<
12
nov

Alunos evangélicos se recusam a ler obras “Macunaíma” e “Casa Grande Senzala”, Afirmando que tais falam sobre “homossexualismo”

por: Compartilhamento


Polêmica na escola motivou ida de representantes de Fórum,OAB e MPE

título original: Alunos evangélicos se recusam a fazer trabalho sobre a cultura afro-brasileira
Maria Derzi, no A Crítica

O protesto de um grupo de 13 alunos evangélicos do ensino médio da escola estadual Senador João Bosco Ramos de Lima – na avenida Noel Nutels, Cidade Nova, Zona Norte -, que se recusaram a fazer um trabalho sobre a cultura afro-brasileira – gerou polêmica entre os grupos representativos étnicos culturais do Amazonas.

Os estudantes se negaram a defender o projeto interdisciplinar sobre a ‘Preservação da Identidade Étnico-Cultural brasileira’ por entenderem que o trabalho faz apologia ao “satanismo e ao homossexualismo”, proposta que contraria as crenças deles.

Por conta própria e orientados pelos pastores e pais, eles fizeram um projeto sobre as missões evangélicas na África, o que não foi aceito pela escola. Por conta disso, os alunos acamparam na frente da escola, protestando contra o trabalho sobre cultura afro-brasileira, atitude que foi considerada um ato de intolerância étnica e religiosa. “Eles também se recusaram a ler obras como O Guarany, Macunaíma, Casa Grande Senzala, dizendo que os livros falavam sobre homossexualismo”, disse o professor Raimundo Cardoso.

Para os alunos, a questão deve ser encarada pelo lado religioso. “O que tem de errado no projeto são as outras religiões, principalmente o Candomblé e o Espiritismo, e o homossexualismo, que está nas obras literárias. Nós fizemos um projeto baseado na Bíblia”, alegou uma das alunas.

Intolerância gera debate na escola

A polêmica entre os alunos evangélicos e a escola provou a ida de representantes do Fórum Especial de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros do Amazonas, da Ordem dos Advogados do Brasil, secção do Amazonas, e do Ministério Público do Estado.

Para a representante do movimento de entidades de direitos humanos e do Fórum Especial de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros do Amazonas, Rosaly Pinheiro, a problemática ocorrida na escola reflete uma realidade de racismo e intolência à diversidade. “Nós temos dados de que 39% dos gestores e alunos das escolas são homofóbicos. Essa não pode ser encarada como uma oportunidade para se destacar um fato ruim, mas sim uma oportunidade de se discutir, de uma forma mais ampla essas questões com os alunos”,disse.

Para a representante do Ministério Público, Carmem Arruda,a situação também deve ser encarada como uma oportunidade de esclarecer a comunidade.“É uma chance de discutir a diversidade e uma oportunidade de contruirmos uma conscientização junto não apenas aos alunos, mas sim às famílias que serão fazem refletidas junto a comunidade”.

Representante do Fórum pela Diversidade da OAB/AM, Carla Santiago, ressaltou que o episódio não era para ser encarado como um ato que fere os direitos de negros, homossexuais, mas sim um momento de conscientizar os alunos sobre a etnodiversidade. A conversa entre os diversos segmentos envolvidos prometia uma nova rodada, mas até o fechamento desta edição estava mantida a posição da escola de cobrar o trabalho original passado aos alunos pelo professor de História.

foto: Odair Leal

dica do Max Walter, via Pavablog.

***

NOTA DO BLOGUEIRO: Gente, esse tipo de debate me preocupa muito. Não sei ao certo sobre o teor da matéria, se foi tendenciosa, ou se ouve exagero por parte dos alunos. Enfim…o que me inquieta é notar que há campos mal demarcados no pensamento cultural e cristão de muitos evangélicos.

Por hora sinto que estamos numa guerra religiosa onde nos sentimos atacados e por isso atacamos, porém sem termos as armas corretas e os recursos apropriados. Mas, quero acreditar que não.

Se de fato houve um pressionamento ideológico e fundamentalista por parte dos professores, impondo suas próprias perspectivas religiosas, sexuais, ou seja lá o que for, penso que deve-se compreender tal reação dos alunos e justificá-las, por que não? Afinal de contas, educador não impõe, mas cultiva o pensamento e conhecimento.

Do contrário, me assusta o repúdio pela bela obra do sociólogo Gilberto Freyre, onde as suas articulações, perspectivas e análise histórica do Brasil Colônia enriquecem nossa literatura cheia de brasilidade, o que serve também para O Guarani, admirável literatura indianista de José de Alencar, e Macunaíma, do grande romancista modernista Mário de Andrade.

Entretanto, rejeitar as obras porque falam de homossexualismo é uma afirmação um tanto quanto simplista e equivocada. Rejeitamos a Bíblia? Não. Basta citarmos apenas os eventos de Sodoma e Gomorra. O que isso quer dizer? É preciso se compreender a proposta do autor, entender a lição e absorver a cosmovisão diante do conteúdo apresentado. As escrituras nos ensinam muito bem sobre isso. Falar ou citar algo pernicioso não quer dizer nada!

O viés da questão está na cosmovisão correta que tais alunos precisam inculcar diante das ciências humanas, podendo estudá-la com maturidade para que assim, nesse caleidoscópio do conhecimento humano onde habita pecado e graça, estes saibam usar o discurso cristão em cada momento e espaço oportuno diante de seus gestores, educadores e diante do mundo, enfim.

É assim que penso, é assim que vivo diante do mundo.

Pela Graça, do pequeno amante do Deus da ciência e das artes, Antognoni Misael.

NÓIS NAS REDES! E AÍ, O QUE ACHOU? COMENTE!1


28
out

A invenção do gospel no Brasil

por: Antognoni Misael


A década de 90 foi sem dúvida a década do crescimento para os evangélicos no Brasil. Crescia uma igreja de face, até então, desconhecida, mas que participava de uma dinâmica fragmentadora inerente do fenômeno da globalização e que assistira o recente triunfo do capitalismo sobre o socialismo. A indefinição evangélica decorria da chegada de vários segmentos religiosos embarcados na chamada Teologia da Prosperidade, dentre eles os grupos neopentecostais e subdivisões dos pentecostais. Apesar disso, o aumento numérico foi estrondoso: de 1991 a 2000, o crescimento dos evangélicos chegou a superar em quatro vezes o crescimento da população do país (estes cresceram em 7,43% enquanto a população 1,63%).
Essa época viu esse segmento tomar espaços de mídia, fazer aquisições de redes TV, rádios, gravadoras, passando a ocupar um lugar de influência direta na vida social, cultural e econômica dos fiéis. Foi nesta mesma década que grandes gravadoras evangélicas se organizaram e passaram a abastecer e reger um mercado de música gospel, entretanto a própria marca “Gospel” teve sua patente comprada e registrada por um dos grupos neopentecostais (Igreja Renascer), portando assim uma representação imponente e promissora nessa indústria recém-formulada e que ainda hoje se mantém numa crescente espantosa. O impacto dessa indústria cultural evangélica no decênio citado funcionou satisfatóriamente sob o epíteto do gospel que cuidou de imediatamente se aparelhar como uma organização econômica de produtos diversificados: artistas, Bíblias, grifes, livros, etc.  
Contrariando qualquer análise denominacional ou fundamentalista, o que discuto aqui é a importação do termo “gospel” para a música brasileira vide música gospel percebendo que enquanto produto cultural, ela pôde ser (re)inventada em outro tempo e espaço dentro de um mercado altamente lucrativo.
Para devido esclarecimento, chamo de “representações” os símbolos que são construídos historicamente e socialmente dentro da sociedade; sendo assim resta-nos resolver esse impasse quanto a significação do gospel no Brasil: sua representação tem a ver com a música spiritual negro, blues, jazz, underground? Certamente não. Veremos.
O termo “invenção” remete a descontinuidades, ao heterogêneo, ele está articulado muitas vezes numa estratégia, num projeto de grupo, e isso se evidencia logicamente quando percebemos uma chegada tardia do gospel na música brasileira sob a estranha composição sonora quanto aos padrões musicais e estéticos inerentes ao Gospel norte-americano.  Aliás, aqui já respondo o que indago no parágrafo passado: – O gospel no Brasil tem a ver com spiritual negro, blues, underground? – Não! Primeiro porque não tem absolutamente indícios de elementos musicais negro, segundo porque não porta um passado histórico radicado no sentido cultural da música; afinal nossos negros tinham igrejas protestantes? Faziam algum lundu ou maxixe evangélico?
A música gospel fez parte de um processo histórico e cultural no século XIX nos Estados Unidos através do “Grande Despertar”, um acontecimento que mesclou negros e brancos pobres fazendo com que estes pela primeira vez se unissem sob pano protestante, frenético e igualitário. Interessante notar que este acontecimento ocorrido não foi uma imposição vinda de cima, mas uma conversão em massa vinda de baixo elevando a música religiosa para um status de música do povo. Eric Hobsbawm (historiador) em sua obra História Social do Jazz (relançado em 1989) denota a religião protestante nos EUA como um reduto conservador do gospel, cuja preservação das características rudimentares dessa música recheada de traços de negritude se deu efetivamente: as canções de trabalho, o blues, o coral, etc., dando uma estética própria na então música gospel. Essa formatação se deveu principalmente ao fenômeno de urbanização onde as igrejas forneciam um pólo comunitário isolado importante para o “fazer” musical.
O gospel norte-americano tornou-se comercial? Sim, óbvio. Mas este processo cultural possibilita, entre 1930 e 1950, o gospel expandir-se pelo mundo além de explorar os truques, fórmulas, repetições rítmicas e padrões de canto e resposta. O gospel vide EUA passa a ser um produto elementar, no aspecto folclórico que tinha, porém apropriado, por uma indústria que o sofistica, o ressignifica como produto lúdico co-participante de uma época de forte venda de entretenimento. Mas, veja que isso não significou a anulação dos elementos de identidade desse estilo. Permaneceram, mesmo que moldados a uma fórmula. Particularmente, quando ouço Take 6, ou Mahalia Jackson, por exemplo, grosso modo sei identificar os elementos estéticos do gospel ali.
Por outro lado a música religiosa no Brasil contém processos históricos dissonantes com os ocorridos no norte da América. Do cantochãotrazido pelos jesuítas aos hinos europeizados vindos nas bagagens do protestantismo, perpassado mais através de fontes orais do que documentais, a música religiosa aqui passa a adotar tardiamente o epíteto gospel (em meados dos anos 1990) – Por que isso ocorreu tardiamente? Por que não se chamava de gospel as produções religiosas dos anos 70/80, por exemplo? De certo esse gospel não significa do mesmo modo um blues ou um jazz brasileiro em seus componentes sonoros, mas sem dúvida, a invenção de uma marca de conotação comercial enquanto integrante de uma recém-indústria de música religiosa.
Temos uma música gospel? Sim temos. Mas vale salientar que ela é uma invenção; ela não participa dos nossos processos históricos. Ela existe por que surge dentro de um momento propício, ela surge dentro de uma estratégia, tendo nós como legitimadores.
Ser gospel no Brasil, lembre-se, não tem nada a ver com o som spiritual da Black music, underground, blues. Gospel aqui atualmente está mais pra Globo, Som Livre ou algo parecido.
***
Texto publicado um ano atrás, mas que anda está em relevância.

NÓIS NAS REDES! E AÍ, O QUE ACHOU? COMENTE!1


07
out

Quando Acordou, O Paletó Ainda Estava Lá

por: Jofre Garcia


O cerimonialismo farisaico de nossa religiosidade protestante (evangélica) é paradoxal, confuso e em muitos aspectos incoerente. Digo isto por ser evangélico protestante, não sou desigrejado e tenho pavor e desconfiança de quem não consegue relacionar-se em comunidade e passa a atirar as pedras que lhe cabem.

Dediquei grande parte de minha juventude, ou pelo menos os anos de maior fervor energético, no cuidado com minha família e ajudando a Igreja em que me “igrejava”. Foi o calor de servir numa comunidade com erros e acertos, mas, cheia de companheirismo e amizade, surgida pelo tecer da Palavra que aprendi a pensar o Evangelho não como uma utopia platônica, um ideal de Igreja a ser alcançado, mas, de viver o pé no chão do Evangelho, com suor, lágrimas, sangue, sorrisos, abraços e muitas despedidas.

Tive muita sorte (leia-se propósito de Deus) de conhecer muita gente boa trilhando o Caminho da Graça com graça. E pude discorrer sobre filosofia e teologia com as pessoas mais improváveis neste universo protestante repleto de rótulos pedantes e academicismos sem fim. Muitos dos “teólogos” que me socorreram não tinham diplomas na parede para ostentar. Sentavam comigo, às vezes na EBD, e durante a semana vendiam cachorro quente em carrocinhas; outros eram sacoleiros, prestamistas e alguns traziam a rudeza da lida expostas nas mãos, mas transbordava ternura no coração.

Não estou fazendo uma defesa ao lugar comum, a ignorância simplista temerosa do conhecimento. Isto é um absurdo! Uma vez que o povo peca por falta de conhecimento, e o intelectual, por não considerar nem conhecer o poder de Deus.

Precisamos estudar academicamente, cientificamente, metodologicamente, com tremor e temor a Palavra de Deus para poder servir ao nosso Deus espalhando esse conhecimento em nossas comunidades. As nossas instituições, que são dedicadas a tal missão não podem ceder a tentação de transformar o conhecimento numa arma para a criação de classes especiais de modernos sacerdotes, as castas do saber.

Estou dizendo estas coisas porque não fomos capazes de repensar cerimonialismos e tradições sem significado algum para a fé cristã, mas, que nos são apresentadas como símbolos identificadores de uma fé.

Hoje pela manhã, enquanto procurava um calção deparei-me com meu velho paletó (leia-se terno completo). Faz tempo que ele está lá. Deve está perto de completar dois anos que não o uso. É bonito, deixa o homem elegante e com pinta de ser alguma coisa, principalmente quando se está diante de uma comunidade pobre e humilde.

Aborreci-me dessa indumentária tão típica em nosso meio e tão inútil ao coração da fé. Lembro-me a primeira vez que cheguei à Igreja com tal indumentária, e o espanto apreciativo de todos. Recebi muitos elogios e quase acreditei que aquele composto de tecidos sobrepostos me fizesse ser algo superior. É um grande perigo que se corre com essas tradições que caduca a fé.

Tenho feito o possível para não usá-lo. Não como uma birra infantil, mas por não me sentir confortável e ser totalmente dispensável para nossa vivência real de Cristo em nós. Ainda mais nesse calorão que faz em nossa terra.

Pago o preço desta minha escolha. Tudo na vida tem uma conseqüência. Noto em muitos irmãos uma desconfiança felina além do olhar frustrante de saber que o pregador vai ocupar o púlpito de mangas curtas. No trajeto que faço a pé até a Igreja aos domingos, percebo o desprezo de alguns ao encontrar e saudar um presbítero tão deselegante. Isso porque não citei os que com uma superlativa superioridade do alto de suas vestes, fitam-me de cima abaixo como se eu fosse uma afronta aos “padrões” da fé.

Fazer o que?

Dia deste sobrou até para o Tony (Arte de Chocar). Vieram denunciá-lo a mim, pois ele estava no Culto, louvando de boné, e isso era um absurdo.

Ah! Teve quem viesse “entregar” alguns jovens que estavam participando da EBD de bermudão…

Ora, tem coisa mais gostosa que chinelo de dedo, um velho calção, camisa leve de malha e a liberdade de um Deus que se aninha em meu peito e me convida a adorar em espírito e em verdade.

Mas o contrário também é verdadeiro. Há quem aprecie e goste dos trajes por elegância e etiqueta, sem, no entanto, deixar-se levar pela vaidade ou tradições de usos e costumes. Isso é legal e faz parte da convivência comunitária, até porque tem ocasiões que somos que obrigados as sociais.

E o paletó, quando acordei, continuou lá…

Veio uma de parodiar Vinícius…

Um velho calção de banho
O dia pra adorar
O Deus que não tem tamanho
Sua graça inteira no ar.

O Cristo viver seguindo
E sentir o alívio no corpo
Sorver do Mestre o ensino
Como uma água de coco.

É bom…
Passar uma tarde em Jacumã
Ao sol que arde em Jacumã
Ouvir o Senhor em Jacumã
Servir a Deus em Jacumã.

Especialmente para o Tony, Silvano, Jairo e todos os jacumistas de plantão.
N’Ele, em quem andamos, respiramos e existimos.

P.S: Para o título deste artigo peguei por empréstimo o miniconto do escritor guatemalteco Augusto Monterosso, substituindo o dinossauro, é claro

***

Jofe Garcia é amigo, irmão em Cristo. Edita o Auxílio do Alto e faz coluna aqui no Arte de Chocar.

NÓIS NAS REDES! E AÍ, O QUE ACHOU? COMENTE!0


20
set

“Culto do Churrasco”: uma intenção para adoração que termina em indigestão!

por: Antognoni Misael


Semanas atrás eu postei um texto no grupo do Facebook da minha igreja local onde fiz uma provocação sobre a grande evasão dos irmãos relacionada os cultos no sábado a noite, organizado pela mocidade da igreja, em detrimento de outras reuniões paralelas realizadas no mesmo dia. Leia o desabafo:

“Desde que me conheço como crente, o culto de sábado sempre foi taxado como ‘reunião dos rebeldes’, isso pq na época alguns fariseus diziam: “os jovens cantando e pregando sem direção de anciãos, vira culto sem reverência.

Mas enfim, como bem advertiu o presbítero Val, hoje, no nosso encontro de ‘Gatos Pingados’, sobre a conferência missionária de sábado que vem, que convidemos as pessoas pra que não dê poucos gatos pingados (como hj) eu até entendo.

Entendo tmb que Deus ouve e é adorado nos nossos cultos (reuniões) de gatos pingados.

#VIVAAOSABADO!!!”

____

Após conversarmos sobre isso em lócus com alguns amigos e nos convencermos de que aquela reunião já é abençoadora mesmo com a ausência de muitos irmãos da eclésia, eu tive uma ideia um tanto apetitosa, mas super arriscada de se fazer.

De uns dias pra cá passei a idealizar o “CULTO DO CHURRASCO”, isto mesmo. Inspirado no embalo de: “todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite” (Lulu Santos) pensei em divulgar durante quinze dias este culto liderado pelos jovens de igreja. Não tenho dúvidas de que seria um sucesso! Literalmente um culto muito carnal!!!

Já me pego imaginando a cena, às pessoas chegando cedo, de sorriso aberto, simpatia plena, em jejum noturno, só pra depois do culto devorar aquela picanha suculenta, contrafilé, bisteca gordurosa acompanhado de arroz, vinagrete, salpicão e vários litros de Coca Cola. Eita que será (ou seria) contagiante! Neste dia imagino que a palavra pregada seria rápida e muita gente ficaria fuçando o nariz durante o sermão na curiosidade de saber de onde vem aquela fumaça cheirosa.

Mas a maior surpresa aconteceria no fim daquela reunião de louvor e adoração. Diante da possibilidade de acontecer tal culto, já preparei o discurso, direi:

“Queridos irmãos, foi um prazer enorme ter vocês aqui conosco. A vossa presença nos alegra, nossa comunhão foi fortalecida e estamos muito felizes em ver a igreja cheia num “culto normal” de um sábado qualquer sem nada especial. Isso mesmo! Nada de diferente!

Saibam que o “culto do churrasco” foi algo muito bem preparado, mas quero vos dizer que o churrasco já acabou. Não sobrou nada. Infelizmente vocês terão que me compreender bem… Olha queridos, a Bíblia diz: ‘mortificai a vossa carne: a prostituição, a impureza, o apetite desordenado, a vil concupiscência e a avareza, que é idolatria: pelas quais coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência (Colossenses 3:5)’. Percebam que quando todos vocês deixaram de estar em casa ou em outro ambiente deleitando –se de coisas que não edificam para estarem aqui louvando a Deus e glorificando-O certamente vocês queimaram a vossa carne. Um churrasco do Ego foi executado!!

Irmãos, mais que isso, confesso que quando os vi com as mãos aos céus cantando hinos de louvor eu vislumbrei a fumaça vos rodeando (como naquela música “a fumaça me esconde…”). Era literalmente um churrasco acontecendo!! Gente, vocês queimaram a vontade da carne! Vocês fizeram um churrasco com o pecado e estão saindo daqui alimentados…Não de carne, mas de Deus. Amém?”

Após esse esclarecimento admito que não tenho a mínima ideia do que poderá ocorrer. Talvez os mais famintos, “des-jantados”, saiam me xingando , outros moderados me compreendendo. O que sei é…isso não passa de uma ideia, só! Ainda tenho juízo! Na verdade, pra não me sair como “o Judas” dessa história, vejo que com certeza é bem menos dispendioso encomendar 3 kg de picanha, 3 kg de carne de porco, 3 quilos de contrafilé, 3 kg de alcatra, 3kg de Maminha, 3kg de costela bovina, 3 pacotes de Coca Pet, duas travessas de arroz…

***

Arte de Chocar.

NÓIS NAS REDES! E AÍ, O QUE ACHOU? COMENTE!2


07
set

Paz sem voz não é paz, é medo

por: Compartilhamento


Quem se cala diante do pecado, da injustiça e de falsas doutrinas não ama de verdade. A Bíblia diz que o amor “…não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade” (1 Co 13.6). Deveríamos orar muito por sabedoria e, com amor ainda maior, chamar a atenção para a verdade e não tolerar a injustiça.

Ao estar em jogo a verdade, Estevão argumentou, mas sempre em amor a seu povo e com temor diante da verdade em Cristo. O apóstolo Paulo estava disposto a ser considerado maldito por amor ao seu povo, mas não cedia um milímetro quando se tratava da verdade em Cristo. Jesus amou como nenhum outro sobre a terra, mas assim mesmo pronunciou duras palavras de ameaça contra o povo incrédulo, que seguia mais as tradições e as próprias leis do que a Palavra de Deus. O Dr. John Charles Ryle, bispo anglicano de Liverpool que viveu de 1816 a 1900, certa vez disse assim:

“Controvérsias religiosas são desagradáveis. Já é extremamente difícil vencer o diabo, o mundo e a carne sem ainda enfrentar conflitos internos no próprio arraial. Mas pior do que discutir é tolerar falsas doutrinas sem protesto e sem contestação. A Reforma Protestante só foi vitoriosa porque houve discussões. Se fosse correta a opinião de certas pessoas que amam a paz acima de tudo, nunca teríamos tido a Reforma. Por amor à paz deveríamos adorar a virgem Maria e nos curvar diante de imagens e relíquias até o dia de hoje. O apóstolo Paulo foi a personalidade mais agitadora em todo o livro de Atos, e por isso foi espancado com varas, apedrejado e deixado como morto, acorrentado e lançado na prisão, arrastado diante das autoridades, e só por pouco escapou de uma tentativa de assassinato. Suas convicções eram tão decididas que os judeus incrédulos de Tessalônica se queixaram: ‘Estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui’ (At 17.6). Deus tenha misericórdia dos pastores cujo alvo principal é o crescimento das suas organizações e a manutenção da paz e da harmonia. Eles até poderão fugir das polêmicas, mas não escaparão do tribunal de Cristo”.

***
Fonte: Inconformidade Cristã
- Título Original: Calar por amor ou falar por causa da verdade?

Um post scriptum: Cabe aqui a célebre frase do reformador Martinho Lutero: “A paz se possível, mas a verdade a qualquer preço”.

Via Púlpito Cristão.

NÓIS NAS REDES! E AÍ, O QUE ACHOU? COMENTE!0


04
jul

Adolescente de 13 anos realiza sonho de muitos “Valadetes”: conhecer de perto Ana Paula Valadão

por: Antognoni Misael


“O choro pode durar mais de seis horas de barco, mas a alegria vem ao encontrar Ana Paula Valadão”. De fato foi isso que aconteceu com a adolescente que orou vários dias para poder ver, tocar, sentir de perto a sua ídola.

Muito embora a TV amazonense tenha tentado produzir uma matéria comovente, o que restou ao meu ver, e não quero “chacotar” a humilde fã, foi a prova de que a motivação e sentimentos de colossais admirações (idolatria) outrora típico entre fãs de artistas seculares, vigoram em grande escala na universo Gospel. Não vi emoção, mas decepção.

Conheço muitos “valadetes” de perto. Com alguns me relaciono bem, com outros não sou muito bem visto porque tento sugerir que a Ana Paula não é um bezerro sagrado de ouro. Entretanto quando a compulsividade, potencializada por suas emotivas canções (em estruturas tonais), supera os limites da normalidade a ponto de se trazer para o estilo de vida hábitos típicos de fãs clubes por aí, a coisa passa a ser transferida: a Glória, que deve ser única de Deus passa a ser consciente e inconscientemente dirigida ao artista.

Acho interessante que tanto a Ana Paula como muitos “astros” gospel repensem esse quesito da idolatria. Não há como ver uma cena destas e apenas achar que se trata do poder das canções que edificam. Até porque, não vejo canções mais edificantes como por exemplo, as do Grupo Logos, no entanto, na muitas vezes que estive com este nunca vi uma cena tão infantil como esta.

Com conhecimento de causa, esta cena é apenas uma pequena amostra grátis daquilo que ocorre nos corredores dos Show’s do DT. Sendo assim, faço coro a turma do Voltemos ao Evangelho. Mais do que nunca, retornar é preciso!

***

Antognoni Misael, músico, blogueiro e pecador que inclusive ainda tem o belo CD “Preciso de Ti” do DT. Arte de Chocar.

NÓIS NAS REDES! E AÍ, O QUE ACHOU? COMENTE!3


02
jul

Uma igreja inundada por veneno a espera do antídoto

por: Arte de Chocar


Por Antônio Pereira Júnior

Certa vez andando pelas ruas de uma cidade e comentando com uma irmã sobre a situação de determinada igreja, ela saiu com o seguinte comentário: “pastor, aquela igreja é um ninho de cobras”. Salvo os exageros, comecei a pensar a principio, que aquela irmã estava exagerando na sua observação, afinal ali também tinha bons irmãos, pessoas comprometidas com o Reino. No entanto, refletindo sobre o modo de viver de alguns membros e lideres, descobri que aquela irmã estava correta.

Meu pensamento começou a divagar sobre diversas igrejas por onde passei e tive conhecimento de tantos absurdos que não tem nada a ver com o Evangelho de Cristo. Em muitas igrejas não existem ovelhas, e sim, cobras venenosas. Serpentes traiçoeiras em busca de alguém para matar. Sanguessugas da alma alheia.

A igreja Butantan tem produzido mais mal do que bem. Só produzem veneno, morte e destruição. Não há cura, não há restauração, não há mudança de caráter. As coisas velhas continuam velhas e nada se faz novo.

O que se vê são pastores murados e feridos. Oficiais arrogantes e sem amor; senhores e “mestres” do saber. “Donos” de Deus e conhecedores da “vontade divina”, que geralmente é sempre a favor deles. Aranhas caranguejeiras perigosíssimas. Escorpiões, cujos ferrões estão prontos para penetrar na pele de inocentes ovelhas.

A maioria não sabe o que é amor, piedade e perdão. São senhores dos destinos alheios e ignorantes das coisas de Deus. Falta-se servos, sobram-se senhores. Ou como diz uma música antiga: “muita estrela pra pouca constelação”.

Nesse “circo” se vê de tudo. Diáconos que fazem de tudo, menos “diaconar”, servir. Aliás, servir é a última coisa que passa nas suas mentes doentes. A maioria deles são marionetes nas mãos dos outros lideres mais sagazes e do que eles.

Presbíteros que são cheios de si e vazios de Deus. Insubmissos até a alma e que fazem de tudo para serem “estandartes” na igreja, destaques da escola de samba gospel. Prontos para dar o golpe no pastor que vacilar e assim tomar o seu lugar. Praticantes de uma espiritualidade vazia e sem frutos da Graça.

Pastores mil e uma utilidades, com agendas cheias e sem tempo pra orar e pregar – daí só resta animar o auditório. Ou então, aqueles cuja preocupação é apenas manter o seu “status” financeiro, afinal o povo só precisa de pão e circo. Já outros “sentem” que o tempo de Deus na sua igreja pequena já chegou. Pois ele soube que outra igreja maior está com o pastorado vago, ai ele sente que Deus o está “impulsionando” para ampliar seu ministério, desde que ele vá para uma igreja maior e que pague bem – por que será que o inverso quase nunca acontece?

Em quase toda igreja se poderia dividir o corpo de oficiais em dois grupos: os manipuladores e os manipulados. O primeiro grupo – às vezes nem precisa ser um grupo, mas um só individuo – manipula os demais para interesse próprio. O segundo, pela falta de discernimento e espiritualidade genuína, acata tudo que se diga em nome de Deus, mesmo que seja feito pelo Diabo.

Ser um “oficial” de igreja não é ser um general da alma dos outros. Um ser superior, um arcanjo no céu, embora de alma caída. Um oficial de igreja, seja ele de que denominação for, deveria servir a Deus e ser servo uns dos outros. Ser “oficial” é ser um ser-oficial, ou seja, um ser que cumpra o ofício que recebeu de Deus e despido de toda síndrome de Lúcifer. Não é ser visto é sim, fazer ser visto a Glória de Cristo.

De nada adianta pavonearem-se pros outros e interiormente serem cheios de toda malícia, veneno e sagacidade do inferno. Não passam de sepulcros caiados.

No âmbito da igreja local, na maioria dos casos, as assembléias eclesiásticas se tornaram em desfile de egos. Onde cada um defende o seu ventre, a sua bandeira, menos o Evangelho – diga-se de passagem, eles não sabem o que é. Cada um busca o seu próprio interesse e não o que é de Cristo – Fp 2.21.

No louvor a questão está cada dia pior. Muitos “ministros de louvor” ou “levitas” como gostam de serem chamados, são ministros de coisa nenhuma. São, na maioria dos casos, marionetes programadas, imitadores do grupo da moda. Pessoas sem compromisso algum com o Reino de Deus, pois o compromisso é com eles mesmos. O compromisso é apenas tocar, se apresentar, aparecer e receber ovações dos crentes ocos. Santidade, presença de Deus na alma, piedade e submissão, são conceitos desconhecidos por eles. Desconhecem completamente a Palavra, não passam de pavões “não misteriosos”.

Os grupos continuam reinando. Eu sou de Paulo, eu sou de Apolo, eu sou de Cristo etc. Nas igrejas hodiernas apenas os nomes são mudados, mas a carnalidade continua a mesma.

É reino contra reino. Muitos vivem brigando por cargos eclesiásticos. É aquele “irmão” que deseja, como uma sanguessuga da alma alheia, que o outro caia ou peque, e se isso não acontecer, fala-se mal daquele irmão para enfraquecer seu ministério. Ou então, é aquela “irmã” que tem ciúmes da outra e faz de tudo para derrubá-la e tomar seu cargo na igreja. São pessoas que amam ser destaque, está sob holofotes, amam os primeiros lugares nas sinagogas modernas.

No âmbito denominacional não é diferente da maioria das igrejas que as compõe. O que se vê também são líderes devorando-se uns aos outros. Cada um querendo tomar o lugar de destaque do colega. Dificilmente uns se alegram co o sucesso do outro. Se Deus abençoa a alguém, logo muitos se perguntam: por que não eu? Grande parte são lobos querendo posições de destaque. Fazem loucuras para serem chamados de “doutores e escribas”. Aqueles que atingem um elevado “pedestal” fazem de tudo para se manterem.

Do outro lado estão aqueles que não tiveram sua chance de aparecer, daí só lhes restam criticar o “status quo”. A política, nesse ambiente, é travestida de “vontade de Deus”. Os partidos políticos são os mesmo, as brigas são as mesmas, e a carnalidade igual. Quase toda denominação tem isso, e se você caro leitor tiver um pouco de bom senso, concordará comigo. Nada diferente da politicagem secular. Estes, pelo menos, o fazem sem a áurea de “homens de Deus” e sem a desculpa de que foi a “vontade de Deus” – ou será da panelinha pastoral?

Todo organismo vivo está sujeito a sucumbir, adoecer e morrer. Da mesma forma que ele fica saudável, ele também pode adoecer. Existem fatores internos e externos que contribuem tanto para a saúde, como para a enfermidade. Muitas igrejas estão doentes. Muitos ministérios estão inchados, como um câncer que vai roendo de dentro pra fora.

Um terrível câncer está acabando com a igreja-intituição. Sim, porque a verdadeira Igreja de Cristo, como organismo, nunca morrerá. Mas a igreja-instituição-denominação está na UTI faz tempo. Desculpe-me, não quero participar dessa loucura, desse circo. Amo a Jesus acima de tudo isso.

Aliás, o que o Evangelho diz disso tudo? “Quem quiser ser o maior, seja aquele que serve”. João Batista já dizia: “Importa que Ele cresça e que eu diminua” – João 3.30. Nada mais longe do que pensam a maioria dos crentes de hoje. No Reino de Deus o “maior” é sempre aquele que serve aos outros. Lc 9.46-48; Mt 18.1-3; Mc 9.33-37.

“Considerai os outros superiores a si mesmo”. Fp. 2.3

Qual a cura? Existe?

Eu creio que existe sim, ainda. A cura das doenças para todos os tipos de enfermidade da instituição eclesiástica, em todos os níveis hierárquicos, chama-se Evangelho, puro e simples. O “soro antiofídico” é o Evangelho de Jesus, e não há outro. E a síntese do Evangelho é o amor. O que passa disso é apenas paliativo para disfarçar as doenças da alma adoecida do cristianismo moderno.

Pode-se trocar o pastor, aumentar o templo, arregimentar pessoas, fazer a “máquina” gerar mais recursos, “climatizar” o local – embora os corações já estejam congelados – enfim, pode-se fazer isso tudo e muito mais, se não tiver amor de verdade, apenas estaremos inchando dos fariseus de plantão. Já passou o tempo da igreja parar de competir entre si. Já passou o tempo de querer ser melhor do que os outros. Já passou o tempo de se idolatrar quatro paredes. Ame e faça o que quiser, já disse Agostinho.

Quem ama se respeita;
Quem ama não se devora;
Quem ama perdoa;
Quem ama se entrega;
Quem ama é humilde;
Quem ama não se pavoneia;
Quem ama vive o Evangelho.

Mas os doentes, como viciados, não se veem doentes. Daí, nunca procurarão a cura. Como já observou Jesus antigamente: “Se fôsseis cegos, não teríeis pecado algum, mas porque agora dizeis: Nós vemos, subsiste o vosso pecado”. João 9.41

O Evangelho de Jesus é muito mais que isso. O Mestre me ensina coisas mais excelentes. Servir a Deus não é devorarem-se uns com os outros pelo “osso” denominacional. Não é engalfiarem-se uns aos outros. Ao invés disso, a Palavra nos exorta: “Seja a vossa equidade notória a todos os homens. Perto está o SENHOR”. Fp 4.5

As palavras de Jesus em Mateus 20.25-28 são pertinentes: “Então Jesus, chamando-os para junto de si, disse: bem sabeis que pelos príncipes dos gentios são estes dominados, e que os grandes exercem autoridade sobre eles. Não será assim entre vós; mas todo aquele que quiser entre vós fazer-se grande seja vosso serviçal; e, qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo; bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos”.

A meu ver, grande parte dos cristãos hodiernos, são pessoas doentes da alma, nuvens sem água. São relacionalidades doentias o que mais e vê, tudo isso em nome de Deus. Almas apodrecidas pela hipocrisia eclesiástica. O que mais as igrejas precisam são de servos que sirvam e não que sejam servidos. São de pessoas comprometidas com o Reino de Deus e não com seus interesses próprios.

A minha única palavra para essas pessoas é esta: arrependa-se! Pessoas doentes da alma ficam muradas, adoecidas com uma palavra que as confrontem. A mente começa logo a preparar um ataque para poder autojustificar-se. No entanto, pessoas que desejam mudança como ovelhas de verdade, ajoelham-se e dizem como o publicano: “Ó Deus, tem misericórdia de mim pecador”.

O que você é, publicano ou fariseu?

SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER

* O Pr. Antônio Pereira da Costa Júnior nasceu em Esperança – PB. Faz parte do quadro de ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil. Palestrante e pesquisador na área de Apologética em geral. Técnico Agrícola pela UEPB e Bacharel em teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional).Fez um curso de Apologética pelo ICP (Instituto Cristão de Pesquisas). Especialista em Teologia e História pelo SPN (Seminário Presbiteriano do Norte – Recife – PE). Técnólogo em Gestão Pública pela Faculdade Metodista de São Paulo.

***
Texto é contundente e chocante em veracidade. Divulgado via Facebook pelo amigo e irmão Josival Araújo. Compartilhado pelo Arte de Chocar.

NÓIS NAS REDES! E AÍ, O QUE ACHOU? COMENTE!2


02
jul

“Amor estranho amor” era só arte, tá ouvindo Xuxa?!

por: Fonte Uol


Xuxa deveria se orgulhar do que tenta proibir

Pelo menos em relação ao filme “Amor Estranho Amor” (1982), que acabei de rever agora, a apresentadora Xuxa deveria, em vez de vãs tentativas de proibição das imagens na Justiça, ter orgulho da fita. Muito orgulho mesmo.

É um belo filme. Capaz de ter deixado o Sigmund Freud, o doutor que ensinou o mundo a explicar o inexplicável do sexo, muito satisfeito.

Um filmaço que faz parte da grande obra de um dos melhores e mais importantes diretores de cinema do país: Walter Hugo Khouri.

Um cara tão bom que era chamado, na buena onda dos amigos, de o Antonioni da Mooca. Lembrar Antonioni, o italiano que figura entre os maiores do mundo, já diz tudo da competência do cineasta paulista.

Na minha lista, o diretor de “Noite Vazia” e “Amor Estranho Amor”é um gênio. Fez com o inconsciente e os desvios do caráter da burguesia o que Glauber Rocha realizou com os sertões e um Brasil em transe. Mesmo nível.

Ninguém melhor do que WHK soube filmar as mulheres. Nelville de Almeida (com o universo de Nelson Rodrigues )é o que mais se aproxima.

A cena polêmica de Tâmara, o personagem fictício de Xuxa –é arte, não é pedofilia, hello, minha gente- é uma das mais cenas antológicas do cinema nacional. Xuxa atua com esmero. O menino Hugo, personagem de Marcelo Ribeiro, idem.

Vê qualquer atentado à moral ou pedofilia no filme é repetir as imbecilidades da inquisição que castigou no passado “Lolita”, o livro de Nabokov que expõe o drama de H.H., um professor de meia idade, com uma menina adolescente.

Xuxa, talvez a sua atuação nesta fita seja a sua maior herança artística. O seu melhor momento. Ali você superou inclusive o preconceito que havia com modelos que atuavam na tevê e no cinema.

É motivo de orgulho, razão para liberar geral e ainda participar, com destemor de um eventual relançamento. Definitivamente não é esta obra que queima o seu filme.

(Por Xicosa, direto da Folha Uol de São Paulo)

***

Nota do blogueiro: Eita que arrependimento hein Xuxa. É nisso que dá. Como diria o famoso personagem Joseph Climber: “a vida é uma caixinha de surpresas”. Após a derrota para a Google no judiciário sobre a retirada de suas imagens pré-fama nacional, Maria da Graça Meneghel agora tem que aguentar comentários como este do Xicosa e fazer campanha contra a pedofilia explicando que as cenas freudianas feitas em 1982 foram pura arte!

NÓIS NAS REDES! E AÍ, O QUE ACHOU? COMENTE!0


1 2 3 4 5 6