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A Guerra pelas Palavras
por: Rodrigo Ribeiro
As palavras são essenciais na comunicação. Nem todos tem aflorado o dom da mímica, de modo que se fossemos depender da linguagem não-verbal, muitos seriam encerrados no cativeiro da ignorância e grandes ideias iriam se perder em meio a gestos não compreendidos. Mas o perigo da dissonância entre a mensagem falada e a recebida também afeta o mundo das palavras, e o problema muitas vezes começa no conceito delas próprias.
Na teologia isto também acontece e não é de hoje. Na época em que eclodiu a reforma protestante, houve uma questão inevitável: qual era a igreja verdadeira? A igreja católica ou as novas igrejas protestantes? Para responder esta pergunta ambos os grupos se valeram das mesmas palavras, fazendo referência aos antigos credos, indicando que teriam as marcas da verdadeira igreja: unidade, universalidade, apostolicidade e disciplina.
Ocorre que enquanto a Igreja Romana afirmava que era universal porque estava, como instituição, em expansão por todo o mundo, e era apostólica porque o papa era o sucessor direto de Pedro, a igreja reformada, afirmava que sua universalidade consistia no fato de que a igreja não se vincula a nenhuma nação ou povo, mas era composta pelos eleitos, de todos os povos, lugares e épocas, e que era apostólica porque tinha como fundamento a doutrina dos apóstolos.
Apesar da confusão semântica os reformadores entenderam a importância destas palavras e não abdicaram de usá-las, lutando para que ficasse revelado o seu correto significado. No entanto esta não é a postura de muitos em nossos dias, pois assim como em vários outros períodos na história da igreja, ensinamentos errados e heréticos tem invadido nossos templos e tem levado ao cativeiro palavras preciosas, mas a nossa postura tem sido diferente dos homens do passado. Temos perdido a partida por W.O. Consentimos com o rapto e assim nos tornamos cúmplices deste delito!
A doutrina da prosperidade se difunde no evangelicalismo brasileiro, e nós simplesmente, a fim de evitar qualquer associação com estes pensamentos, largamos mão desta palavra bíblica, fugindo dela ao máximo, entregando-a de mãos beijadas aos salteadores, esquecendo que ela faz parte da revelação de Deus nas suas escrituras, e por isso não podemos abandoná-la. A verdadeira prosperidade, que é a satisfação em Deus (Salmo 16:11), a alegria com contentamento (1 Tm .6-8), não pode desaparecer de nossos púlpitos. Devemos resgatá-la e proclamá-la sem medo, purificando o conceito e afastando de todo o materialismo mundano. Imagina o desastre que seria se em decorrência da extorsão provocada por homens impiedosos, excluíssemos do nosso meio o dízimo e as ofertas? O pecado de terceiros não nos dá permissão para omitir as verdades da palavra de Deus.
A mesma situação ocorre com palavras como vitória e promessas, que já tão desgastadas e violadas pelo discurso triunfalista barato, de um evangelho antropocêntrico, que visualiza Deus como um grande e poderoso amuleto para obter as benesses materiais e emocionais desejadas. Mas estes desvios não nos autorizam a expulsar de nossos arraiais estas palavras! O cristão é vitorioso em Cristo (1 Co 5:17), aliás é mais do que vencedor (Romanos 8:37), e a sua vitória é maior e melhor que qualquer situação existencial: nossa vitória é escatológica, no final de tudo, venceremos com Cristo ! Esta verdade não pode ser guardada ou evitada, assim como não podemos negligenciar as maravilhosas promessas de Deus que nada tem a ver com profetadas humanas, mas que são verdadeiros mananciais bíblicos de esperança e paz, como por exemplo a maravilhosa promessa que ele estaria conosco até a consumação dos séculos (Mateus 28:20), que todas as coisas cooperam para o nosso bem (Rm 8:28) e que se confessarmos o nosso pecado ele irá nos perdoar (1 João 1:9). Aqueles que desejam promessas menores que esta, feitas apenas por homens, que fiquem com elas, mas não privemos o povo de Deus de ouvir as promessas genuínas e inigualáveis da parte de Deus!
Existem outros casos que podem ser citados, como a equivocada aversão dos recém-convertidos ao calvinismo com a palavra escolha, não percebendo que esta doutrina não anula a decisão do homem, mas afirma que esta sempre será na direção oposta a Deus, se o Espírito não o vivificar. Esta é uma postura que é compreensível quando se trata de neófitos, mas é completamente descabida àqueles que já trilham há muito tempo no percurso das doutrinas da graça. Eis mais um exemplo de palavras que devem ser retirados do exílio.
Enfim, que possamos olhar para o exemplo dos reformadores e de tantos outros cristãos comprometidos com a ortodoxia ao longo da história, que combaterem as heresias, mas que não abandonaram as palavras que o próprio Deus usou, as deixando na boca dos lobos vorazes e dos tolos teológicos. As palavras são importantes, pois é a través dela que o evangelho é proclamado. Resgatemo-nos para Deus, restaurando seu significado real e glorificando nosso Pai sem perder a guerra que começa no dicionário e termina na vida espiritual.
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Rodrigo Ribeiro é lá da capital da Borborema, Campina Grande-PB; integrante do Blog da UMP da Quarta, Bacharel em Direito e amigão nosso.
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Existe incompatibilidade entre o Calvinismo e a evangelização?
por: Renato Vargens
Volta e meia eu ouço alguém dizendo que calvinistas não evangelizam simplesmente pelo fato de acreditarem na doutrina da eleição.
Pois é, ao fazerem este tipo de afirmação, muitos demonstram não entenderem as doutrinas do calvinismo.
Sem a menor sombra de dúvidas acredito que que não exista nenhuma incompatibilidade entre o Calvinismo e a Evangelização. Ora, o fato de eu saber que o Senhor soberanamente elegeu alguns dentre outros, não me impede de evangelizar. Muito pelo contrário. Deus através de um ato soberano decidiu que através da evangelização os eleitos responderiam a sua voz. Quando evangelizo torno-me um instrumento de Deus para a Salvação daqueles que Deus determinou, como também instrumento para o endurecimento do coração do réprobo.
Ressalto também que o Eterno não elegeu somente as pessoas que seriam salvas; mas determinou também a forma com que essas pessoas encontrariam a salvação, isto é, mediante a pregação do Evangelho. Charles Spurgeon certa feita afirmou que os cristãos são constrangidos a pregar o Evangelho, até porque esta é uma ordem imperativa do Senhor. O Principe dos Pregadores entendia que a responsabilidade de salvar o perdido não estava nas mãos dos homens e sim de Deus, e que cabe ao pregador única e exclusivamente anunciar o Evangelho. Spurgeon também dizia que mesmo que nenhuma alma se converta através da exposição do Evangelho; ainda sim Deus é glorificado. Para ele, o grande propósito do Evangelho é a glória de Deus, visto que Deus é glorificado mesmo naqueles que rejeitam o evangelho.
Caro leitor, a onisciência é um atributo exclusivo do Senhor. Somente Ele sabe os nomes dos salvos. O Todo Poderoso tem controle sobre todas as coisas. Ele é o Alfa o Ômega, o Principo, o Fim, o que era, que é e que há de vir! Agora, quanto a mim e a você resta-nos obedecer as suas ordens e pregar o Evangelho da Salvação Eterna.
“Jesus, aproximando-se, disse-lhes: Foi-me dado todo o poder no céu e na terra. Ide, pois, e fazei discípulos de todas as nações, batizando-as em o nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; instruindo-as a observar todas as coisas que vos tenho mandado. Eis que eu estou convosco todos os dias até o fim do mundo. ” ( Mateus 28:18-20)
Soli Deo gloria!
Renato Vargens
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Direto do Blog do Rento.
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Carta aos Gálatas, fuzilando a religiosidade dos dias de hoje
por: Antognoni Misael
Passaram-se 495 anos da Reforma Protestante e ainda hoje tem gente vendendo indulgências; mais de 2000 anos depois de Cristo ter vindo cumprir a Lei, e ainda tem gente retornando aos ritos da Velha Aliança. Diante deste viés, a carta de Paulo aos Gálatas representa um verdadeiro fuzilamento ante as práticas insuficientes da religiosidade difundida e propagada nestes tempos.
Infelizmente ainda hoje há quem queira pagar um preço já pago, quem queira comprar uma benção já dada, ou negociar um escambo espiritual sem nexo algum. O que falo não especifica denominação A ou B, mas acusa uma sub-cultura ainda enraizada na mentalidade de muitos cristãos.
Lamentavelmente há quem anda reconstruindo o que Jesus derrubou, há quem corra atrás de novos sacerdotes para ouvir a Deus, há quem confeccione seus novos ídolos (tão modernos e sutis) e há que desconsidere a liberdade conquistada por Cristo na Cruz. Lamentavelmente há quem acredite em algo tão distorcido chamado “religião evangélica”.
A Carta aos Gálatas está em nossas mãos, em nossas Bíblias, e lá há um “segredo” que muitos ainda não leram: “Ainda que um anjo vindo do céu nos pregasse o que fosse além do que se havia ensinado, deveríamos considerar maldição”. (Gl 1.8) Incrível não é?
Incrível também é quando nós, imitando as orientações que Paulo deu aos galácios, somos atacados por agitadores (semelhantes aqueles da mesma época) que pregam atualmente um evangelho totalmente inverso aquele que Cristo Jesus ensinou.
Naquele contexto, os destinatários de Paulo eram gentios e incircuncisos que insistiam para que os Gálatas não só aceitassem a Cristo, mas que aceitassem a circuncisão. (Gl 2.3-5; 5.2,6,11).
Era como se tais agitadores afirmassem que viver o Evangelho não era tão simples assim. Era necessário, entretanto, que aqueles gentios novos convertidos se voltassem para os ritos da Lei e especificamente da circuncisão e através daquele sacrifício consolidassem a aliança com Deus.
A carta aos Gálatas visou descomplicar tudo neste sentido, assim como nos revelar um Deus descomplicado e que apenas nos aceita e nos quer livres, sem julgo, sem sacrifícios. Um Deus que não vive para nós, mas vive em nós.
Não tenho dúvidas de que esta carta representa uma porção que fala e grita em direção aos religiosos de hoje.
Gente, leiamos,meditemos e nos libertemos.
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Mais amor, menos religião
por: Pavablog
Com certeza você já conheceu aquele tipo de pessoa que adora discutir religião, frequentemente cita passagens bíblicas e versículos diante de uma situação e, sempre que encontra uma brecha, reforça aquilo que tanto defende (com palavras, objetos e até mesmo atitudes).
O tipo de pessoa que “espiritualiza” tudo e todos. São rígidas na forma com que o cristão deve se portar e, quando surge um contra argumento às suas palavras, são rápidas para desconfiar e criticar. É comum nos depararmos com aquele que se assenta na cadeira de juiz para falar de idolatria, mas, diariamente, vive idolatrando seus líderes, pastores, cantores, ministérios e a si mesmo (meus projetos, meus sonhos, minhas decisões… acima de qualquer coisa); Jesus já não é o centro na vida de muitos que o dizem.
Talvez conheçamos alguém com algumas dessas características (ou, talvez pior, nós tenhamos algumas delas). Infelizmente, a maioria dessas pessoas se dizem livres, porém, são completamente controladoras de si mesmas e vivem se escondendo por trás de uma “capa de super- herói”; dúvidas, inseguranças e crises que virão à tona e as surpreenderão, já que é algo normal na vida de qualquer ser humano.
Pessoas que dizem ter uma vida totalmente entregue a Deus, porém, vivem por controlar e ditar a vida dos outros. Lamentavelmente, alguns utilizam a religião para encobrir conflitos, ao em vez de usá-los para se ligar mais a Deus. Usam os padrões religiosos para se sentirem melhores e eles acabam se tornando um vício garantindo-lhes um falso poder, uma falsa paz e uma falsa sensação de estabilidade espiritual.
Quando Jesus advertiu a forma com que os escribas e fariseus se comportavam, usando sua religiosidade para parecerem mais íntegros, Ele não poderia ser mais claro. Para Ele a sinceridade, baseada em relacionamento e comunhão, era muito mais importante do que aquela baseada em dogmas. Ele falava de sinceridade e compromisso e não de utilitarismo. Não estamos mais debaixo do insuportável peso da Lei; esse fardo não nos pertence; não precisamos agir como se o carregássemos.
E isso nos leva à seguinte pergunta: “onde está o verdadeiro amor? Amor pelo próximo, pelo evangelho genuíno, pela comunhão, pelo respeito, pela obra na qual estamos inseridos? Por que perdemos tempo com tanta bobagem e nos desviamos dele?”. …Alguns insistem em deixá-lo pregado na cruz..Precisamos voltar àquilo que o Mestre veio nos ensinar, princípios que, por vezes, deixamos de lado para aceitarmos o farisaísmo (se é que podemos dizer assim) em nossas vidas. ….A íntima comunhão, a sinceridade e o amor a Deus precisam prevalecer em nós. “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.” [1Co 13.13]
Forte abraço.
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Por Lara Souza Freitas, no Juve Metodista, via Pavablog.
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“deus” não é palavra mágica
por: Antognoni Misael
Nunca vi um nome tão em moda como a palavra “deus”. Ela está em tudo quanto é lugar. Está nos filmes recém lançados, nas bancas de revistas, nos Best Seeler, nas frases de caminhão, nos escritos da parede do banheiro das universidades, no caderno do estudante adolescente, nos adesivos de carro, nas camisetas, nas canções, no comercial de TV, no facebook, no twitter, na palavra insana do atendente comerciário, no susto, no complemento de um “Bom dia”, num aperto de mão, numa murmuração, no jogo de futebol, na novela, no discurso político, na blasfêmia, na oração…
O que significa essa tal palavra “deus”? Quantos deuses existem pra se adequar ao demente e feroz impulso da linguagem?
Ainda bem que Deus não é um ser programado que funciona quando se aciona uma senha ou uma palavra chave.
Ainda bem que só estamos falando de uma simples banalização fonética ou gramatical. De um vício de linguagem desastroso, por vezes inconsciente.
Parece que quanto mais se fala, menos se conhece. Quanto mais se canta, menos se encanta.
O mundo das linguagens é importante para comunicação, mas não pode se tornar mundo supridor dos carentes de Deus.
Na igreja, estamos muito condicionados aos clichês, chavões, ameaças santas, e ao exagerado uso da palavra “deus”.
Dizemos constantemente expressões como “Deus me livre”, ou “Deus o tenha”, ou até falamos ao visitante, “Deus quer que você dê uma chance pra Ele”. Esse uso da palavra é consciente? De fato se menciona ao Deus verdadeiro? Ou não passa de um mero vício de linguagem superficial?
Concluo dizendo que nem sempre o uso da palavra deus significa veracidade espiritual. Precisamos parar com a herança esotérica da palavrinha mágica e aprender a conhecê-Lo não só de palavras,mas de essência e completude.
Conhecer a Deus é um desafio constante pra vida de todos nós, é uma condição real de conhecermos a nós mesmo.
“Quanto mais a gente chega perto de Deus, a gente se conhece mais. Quanto mais a gente chega perto de Deus, a gente se resolve, se conhece mais” (Catedral)
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Arte de Chocar
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Quando Acordou, O Paletó Ainda Estava Lá
por: Jofre Garcia
O cerimonialismo farisaico de nossa religiosidade protestante (evangélica) é paradoxal, confuso e em muitos aspectos incoerente. Digo isto por ser evangélico protestante, não sou desigrejado e tenho pavor e desconfiança de quem não consegue relacionar-se em comunidade e passa a atirar as pedras que lhe cabem.
Dediquei grande parte de minha juventude, ou pelo menos os anos de maior fervor energético, no cuidado com minha família e ajudando a Igreja em que me “igrejava”. Foi o calor de servir numa comunidade com erros e acertos, mas, cheia de companheirismo e amizade, surgida pelo tecer da Palavra que aprendi a pensar o Evangelho não como uma utopia platônica, um ideal de Igreja a ser alcançado, mas, de viver o pé no chão do Evangelho, com suor, lágrimas, sangue, sorrisos, abraços e muitas despedidas.
Tive muita sorte (leia-se propósito de Deus) de conhecer muita gente boa trilhando o Caminho da Graça com graça. E pude discorrer sobre filosofia e teologia com as pessoas mais improváveis neste universo protestante repleto de rótulos pedantes e academicismos sem fim. Muitos dos “teólogos” que me socorreram não tinham diplomas na parede para ostentar. Sentavam comigo, às vezes na EBD, e durante a semana vendiam cachorro quente em carrocinhas; outros eram sacoleiros, prestamistas e alguns traziam a rudeza da lida expostas nas mãos, mas transbordava ternura no coração.
Não estou fazendo uma defesa ao lugar comum, a ignorância simplista temerosa do conhecimento. Isto é um absurdo! Uma vez que o povo peca por falta de conhecimento, e o intelectual, por não considerar nem conhecer o poder de Deus.
Precisamos estudar academicamente, cientificamente, metodologicamente, com tremor e temor a Palavra de Deus para poder servir ao nosso Deus espalhando esse conhecimento em nossas comunidades. As nossas instituições, que são dedicadas a tal missão não podem ceder a tentação de transformar o conhecimento numa arma para a criação de classes especiais de modernos sacerdotes, as castas do saber.
Estou dizendo estas coisas porque não fomos capazes de repensar cerimonialismos e tradições sem significado algum para a fé cristã, mas, que nos são apresentadas como símbolos identificadores de uma fé.
Hoje pela manhã, enquanto procurava um calção deparei-me com meu velho paletó (leia-se terno completo). Faz tempo que ele está lá. Deve está perto de completar dois anos que não o uso. É bonito, deixa o homem elegante e com pinta de ser alguma coisa, principalmente quando se está diante de uma comunidade pobre e humilde.
Aborreci-me dessa indumentária tão típica em nosso meio e tão inútil ao coração da fé. Lembro-me a primeira vez que cheguei à Igreja com tal indumentária, e o espanto apreciativo de todos. Recebi muitos elogios e quase acreditei que aquele composto de tecidos sobrepostos me fizesse ser algo superior. É um grande perigo que se corre com essas tradições que caduca a fé.
Tenho feito o possível para não usá-lo. Não como uma birra infantil, mas por não me sentir confortável e ser totalmente dispensável para nossa vivência real de Cristo em nós. Ainda mais nesse calorão que faz em nossa terra.
Pago o preço desta minha escolha. Tudo na vida tem uma conseqüência. Noto em muitos irmãos uma desconfiança felina além do olhar frustrante de saber que o pregador vai ocupar o púlpito de mangas curtas. No trajeto que faço a pé até a Igreja aos domingos, percebo o desprezo de alguns ao encontrar e saudar um presbítero tão deselegante. Isso porque não citei os que com uma superlativa superioridade do alto de suas vestes, fitam-me de cima abaixo como se eu fosse uma afronta aos “padrões” da fé.
Fazer o que?
Dia deste sobrou até para o Tony (Arte de Chocar). Vieram denunciá-lo a mim, pois ele estava no Culto, louvando de boné, e isso era um absurdo.
Ah! Teve quem viesse “entregar” alguns jovens que estavam participando da EBD de bermudão…
Ora, tem coisa mais gostosa que chinelo de dedo, um velho calção, camisa leve de malha e a liberdade de um Deus que se aninha em meu peito e me convida a adorar em espírito e em verdade.
Mas o contrário também é verdadeiro. Há quem aprecie e goste dos trajes por elegância e etiqueta, sem, no entanto, deixar-se levar pela vaidade ou tradições de usos e costumes. Isso é legal e faz parte da convivência comunitária, até porque tem ocasiões que somos que obrigados as sociais.
E o paletó, quando acordei, continuou lá…

Veio uma de parodiar Vinícius…
Um velho calção de banho
O dia pra adorar
O Deus que não tem tamanho
Sua graça inteira no ar.
O Cristo viver seguindo
E sentir o alívio no corpo
Sorver do Mestre o ensino
Como uma água de coco.
É bom…
Passar uma tarde em Jacumã
Ao sol que arde em Jacumã
Ouvir o Senhor em Jacumã
Servir a Deus em Jacumã.
Especialmente para o Tony, Silvano, Jairo e todos os jacumistas de plantão.
N’Ele, em quem andamos, respiramos e existimos.
P.S: Para o título deste artigo peguei por empréstimo o miniconto do escritor guatemalteco Augusto Monterosso, substituindo o dinossauro, é claro
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Jofe Garcia é amigo, irmão em Cristo. Edita o Auxílio do Alto e faz coluna aqui no Arte de Chocar.
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Todas as religiões são iguais
por: Leonardo GoncalvesMuitos afirmam que todas as religiões são iguais. Apesar de não ser verdade, preciso admitir que quase todas as religiões tem algo em comum: todas elas tem um código moral bastante semelhante. Coisas como: Não mate, não minta, não cobice a mulher do teu próximo, não adultere, honre os seus pais, não odeie, não seja caluniador, estão presentes em muitas religiões.
No entanto, é bastante óbvio que todos mentimos, desobedecemos, nos obstinamos, odiamos. Se somos sinceros, somos culpados de muitos dos desvios condenados nas diferentes religiões. O que as religiões do mundo tem em comum? Elas mostram o quão desvirtuados estamos, e quão distante estamos do padrão. Todas apontam para o fato de que estamos, indubitavelmente, perdidos.
Acontece que as religiões param por aí. Elas tornam manifestos os nossos desvios, mas não nos dizem como podemos mudar. Algumas, admito, propõem uma solução para o problema da maldade humana, mas geralmente são regras impossíveis de cumprir.A religião demonstra que todos estamos perdidos, e apenas isso.
A Bíblia também ensina que o homem está perdido, mas não se limita a isso. Ela nos diz que Deus entrou no mundo e assumiu nossos pecados, pagando por eles na cruz. O salvador do mundo levou nossos pecados e por meio do arrependimento e da fé podemos ter uma relação profunda com ele, que durará toda a vida. Em síntese, a religião pode até descrever o que somos, mas somente Cristo nos mostra o caminho para ser diferentes.
As religiões são iguais? Sim, em muitos aspectos. Por isso Jesus veio ao mundo. Aquilo que a religião não pode fazer por nós, Cristo fez na cruz.
Solo Christus.
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Leonardo Gonçalves, direto do Púlpito Cristão.







