noite? Jamais estes poderão participar de vigílias em “suas” igrejas?

Claro que não! Claro que não é assim! Talvez o que aflija os corações seja o “ambiente de trabalho” juntamente com “a aparência do mal”. Então, o que vamos fazer com os nossos cristãos advogados que convivem com um sistema judiciário injusto em tantos momentos e situações? Ou com os nossos cristãos funcionários públicos em meio à cultura de ganhar sem produzir e, muitas vezes, sem trabalhar? Ou, ainda, com os cristãos educadores físicos que atuam em tantas academias onde a ênfase maior está no culto ao corpo? Ou com tantas outras práticas certamente não condizentes com o evangelho, mas não tidas como ‘aparência do mal’, sendo o próprio mal com cara de bem. E o que dizer dos policiais, dos políticos ou de tantos outros profissionais a quem a igreja não impõe um padrão de comportamento como faz aos músicos? O que vamos fazer com todos aqueles que se não copiassem as músicas dos cristãos músicos e nem comprassem CDs e DVDs piratas talvez estivessem contribuindo para eles, músicos, estarem talvez uma noite a mais em casa com a sua família, pais, esposas, filhos e filhas?

Será que a igreja (as pessoas) está pronta a reconhecer a profissão do músico como adequada para um cristão?

Lembro da história, como tantas outras que certamente existem, de um músico profissional que se converteu ao evangelho e foi orientado a deixar de tocar onde atuava antes, para “agora trabalhar apenas para o Senhor”. Na cidade do Recife havia poucos bateristas no meio chamado evangélico, o que poderia representar uma oportunidade, tanto para ele como profissional, quanto para a igreja pelo fato de ter alguém competente acima da média da época na atividade. No entanto, a bateria ainda não era um instrumento bem aceito no meio, sobretudo das igrejas históricas. Sua saída foi passar a tocar num grupo chamado “Embaixadores de Sião”, atuando principalmente junto à igreja pentecostal da época, que vale a pena salientar, era bem diferente da dos dias atuais, sustentado na ocasião por um homem rico que bancava toda a produção, desde o micro-ônibus e equipamentos, às gravações e os salários. Felizmente para aquele músico surgiu essa rara oportunidade, ao mesmo tempo, infelizmente para a igreja era a visão e o empenho de um só homem.

Vem-me à mente também o pedido sincero ‘de oração’ de uma querida irmã, no sentido de que o genro do “seu pastor”, que é músico profissional, logo tenha condições de “deixar esse mundo” e passe a “servir ao Senhor” tocando apenas na “igreja”. Surpreendem-me os conceitos equivocados e inocentemente generalizados em nossas igrejas, muitas vezes até por cristãos antigos na carreira da fé. As idéias de que a igreja é um local e o serviço ao Senhor acontece dentro dele, sinceramente me assustam. Não necessariamente as idéias em si, mas o fato delas permearem as mentes da igreja. Novamente eu me pergunto: Mas, o que representa trabalhar para o Senhor? O que, na realidade, significa “servir ao Senhor”? E não devemos fazê-lo junto à sociedade? Ou é pra vivermos uma cultura de gueto em que só podemos viver e conviver com os que são da fé?

Ah, tá! Então, poderíamos pensar em implantar um grande ‘movimento espiritual’, que poderia até ser chamado de ‘Profissão Fidelidade’, em que todos os profissionais deveriam “deixar o mundo” (o que não significa morrer), e trabalhar, “servindo apenas ao Senhor”, ou seja, “no local chamado igreja”. Todos os prestadores de serviços, os profissionais liberais, os empreendedores, e, claro, os investidores, sendo cristãos, também deveriam estar disponíveis e atuando, empreendendo e investindo exclusivamente “na igreja”. Já imaginou um dentista ou um médico? Esses atenderiam toda a população carente chamada cristã e sem cobrar nada. Também os professores, eles só deveriam dar aulas na escola bíblica e sustentarem suas famílias a partir dessa atividade. Ah, sim! Tem também os engenheiros civis e os arquitetos, que atuariam apenas nas construções de edifícios chamados ‘templos’, os motoristas que dirigiriam levando e trazendo os ‘irmãos’ para os locais de cultos, os cozinheiros, chefes, garçons e auxiliares, que preparariam e serviriam a comunidade da fé nas suas refeições, e que tal os atletas? – Mas… ‘igreja’ é lugar de atleta?

Alguém poderia dizer: “Ah, não! Aí já estamos fugindo da essência. Igreja não é lugar para esses profissionais. Aliás, ser atleta não deve ser profissão, mas sim diversão.”

Realmente, é difícil entender algumas profissões como sendo praticadas no ambiente do local que chamamos de igreja. E na realidade, essencialmente igreja não é ambiente para profissionais, nem sequer pastores. Dentro daquilo que vivemos hoje e muitas vezes chamamos de igreja, algumas profissões jamais se encaixariam, outras, no entanto, com perfeição, a exemplo dos professores, que por sinal, mesmo com o explícito reconhecimento da fundamental importância da sua atividade, e mesmo com a base bíblica de que “merecedores de dobrados salários são os que se afadigam na palavra”, a igreja nem recrimina a sua atuação fora dos muros eclesiásticos, nem sequer cogita em remunerar dentro. Já outras atividades são mais facilmente absorvidas no âmbito dos “arraiais do povo de Deus”.

No caso dos músicos, a situação é totalmente atípica. Além de vitrines e, ao mesmo tempo, ‘vivenciadores’ dos bastidores, eles sofrem a cobrança de uma boa performance técnica, quase sempre a exigência de um “bom testemunho de vida com Deus”, muitas vezes desfrutam da excepcional experiência de abençoar a igreja num processo de ‘conexão’ através da música com a pessoa do Pai (o que perigosamente também pode se transformar em manipulação), e, por tudo isso, tornam-se fundamentais nos processos das reuniões comunitárias, ou cultos públicos e serviços, como são mais tradicionalmente chamados. (É difícil, porém não impossível, se imaginar um “culto” sem música). Numa situação similar a dos professores citados acima, os músicos são cobrados a atuarem competentemente (no sentido de estarem habilitados à função) e voluntariamente (no sentido de sem remuneração), contudo, de forma contrária aos professores e de outros cristãos em suas profissões, em muitos casos e por muitas pessoas, são constrangidos e muitas vezes impedidos de exercerem tais atividades de forma profissional junto à sociedade, assim como, absurdamente na própria comunidade. Aí, lembro da ‘agonia’ de alguns deles desejosos de “obedecer”, porém, com as contas no final do mês.

Sei que rapidamente poderão surgir as comparações com os levitas. Realmente, eles são sempre a base para o argumento de que os músicos devam se dedicar ao trabalho exclusivo no templo. Vale salientar, no entanto, que os da tribo de Levi não eram apenas músicos. Eram porteiros, vigias, abatedores de animais, cantores, instrumentistas, sacerdotes, etc. Todos eles tinham sua manutenção a partir das ofertas trazidas como expressão de adoração, o que implicava nos fatos, por exemplo, de que apenas eles podiam se alimentar da carne apresentada para o sacrifício, e, ao mesmo tempo, não possuíam bens. Das tribos de Israel, os levitas eram os únicos não possuidores de terras, e, consequentemente, os únicos a serem beneficiados com objetos e animais apresentados para os sacrifícios. Ou seja, eram mantidos integralmente.

Com base nisso, podemos, então, concluir alguns equívocos naturalmente absorvidos ao longo da história, porém, estranhos aos exemplos bíblicos no que diz respeito às práticas atuais da igreja (que surge no novo testamento). Se a base for o antigo testamento, o caso dos levitas, o músico cristão de hoje deveria ser sustentado pela igreja, tanto quanto o sacerdote (pastor profissional) ou outros profissionais envolvidos. E vale salientar que eles, músicos levitas do AT, segundo o relato bíblico, eram maduros na idade e competentes naquilo que faziam.

Além da hereditariedade, competência e sustento financeiro são características do sistema do antigo testamento para a tribo dos Levitas e que muitos tomam por base para o argumento de que os músicos devem trabalhar apenas ‘na igreja’. No entanto, as duas mesmas características compreendem aquilo que chamamos de ‘profissionalismo’ nos nossos dias. É como se a igreja buscasse usufruir da competência, porém, sem a mínima manifestação de reconhecimento através do sustento financeiro. Vale salientar que tal reconhecimento é o mínimo a ser expresso e que existem outras formas de se reconhecer o trabalho de um trabalhador.

O grande “Q” da questão é que estamos vivendo outra era. Não mais vivemos o contexto do antigo testamento. Vivemos um novo momento. Passamos a estar na presença de Deus cotidianamente, através do último e perfeito sacrifício em favor do pecado do homem. Agir realmente de acordo com os princípios e valores bíblicos significa nos atermos à Nova Aliança implantada com o sacrifício de Jesus, e não utilizarmos a Bíblia de acordo com as nossas conveniências e negando o Seu ministério. (Vale lembrar que essa tem sido uma prática constante na vida da igreja com relação a diversos temas). Nela, na Nova Aliança, Deus não habita mais em templos feitos por mãos de homens; “Sua casa”, o santo dos santos, deixou de ter acesso exclusivo pelo sumo sacerdote apenas uma vez por ano, para ser extensivo ao coração de todos os redimidos; o Espírito Santo deixou de visitar pontualmente o Seu povo, para habitar definitivamente na vida dos que crêem; o povo de Israel deixou de ser o veículo exclusivo de proclamação da grandeza de Deus aos outros povos, surgindo a Igreja com o propósito de adorar o Cristo Vivo em tudo o que faz, comungar da Sua presença em amor, e assim, proclamar a Sua maravilhosa salvação a todos, em todos os lugares, e através de todas as atividades, inclusive através das mais diversas profissões. Fomos “feitos” todos, “reino, sacerdócio real, nação santa… a fim de proclamar as virtudes daquele que nos tirou das trevas…”

Imagine, então, como a igreja poderia ser mais forte e atuante do que pensa que é, e como pode impactar o mundo, não se contaminando e nem se conformando com ele, se cada cristão assumisse a sua posição na sociedade, influenciando-a com princípios e valores cristãos, e não transferindo suas responsabilidades. Tal raciocínio pode ir desde a orientação dos filhos no caminho do evangelho às iniciativas sociais ou missionárias que tantas vezes é terceirizada para a própria instituição. Até quando pensamos em evangelizar alguém, nosso primeiro pensamento atualmente é levá-lo ao culto a fim de ouvir a pregação de um especialista, sem talvez contar que a melhor pregação é a nossa própria vida. Tal raciocínio se aplica também a como e onde exercemos as nossas profissões, se voltadas para dentro dos nossos confortáveis “arraiais do povo de Deus” ou para onde estão todos aqueles que ainda necessitam entender do amor do Pai revelado na pessoa do Filho Jesus. Certamente os músicos estão dentre todos os outros profissionais que podem ser usados por Deus nessa direção, através do cotidiano, contando ainda com o poder da arte em tantos momentos tão eficaz.

Respondendo, então, a pergunta feita, parece que a igreja só estará pronta para reconhecer a profissão do músico como apropriada para um cristão, quando entender muitas outras questões, algumas aqui abordadas, e que revelam a possibilidade do problema não está propriamente nas pessoas dos músicos.

Na nossa mente permeada por valores históricos que, sem dúvida, foram absorvidos pela sociedade em geral, o que inclui a igreja, a idéia de profissionalismo está associada à capacidade de se desenvolver uma determinada atividade e a sua conseqüente remuneração. Mas parece que as únicas atividades profissionais realmente reconhecidas pelas instituições eclesiásticas, ao longo dos anos, são o pastor e o zelador. Mais recentemente, com a proliferação empresarial dos processos por parte da igreja, diferentes profissionais tem sido contratados, e até músicos, considerando-se um verdadeiro segmento de atividade que necessita de planejamento, estratégias, alvos e metas, como numa verdadeira empresa. E aí sim, a igreja perdeu um pouco mais da sua essência. Por outro lado, cada vez mais cristãos músicos tem rompido a barreira da adversidade e passado a atuar profissionalmente.

Mesmo assim, pelo que se vê, ou melhor, se lê, o assunto ainda tem “muitos panos pras mangas”. Infelizmente para alguns, é melhor aceitar a dose de whisky, a fim de esquecer. Para outros, eu gostaria de atuar como garçom e oferecer a possibilidade de embriagar-se com o Espírito, em Quem não há variação ou sombra de mudança.

**

Augusto Guedes é um dos fundadores e Diretor Executivo do Instituto Ser Adorador, pastor, líder de adoração, empresário no ramo de imóveis na cidade de Fortaleza-CE, mas prefere se apresentar como alguém que continua encantado com o chamado de simplesmente seguir a Jesus.

***

Fonte: Cristianismo Criativo.

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07
ago

Lenine, Spurgeon e Salomão

por: Rodrigo Ribeiro


Lenine

Nem todo dia o sol brilha com a mesma intensidade. Em nossa existência também iremos nos deparar com o céu nublado e até mesmo tempestades torrenciais. A mentira habita nos lábios daquele que propaga uma verdade diversa desta, ainda mais se esta fábula for direcionada aos cristãos, uma falsa promessa de vida mansa e pacífica, distante de tribulações. Certo é que todos já encaramos e também iremos encarar tempos difíceis em nossa vida, a grande questão é somente uma: como iremos líder como eles? Seremos despedaçados em meio à turbulência ou iremos sair dela mais fortalecidos?

Neste sentido, dentre várias preciosas orientações de como lidar com os tempos nebulosos da vida, destaco uma frase do príncipe dos pregadores, o Pastor Batista Charles Spurgeon que afirmou que “aqueles que mergulham no mar das aflições trazem pérolas raras para cima”, apontando para soberania de Deus e sua maravilhosa providência, que nos fez descansar certos de que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus (Romanos 8:28).

A respeito deste dilema onipresente nos corações humanos, é possível perceber ainda uma profunda e verdadeira reflexão vinda de um lugar inesperado, pelo menos para alguns mais ascéticos. Também existem verdade e graça fora dos muros eclesiásticos, ainda não seja a graça salvífica, mas sim a comum, pois “toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação.” (Tiago 1:16-17) e nisto está incluso a boa arte, assim como a boa ciência e etc.

No instante que o movimento gospel declina de uma teologia saudável, especialmente em temas como o sofrimento, Deus tem levando pedras para clamar. E vos apresento neste instante uma breve reflexão num destes clamores, nos instruindo a respeito de uma forma de lidar com os dias maus em perfeita consonância com a verdade bíblica. Observem a letra da canção “Eu Envergo Mais Não Quebro” do Pernambucano Lenine:

Se por acaso pareço
E agora já não padeço
Um mal pedaço na vida

Saiba que minha alegria
Não é normal todavia
Com a dor é dividida

Eu sofro igual todo mundo
Eu apenas não me afundo
Em sofrimento infindo

Eu posso até ir ao fundo
De um poço de dor profundo
Mais volto depois sorrindo

Nesta etapa inicial da música, especialmente na estrofe em negrito, podemos observar uma nítida semelhança com a perspectiva apresentada no inicio pelo Pastor Batista Charles Spurgeon, com base nos escritos do Apóstolo Paulo. De fato ainda que sejamos submersos pelo mar bravio das aflições, não devemos sucumbir em meio à dor, devemos retornar a superfície trazendo uma pérola preciosa, com um retumbante sorriso nos lábios. A mesa verdade é manifesta nas palavras destes dois homens, e só porque um incrédulo (Lenine) falou não podemos descartar uma verdade tão visível. Ela também vem de Deus.

Em tempos de tempestades
Diversas adversidades
Eu me equilíbrio e requebro

É que eu sou tal qual a vara
Bamba de bambú-taquara
Eu envergo mas não quebro (2x)

As adversidades certamente nos acometem, mas nessa hora é preciso compreender que ainda que moídos, torcidos, envergados, não devemos desfalecer, pois não seremos quebrados. O choro pode durar uma noite, ou várias, mas amanhã irá despontar na alvorada. O que nos resta? Nos equilibrar e aguardar o raiar do sol.

Não é só felicidade
Que tem fim na realidade
A tristeza também tem

Tudo acaba, se inicia
Temporal e calmaria
Noite e dia, vai e vem

Neste momento é possível chamar o Rei Salomão para tomar parte na melodia, visto que ele mesmo em Eclesiastes 1, versículos de 2 à 7, nos informa, sob a inspiração do Espírito Santo, que não há nada de novo debaixo da terra e que tudo é vaidade, de modo que o sol nasce e depois se põe, as gerações vem e vai, o mar sempre corre para o mar e assim por diante. Tudo sempre começa e termina, num ciclo sem fim. O temporal e o dia mau não fogem desta regra. Aparentemente o mesmo inspirador este por trás destes versos. E por que não?

Quando é má a maré
E quando já não dá pé
Não me revolto ou me queixo

E agora o músico envergonha uma multidão de religiosos que não se contentam em murmurar contra a providência de Deus, mas chegam ao disparate de coloca-lo na parede, ordenando que mude a sorte deles, restituindo e lhes dando um bom tempo. Lenine, embalsamado na graça de Deus, nos apresenta outro caminho, que não é novo: a piedade com contentamento, que nos é ensinada por Paulo em 1 Timóteo 6.6-8. Mais uma voz o apóstolo participa da melodia popular brasileira.

E tal qual um barco solto
Salto alto mar revolto
Volto firme pro meu eixo

Em noite assim como esta
Eu cantando numa festa
Ergo o meu copo e celebro

Os bons momentos da vida
E nos maus tempos da lida
Eu envergo, mas não quebro (4x)

Por fim, para terminar com chave de ouro, a poesia musicada nos indica mais uma postura: aproveitar e celebrar os dias bons, como forma de nos equipar para suportar os inevitáveis dias maus. Mas uma vez precisamos nos arvorar na antiga e sempre atual sabedoria de Salomão que corrobora com o cantor pernambucano: Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe com coração contente o teu vinho, pois já Deus se agrada das tuas obras. (Eclesiastes 9:7). E contexto do texto em questão é exatamente este: o homem não controle sobre o bem ou mal que lhe é acometido, sendo assim, ele deve aproveitar as bênçãos de Deus e descansar Nele, pois o Senhor se agradou de antemão de suas obras.

Diante desta análise gostaria de sugerir duas reflexões oportunas: primeiramente, não limite a verdade de Deus às quatro paredes do templo. A igreja é sim o baluarte da verdade, mas a graça de Deus ainda se encontra em várias manifestações e ignorar isto, rejeitando as coisas pela fonte e não pelo conteúdo, significa ingratidão contra o próprio Deus que capacitou os homens. Prestemos atenção nas palavras de Calvino: “Mas contaremos qualquer coisa como digna de louvor ou nobre sem ao mesmo tempo reconhecermos que vem de Deus? Que nos envergonhemos de nossa ingratidão, na qual nem os poetas pagãos caíram, pois eles confessavam que deuses tinham inventado a filosofia, as leis e todas as artes úteis.” [1]

E por último, que possamos refletir nesta canção, assim como na frase Spurgeon e nos textos bíblicos de Paulo e Salomão que fazem coro em uma só voz. A dor estará presente nesse mundo, pelo menos até que Cristo volte. Os dias maus ainda irão nos alcançar, mas que possamos descansar nos braços de nosso Senhor, sabendo que ainda que venhamos a envergar, certamente ele não permitirá que sejamos destruídos.

Deixo convosco a canção supracitada. Apreciem!

***

Fonte: UMP da Quarta. Divulgação: Púlpito Cristão.

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06
jul

Canção profética de Roberto Carlos sobre a segunda vinda de Cristo #PODE ISSO IRMÃO?

por: Antognoni Misael


vinda-de-cristoVez por outra nós cristãos fazemos citações de pessoas que não professam a mesma fé. É comum concordarmos com aquilo que entendemos como correto, seja em qualquer área da vida. Sendo assim, a Verdade bíblica é convergida em diversos momentos da nossa existência quando alguém fala sobre sede de justiça, caridade, honra aos pais, prudência, paz…

Eu, como subversivo que sou, não me canso de dizer que não somos os únicos porta-vozes desta VERDADE. Aqui acolá encontramos seus cantos e ecos, intencionais ou não,  a respeito do que falo.

Na canção abaixo temos a oportunidade de entender bem o que falo. Ou você acha que só se fosse cantada por um cantor gospel ela teria validade?

Se ilumine na luz das estrelas
Se aqueça nos raios do sol
Se refresque na chuva que cai
Sobre a sua cabeça
Agradeça e respire do ar
Se concentre diante do mar
Se procure e se encontre depressa
Ele está pra chegar

Não se pode negar os sentidos
Tão pouco tapar os ouvidos
Pra fugir das verdades
Que a própria consciência nos diz
Não adianta tentar se esconder
Nem tão pouco querer se enganar
Se procure, se encontre depressa
Ele está pra chegar
Ele está pra chegar

Vista-se no branco desse amor que vem do alto
Busque o céu dos seus pensamentos
Veja que a verdade e as palavras do profeta
Nunca se perderam nos ventos

Pare pra pensar
Pense muito bem
Olhe que esse dia já vem

Pare pra pensar
Pense muito bem
Olhe que esse dia já vem

Pare, pense
Olhe que esse dia já vem
Pare, pense
Olhe que esse dia já vem

Muito breve uma luz vai brilhar
Dessa luz Ele então surgirá
Se materializando ante os olhos
Surpresos do mundo

Não se pode fugir dessa Luz
Dessa força chamada Jesus
Se procure, se encontre depressa
Ele está pra chegar
Ele está pra chegar

Pare pra pensar
Pense muito bem
Olhe que esse dia já vem

Pare pra pensar
Pense muito bem
Olhe que esse dia já vem

Pare, pense
Olhe que esse dia já vem
Pare, pense
Olhe que esse dia já vem
Pare, pense (Aleluia, aleluia)…

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