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09
mai

Os Efeitos Eficientes da Cruz

por: Compartilhamento


cruzQuanto ao mais, ninguém me moleste; porque eu trago no corpo as marcas de Jesus. Gálatas 6:17

Todos os seres humanos trazem do berço o sinal de Adão, isto é, a presunção de serem como Deus. Essa rebeldia adâmica é denominada de teomania, porque reflete o desejo de independência de Deus, tentando converter a criatura como se fosse o Criador. Nossa história é assinalada pela aspiração ao trono e todos os descendentes da conspiração da serpente vivem serpenteando nas escadas em busca dos lugares altos.

A raça humana sofre da síndrome de altar. Há uma epidemia generalizada de grandeza fomentando a glória do pináculo. O alpinismo da notoriedade e a ascendência aos postos de comando são metas que estimulam uma laia governada pelos desejos mais ardentes de elevação, tecendo no jogo do poder uma teia viscosa de política sórdida, que garanta um jirau na caça ao auge da posição.

Ninguém neste mundo está imune ao veneno da cobra. A teomania é percebida até mesmo na sujidade da pirraça. O cantador de viola dizia em seus versos de pé quebrado: “Eu sou maior do que Deus. Maior do que Deus eu sou. Eu sou maior no pecar. Porque Deus nunca pecou”. Para ele era atraente ultrapassar a Deus nem que fosse à vileza.

Entretanto, Paulo se apresentou aos gálatas como alguém que carregava em seu corpo as marcas de Jesus. Para ele havia algo mais significativo do que a estimativa do pódio. Ele podia até subir numa plataforma, desde que a glória fosse conferida apenas ao Senhor. Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém! Romanos 11:36.

As evidências da cruz veem assinaladas pelo esvaziamento do ego. Uma pessoa que foi salva de verdade por Jesus, significa que ela foi salva de si mesma. Aquele que se estima não tem a menor estimativa do que é a salvação, uma vez que ela liberta a pessoa de si mesma. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.2 Coríntios 5:15.

A morte solidária de Cristo com o pecador tem como finalidade principal alforriar o escravo de si mesmo, a fim de levá-lo a viver para Deus. O pecado nos fez sujeitos a um déspota insuportável, o nosso próprio egoísmo. Ninguém é mais insatisfeito do que o ególatra, e ninguém pode ser mais contente do aquele que foi emancipado de si mesmo através do sacrifício de Cristo. Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si. Romanos 14:7.

Cristo nos levou a morrer juntamente com ele para que nós possamos nos renunciar a nós mesmos. Sem o desapego de nosso egotismo não haverá verdadeira vida espiritual. O ego está contaminado de teomania arrogante e não consegue se desapreciar, vivendo sempre em busca de aplausos e reconhecimento. Somos uma raça inchada e iludida com a obesidade de nossa presunção.

A renúncia de nós mesmos é sempre um resultado da consciência de nossa real imprestabilidade pecaminosa. Enquanto acharmos que somos importantes e dignos de aprovação nós teremos muita dificuldade de nos desestimar, por isso mesmo a abdicação de nossa nobreza é um milagre da morte com Cristo.

A mentalidade atual da psicologia promove acima de tudo a nossa auto-estima como a base do bem-estar emocional. Mas Jesus sustenta a necessidade fundamental da abnegação como o alicerce do seu discipulado. Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23. Não há cristianismo autêntico sem estes quatro princípios essenciais.

Primeiro, a liberdade corajosa. Se alguém quer vir após mim. Ainda que ninguém venha a Cristo porque queira, ninguém poderá vir a ele se não o quiser. A vontade humana corrompida pelo pecado não quer a Cristo, mas o Espírito Santo mediante a loucura da pregação da Palavra convence o rebelde a querer aquele que ele não queria. Ninguém crê porque quer crer, além do mais ninguém é obrigado a crer. Mas quem crê, só crê porque foi persuadido voluntariamente a crer com o milagre da fé.

Segundo, a autonegação. A si mesmo se negue. Não há fé cristã sem a demissão de nós mesmos. A sala do trono não pode ser ocupada por dois regentes. Se Cristo é o rei, então o ego tem que se afastar. Não se trata de mera resignação, mas de abdicação do mando. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor. Romanos 14:8.

Terceiro, a atualização da morte. Dia a dia tome a sua cruz. A experiência cristã começa com a pena de morte do pecador juntamente com Cristo e continua com a sua reedição diariamente. A cruz não é um simples instrumento de tortura, mas uma sentença de extermínio que precisa de regularidade. O tempo de validade da cruz é agora, por isso é imperiosa a sua reciclagem a cada instante, trazendo sempre por toda parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos. 2 Coríntios 4:10.

Quarto, a caminhada persistente. E siga-me. Jesus não está convidando alguém para um passeio no Parque nem para uma exibição numa passarela. Ele ordena ao discípulo a segui-lo. No cristianismo, ninguém recebe um mapa de viagem e uma bússola para a orientação, deixando que cada um faça o seu próprio trajeto. A viagem do cristão obedece ao roteiro do guia. E Jesus é o único Guia. Siga-me tem implicações com a atualização da morte, com a autonegação e com a liberdade corajosa que define o perfil daquele que verdadeiramente recebeu a Cristo como Senhor da sua história.

Os efeitos eficientes da cruz definem uma marcha sem mochila e sem murmuração. O discípulo do Cordeiro não tem permissão de abrir a sua boca para reclamar das condições da viagem, muito menos para propalar os seus direitos, uma vez que Jesus nunca prometeu boa vida na estrada, nem fez propaganda enganosa para alguém levá-lo ao Procom Celestial. Talvez por isso Teresa de Ávila tenha suspeitado: “Senhor, se é assim que tratas os teus amigos, não é de admirar que tu tenhas tão poucos”.

As marcas de Jesus que o apóstolo Paulo se refere são as marcas de uma vida estigmatizada pelas sequelas da cruz. Nenhum peregrino da via crúcis tem licença de se defender ou autorização para se promover. A passeata dos discípulos do Cordeiro é silenciosa diante da plateia humana e exultante perante o trono da graça. Eles se calam ante seus feitos pessoais, enquanto cantam exultantes ao Cordeiro que já apagou todos os seus defeitos com o sangue imaculado.

Os santos não reivindicam tributos, tampouco fazem crítica ao tratamento que o Pai determinou para sua jornada. Eles têm uma ótica bem diferente do estrabismo que caracteriza os descendentes de Adão. Veja como o velho viageiro enxergava o horizonte: Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós. Romanos 8:18.

Enquanto estivermos andando nesse caminho não há promessa de vida fácil. Jesus não garantiu sucesso no percurso, pelo contrario, ele foi enfático com as lutas, todavia apelou para que seus discípulos fossem bem humorados. Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós. Mateus 5:11-12.

A estrada é complicada, mas o hotel é uma constelação de estrelas quando chegar ao fim da viagem. A recompensa no evangelho é um assunto para o fim. No reino de Deus ninguém recebe propina para promover os projetos. O prêmio é sempre no final. Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida. Apocalipse 2:10.

Se os efeitos da cruz removem de nós os direitos pessoais, eles também retiram de nós a tendência de nos comparar com os outros. Quando Jesus revelou a Pedro que teria uma morte atroz para glorificá-lo, ele apontou para João querendo saber o que ocorreria ao discípulo amado. Respondeu-lhe Jesus: Se eu quero que ele permaneça até que eu venha, que te importa? Quanto a ti, segue-me. João 21:22.

Ainda que todos sejam escolhidos e aceitos pela graça, isso não significa uma uniformização nos ministérios. A soberania divina tem o direito de escolher um vaso para honra e outro para a desonra e não há isonomia nas suas decisões. Ora, numa grande casa não há somente utensílios de ouro e de prata; há também de madeira e de barro. Alguns, para honra; outros, porém, para desonra. 2 Timóteo 2:20.

A escolha de Deus é soberana e ninguém tem autoridade para controverter os seus propósitos. Por outro lado ninguém pode desfazer aquilo que Deus faz em nossas vidas. Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim? Romanos 9:20.

Quando o Pai escolhe um vaso para um lugar de destaque, ninguém tem o direito de discutir essa decisão. E quando ele convoca alguém para uma missão penosa, ninguém precisa ter pena desse missionário. A única alternativa que o verdadeiro discípulo tem é a que Jesus disse a Pedro: Quanto a ti, segue-me.

Na casa de Abba não há lugar para competições pessoais ou confrontos particulares. Os seus filhos têm as marcas do seu Filho Jesus, por isso mesmo o julgamento na família se pauta pela vontade soberana do Pai. Quem és tu que julgas o servo alheio? Para o seu próprio senhor está em pé ou cai; mas estará em pé, porque o Senhor é poderoso para o suster. Romanos 14:4.

Quero arrematar esse ponto com as palavras de Paulo quando iniciamos a meditação: Quanto ao mais, ninguém me moleste; porque eu trago no corpo as marcas de Jesus. As principais características do caráter de Jesus são vistas nesta sua afirmação: Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Mateus 11:29.

A única canga em que nós estivemos juntos com Jesus foi lá na cruz. Naquela ocasião ele morreu a nossa morte e na sua ressurreição nós ganhamos a sua vida a fim de podermos andar em mansidão e humildade de coração. A mansidão fala do nosso desapego com relação às posses, enquanto a humildade aponta para a desestima de nós mesmos em razão de sermos apenas pó. Se ainda temos apego a esses dois vetores, precisamos de mais luz para a revelação dos efeitos eficientes da cruz em nossas vidas.

Glênio.

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O texto é de Glenio Fonseca Paranaguá, dica do amigo João Bosco. Fonte:  Vale Estreito.

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02
mar

Dizer no que você crê é mais claro que dizer “calvinista”

por: Compartilhamento


CalvinoNós somos cristãos. Seres radicais, de sangue puro, saturados de Bíblia, exaltadores de Cristo e centrados em Deus. Nós avançamos com missões, ganhamos almas, amamos a igreja, buscamos a santidade e saboreamos a soberania. Somos completamente embriagados pela graça, quebrantados de coração e felizes seguidores do Cristo onipotente crucificado. Pelo menos esse é o nosso compromisso imperfeito.

Em outras palavras, somos calvinistas, mas esse rótulo não é nem um pouco útil para dizer às pessoas no que você realmente acredita! Então esqueça o rótulo, se isso ajudar, e diga a elas claramente, sem evasivas e sem ambiguidade, o que você acredita a respeito da salvação.

Se eles disserem “Você é um calvinista?” diga “Você decide. É nisso aqui que eu creio…”

Eu creio que sou tão espiritualmente corrupto e orgulhoso e rebelde que eu nunca teria vindo à fé em Jesus sem a misericordiosa e soberana vitória de Deus sobre os últimos vestígios da minha rebelião. (1 Coríntios 2:14; Efésios 3:1-4; Romanos 8:7)

Eu creio que Deus me escolheu antes da fundação do mundo para ser seu filho, sem basear essa escolha em nada que pudesse haver em mim no presente ou no futuro. (Efésios 1:4-6; Atos 13:48; Romanos 8:29-30; Romanos 11:5-7)

Creio que Cristo morreu como um substituto dos pecadores para, de boa fé, oferecer salvação a todas as pessoas. Creio que ele teve um plano invencível em sua morte para obter sua noiva escolhida, a saber, a assembléia de todos os crentes, cujos nomes foram eternamente escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto. (João 3:16; João 10:15; Efésios 5:25; Apocalipse 13:8)

Quando eu estava morto em minhas transgressões, e cego para a beleza de Cristo, Deus me tornou vivo, abriu os olhos do meu coração, me deu a capacidade de crer e me uniu a Jesus, com todos os benefícios do perdão e da justificação e da vida eterna (Efésios 2:4-5; 2 Coríntios 4:6; Filipenses 2:29; Efésios 2:8-9; Atos 16:14; Efésios 1:7; Filipenses 3:9)

Estou eternamente seguro não por causa de qualquer coisa que eu tenha feito no passado, mas decisivamente porque Deus é fiel para completar a obra que ele começou – sustentar minha fé e me manter longe da apostasia, e me afastar do pecado que leva à morte (1 Coríntios 1:8-9; 1 Tessalonicenses 5:23-24; Filipenses 1:6; 1 Pedro 1:5; Judas 25; João 10:28-29; 1 João 5:16)

Chame do jeito que você quiser, isso é minha vida. Eu acredito nisso porque eu vejo isso na Bíblia. E porque eu experimentei isso. Louvor eterno à grandeza da glória da graça de Deus!
Traduzido por Daniel TC | iPródigo | Original aqui.

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Intercâmbio feito por Ruan Medeiros via UMP da Quarta.

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18
fev

Graça Irresistível e Depravação Total – Por John Piper

por: Antognoni Misael


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15
fev

QUANTAS ALMAS VOCÊ JÁ GANHOU PARA JESUS ?

por: Compartilhamento


fundo-branco-a-tarefa-notebook-matematica_3325951Hoje eu acordei lembrando do filme Titanic, que assisti há bastante tempo! Superprodução ganhadora de muitos Oscars, sem dúvida foi um dos mais bem produzidos filmes de Hollywood. Em dado instante, veio-me à lembrança a cena onde o capitão recebe a informação de que o navio está afundando, sem condições de se deter a tragédia. Preocupado e desorientado, ele pergunta ao imediato quantas pessoas estão a bordo. Recebe imediatamente a resposta: “Duas mil duzentas e tantas almas, senhor!”.

Hoje também é costume se contar almas. Isto não é feito nos cemitérios, nem nos navios, mas no interior das igrejas, onde a quantidade de discípulos arrebanhados é sinal de status e a prova definitiva de que Deus está operando naquele lugar, aprovando o que lá acontece. Quando há qualquer questionamento doutrinário ou comportamental, alguém logo sai em defesa de seu “ungido” e pergunta quantas almas o questionador já ganhou; caso ele já tenha ganho algumas ou muitas, vamos comparar as quantidades para ver quem tem mais poder, mais autoridade, mais credibilidade, mais unção…

Eu não me preocupo com a contabilidade de almas ganhas, porque a parábola do servo inútil parece ter sido contada pelo Senhor Jesus exatamente para ilustrar esta situação (Lc 17:7-10). Não importa quantas almas eu já ganhei ou quantas vou ainda ganhar pois almas não podem e nem devem ser computadas em estatísticas de poder ou credibilidade. Mesmo ganhas aos milhares, o objetivo de ganhar almas jamais poderá ser para o engrandecimento do pregador, e sim do Reino. Pregar o Evangelho é nossa obrigação; ganhar almas é tarefa não nossa, mas do Espírito Santo. Assim, quando eu “ganho uma alma para Jesus” nada mais fiz que simplesmente pregar o Evangelho. Coube ao Espírito Santo convencer o ouvinte e conduzi-lo a Cristo. Fui apenas um “moleque de recados”. A obra foi TOTALMENTE feita por Deus, o plano de salvação, a vinda do Salvador, Sua morte expiatória e Sua ressurreição. A mensagem do Evangelho não é minha, nem da minha igreja, nem do meu ministério. As almas, finalmente, não são ganhas para a nossa glória, mas para a glória de Deus!

Além disto, há pessoas que não as ganham, mas ajudam almas ganhas por terceiros a crescer (1 Co 3:1-9). Paulo não vê diferença entre um e outro. Outras, ganham almas e nem tomam conhecimento disto. Tenho um amigo que é exemplo disto. Ele é pastor e trabalha secularmente em ambiente hospitalar. Todos os dias ele tem acesso à UTI e prega o Evangelho os enfermos. Apresenta-lhes rapidamente a Palavra de Deus, mostra-lhes Jesus como o único que pode lhes trazer a salvação após a morte, faz um apelo para que o enfermo O aceite como único salvador e ora por ele. Às vezes ele percebe, por um movimento de lábios ou de olhos, uma tênue resposta; na maioria dos casos nenhum sinal se percebe, principalmente no caso de enfermos inconscientes. Mas ele não desiste. Prega o Evangelho a todos, conscientes ou não! Ele chama seu ministério como “o evangelismo da última hora”. Não sabe quantas almas já ganhou para Cristo. Não as congrega na igreja aonde é pastor. Não se torna um grande pastor, com uma multidão de seguidores após si. Só tomará conhecimento de quantas almas ganhou apenas no Último Dia. E o melhor: não tem do que se gloriar da quantidade de almas que já ganhou. Sabe que não passa de um servo inútil, que está fazendo não mais que a sua obrigação. As almas só lhe serão computadas para efeito de galardão!

Quantidade, no aspecto de “contabilidade de almas”, não significa nada! Não nos compete contá-las para usar seu número para nossa própria glória. Aliás, esta parece ser a grande causa do castigo divino sobre o recenseamento promovido por Davi em Israel (2 Sm 24).Que explicação melhor encontraríamos para tão grande castigo, senão o orgulho de ser rei sobre uma grande multidão?

Uma multidão não referenda um ministério. Muitos seguidores não significam a aprovação divina para o ministério ou para o obreiro! Sinais, milagres e maravilhas nada significam, uma vez que falsas religiões os praticam, e que Jesus foi categórico que muitos que fizeram tais sinais serão rejeitados no juízo (Mt 7:21-23). O uso de almas como contabilidade ministerial só revela a falta de escrúpulos do obreiro, sua tentativa forçada de ser reconhecido e respeitado pelos seus opositores e sua incompreensão ao verdadeiro sentido de ganhar almas para Deus!

Desde os tempos dos apóstolos, vemos pessoas arrastando após si multidões (At 5:35-37), sem contudo isto referendar sua pregação ou ministério. O mesmo acontece nos nossos dias. Religiões pseudocristãs, como o Espiritismo, o Mormonismo, as Testemunhas de Jeová, batem recordes de crescimento a cada ano, e nem por isso têm a aprovação divina, já que distorcem a Palavra de Deus e afastam o homem da plena comunhão com Jesus Cristo. O conselho de Gamaliel (se é de Deus, ninguém vai impedir, e o crescimento é a prova da anuência divina) não referenda estes ministérios.

E nem adianta afirmar-se que faz parte de uma religião evangélica! O objetivo da religião, como o próprio nome afirma, é religar o homem a Deus, e este religamento, à luz da fé cristã genuína, só pode ocorrer quando conduzimos o homem pecador a viver de conformidade com as Escrituras. Quando alguém, mesmo sob o signo do evangelicanismo, ganha uma multidão, mas afasta esta multidão da Palavra de Deus, não está ganhando almas para Jesus, e sim para si mesmo, para sua igreja, para sua denominação! É o caso explícito da parábola do cego guiando outro cego (Lc 6:39-40), quando ambos cairão inexorável e inevitavelmente na cova.

A parábola do guia cego nos dá pelo menos duas grandes lições: “E dizia-lhes uma parábola: Pode porventura o cego guiar o cego? Não cairão ambos na cova? O discípulo não é superior a seu mestre, mas, todo o que for perfeito será como o seu mestre“.

A primeira é que não adianta atrair ninguém para si ou supostamente para Cristo, se não temos condições de guiar os que se achegam à luz da Palavra de Deus e da sã doutrina dos apóstolos. Se Fulano ou Sicrano tem atraído multidões, mas afasta estas multidões da pura Palavra de Deus, não está ganhando ninguém para Cristo!

A segunda é que a maioria das pessoas está, no desempenhar de seus “ministérios”, querendo na verdade ser maiores ou melhores que o próprio Mestre. Este é o problema central da coisa! Queremos ser maiores e melhores! Nosso Mestre, na opinião destes obreiros fraudulentos, deixou de ensinar muitas coisas… Assim, acrescentam-se novos ensinamentos ao puro ensino que Ele deixou, e os ensinamos como se fossem ensinamentos do próprio Senhor… Revelações… Doutrinas… Práticas… Novidades e mais novidades… Tudo isto transforma o Evangelho em uma colcha de retalhos, numa caricatura que se afasta das Escrituras e serve de chacota para o mundo.

Quantas almas você já ganhou para Jesus? Espero que tenham sido muitas… Espero também que tenham sido ganhas REALMENTE para Jesus, e não para seu próprio ego, e não para engordar as suas estatísticas pessoais e ministeriais, e não para se tornar um líder mais poderoso, e não para referendar seu ministério e dar a ele e o status de ministério aprovado por Deus com certificação ISO e tudo o mais, e não para afastar estas almas ainda mais da pura Palavra de Deus…

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, pois que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós. Ai de vós, condutores cegos!…” (Mt 23:15-16)

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Texto pertinente, do Blog do EsquiZilton.

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12
dez

Dom de línguas, o topo da maturidade cristã?

por: Marcio de Souza


Você já percebeu quanto tempo a turma gasta buscando o dom de línguas? Já surgiu até treinamento via internet para que você aprenda a falar em mistério com Deus. Legal é quando a galera vai pro monte e fica aquele bando de gente em volta do novo convertido mandando ele repetir as sílabas das palavras professadas em línguas estranhas. É mais ou menos assim: Repita, ba-la-ba-la-ba-chebias, su-re-cantas-la-ba-laias. Não é brincadeira não, eu mesmo já passei por isso numa fase ultra pentecostal da minha vida.

O problema é quando você percebe que tem uma pá de crente falando em línguas e falando mal da vida dos outros também. Aí complica. Se buscamos com afinco os dons do Espírito, deveríamos também com o mesmo afinco buscar os frutos do Espírito.

Se a igreja brasileira se aplicasse tanto em buscar o amor e a justiça como busca o dom de línguas, o mundo seria outro, as desigualdades diminuiriam absurdamente e Deus se manifestaria abundantemente na vida dos que assim procedessem.

O dom de línguas, não é nem de longe o maior dos dons, Paulo disse que ele serve para própria edificação e se não houver ninguém para interpretar não serve pra nada em público. Que nossa percepção seja ampliada, que nossos desejos sejam maiores do que simplesmente falar em mistério para impressionar pessoas. Que Deus coloque em nosso coração um anseio incessante de ganhar gente pro reino e de qualificar pessoas.

E no mais, tudo na mais santa paz!

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Postado por Márcio de Souza, no Púlpito Cristão.

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07
dez

David Platt – O Que Acontece com Aqueles que Nunca Ouviram o Evangelho?

por: Voltemos ao Evangelho


O que acontece com as pessoas que nunca ouviram o evangelho? Elas serão condenadas ao inferno? Mas isso é justo? E se elas fizeram o melhor com o que tinham? E se fosse uma boa pessoa?

Neste vídeo, David Platt responde a essas perguntas com base em Romanos de 1 a 3. Esse texto da Escritura é o melhor texto a tratar desse assunto.

Verdade número um: Todas as pessoas conhecem o Deus Pai. Todas as pessoas o conhecem, todas têm conhecimento do Deus Pai. Paulo, em seus comentários introdutórios, faz a preparação nos primeiros 17 versículos, e então no versículo 18 [Rm. 1] ele começa a falar da “ira de Deus que se revela do céu contra a impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça, porquanto o que de Deus se pode conhecer”, ouça o que ele diz, “é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou.” Desde a criação do mundo, os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, claramente se veem e são percebidas por meio do que foi criado. Portanto, os homens são indesculpáveis. Ele diz isso lá no versículo 21: “porquanto, tendo conhecimento de Deus”…

Pressuposição fundamental. Deus revelou a Si mesmo a todo homem. Cada pessoa no mundo, quer seja o homem na selva africana, em um vilarejo asiático, em qualquer lugar do mundo, cada pessoa tem conhecimento do Deus Pai que é claro, suficiente, e manifesto para que o homem seja indesculpável. Verdade fundamental número um.

Verdade número dois: Todas as pessoas rejeitam o verdadeiro conhecimento de Deus. Versículo 21: “Porquanto tendo conhecimento de Deus não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos e mudaram a glória do Deus incorruptível por imagem à semelhança de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis. Por isso Deus os entregou à impureza sexual, aos desejos pecaminosos dos seus corações, para desonrarem seu corpo entre si; pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira.” E esses somos nós. “Adorando a criaturas ao invés do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém!” Eles rejeitaram o Deus Pai. E essa é a condição humana de todos nós. Nós neste lugar, as pessoas na África, Ásia, Oriente Médio, Austrália, todos nós rejeitamos o Deus Pai.

Deixe-me falar sobre essa pergunta que surgiu em um grupo de estudantes universitários, certa vez. Uma garota me perguntou: “E quanto, por exemplo, aos índios astecas? Índios astecas que não tinham a Bíblia, mas fizeram o melhor que podiam com o que eles tinham. Talvez eles tenham adorado o sol. Chamavam-no de deus sol. Mas isso foi o melhor que eles puderam com o que eles tinham. Isso não é bom o suficiente?” E eu penso que essa é uma boa pergunta. Mas a realidade é, Paulo diz muito claramente em Romanos: Certamente isso não é bom o suficiente. Essa é a essência do que todos nós fizemos. Nós tomamos a criatura e a adoramos no lugar do Criador. Idolatria não é bom o suficiente diante do Deus do Universo. Todas as pessoas rejeitam o verdadeiro conhecimento de Deus.

O que nos leva à verdade número três: Não há nenhuma pessoa inocente no mundo. Você lê de Rm 1:18 a 2:16 e vê uma acusação contra os gentios que não tinham a lei. Você quase pode ouvir os judeus cristãos dizendo amém a cada linha. Até quando ele chega ao capítulo 2, versículo 17 e diz: “Tu que te chamas judeu e repousa na lei e te glorias em Deus…” ele explode em cima deles. E então, no capítulo 3, versículo 9 até o versículo 20, ele entrega a terrível acusação colocando texto após texto do Velho Testamento dizendo: não há nenhum justo. Nenhum sequer. Ninguém que entenda ou busque a Deus. Todos se extraviaram. À uma se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem. Nenhum sequer.

Então, aqui vai… Se você me perguntasse: “David, o que acontece com o homem inocente na África que nunca ouviu o evangelho?” Minha resposta a você, baseada no que a Palavra de Deus ensina muito claramente, seria que esse homem indubitavelmente vai para o Céu. Sem dúvida. Ele iria para o Céu mesmo não tendo ouvido o Evangelho. O único problema é: tal homem não existe. O que acontece com o homem inocente na África? Esta pergunta é feita com muita frequência. A realidade é: não há nenhuma pessoa inocente na África. Se eles fossem inocentes, eles não teriam necessidade de ouvir o evangelho!

A razão pela qual eles precisam ouvir o evangelho é porque neste momento eles permanecem culpados diante de um Deus Santo. E é por isso que levamos o evangelho até eles. Estão me entendendo? Estou vendo vocês olhando um para o outro como: “Esse cara será apedrejado na capela!” Nós sempre inclinamos essa pergunta em nosso favor e contra a santidade de Deus. Enquanto procuramos por oportunidades de apontar a injustiça de Deus, a realidade é que cada um de nós neste lugar é culpado diante de um Deus Santo. Infinitamente culpados diante de um Deus Santo. Nenhuma pessoa inocente no mundo.

O que nos leva à verdade número quatro: Portanto, todas as pessoas são condenadas por rejeitar a Deus. Romanos 1:18 até 3:20 tem de ser uma das mais impressionantes partes da Bíblia toda. Depravação em cada frase. E Paulo resume tudo isso no capítulo 3, versículo 19, dizendo que: “Tudo o que a lei diz, diz aos que vivem na lei para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus.” Paulo diz que ninguém será justificado diante de Deus por observar a lei. Pela lei vem o conhecimento do pecado, em outras palavras, todos nós permanecemos condenados, e nossos esforços, todo “bom” esforço que temos em vencer nossa condenação, nos afunda em maior condenação. Nosso melhor esforço nos condena ainda mais.

Agora, neste ponto pensamos sobre uma ideia comum não só em nossa cultura, mas eu diria em nossas igrejas. Existe essa ideia de que se as pessoas nunca tivessem ouvido o evangelho, Deus certamente não as permitiria, ou de uma maneira mais ativa, não as enviaria ao Inferno. Elas nunca ouviram. Então, certamente, por elas nunca terem ouvido, elas não podem ser responsabilizadas e portanto irão para o Céu. É uma ideia que em essência nos faz pensar que por eles não terem ouvido, há um tipo de passe para o Céu. Mas pense sobre isso. Se isso fosse verdade… Em primeiro lugar, não achamos a evidência disso em nenhum lugar das Escrituras. Mas mesmo em nível prático, se lhes fosse garantido irem ao o Céu, simplesmente pelo fato de nunca terem ouvido o evangelho, então qual é a pior coisa que você e eu podemos fazer pelo estado eterno dessa pessoa? Levar a eles o evangelho! “Valeu por ter semana de missões!” “Estávamos muito bem, indo para a eternidade no Céu com Deus, até que esse missionariozinho chegou aqui e estragou tudo.” “Pare de fazer missões!” Obviamente isso mina toda a iniciativa evangelística da igreja. Mesmo aqui em nosso país, você vai a um campus universitário e inevitavelmente terá estudantes internacionais com pouco ou nenhum conhecimento do evangelho. Imagine dizer a um deles: “Você já ouviu falar do evangelho? Já ouviu falar de Cristo?” E eles olham para você e dizem: “Não.” E se você crê que essa pessoa vai para o céu justamente por nunca ter ouvido o evangelho, então o que você diria a ela? “Se alguém tentar lhe falar disso, coloque os dedos nos ouvidos, grite alto e corra.” Isso não faz sentido.

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Fonte: Voltemos aoEvangelho.

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27
nov

O Inferno em que Rob Bell se Meteu

por: Augustus Nidocemus


Acabo de ler a entrevista que Rob Bell deu à revista VEJA desta semana (28/11/2012) com o título “Quem falou em céu e inferno?”. A entrevista provocou intensa polêmica nas redes sociais. Rob Bell se tornou uma figura polêmica quando passou a pregar a salvação de todos os seres humanos no final (universalismo) negando, assim, a realidade do inferno. Este ano ele deixou a igreja que fundou, a Mars Hill Bible Church – não confundir com a Mars Hill Church do Mark Driscoll, uma não tem nada a ver com a outra – para se dedicar ao ministério itinerante percorrendo, segundo a revista VEJA, “o mesmo circuito das bandas de rock”.

Inteligente, carismático, conectado e bom comunicador, Rob Bell tem atraído muitos jovens evangélicos no Brasil, especialmente após o lançamento de seu livro O Amor Vence no ano passado e seus vídeos muito bem produzidos no YouTube.

Achei a entrevista dele extremamente esclarecedora, mesmo considerando que estas entrevistas são editadas e por vezes amputadas pelos editores e raramente publicadas na íntegra. Se o que temos na VEJA é realmente o pensamento de Rob Bell, então declaro aqui que poucas vezes na minha vida vi uma figura religiosa de prestígio se contradizer tanto em um espaço tão curto. É por isto que esta entrevista é esclarecedora. Qualquer evangélico de bom senso, que tenha um mínimo de conhecimento bíblico e que saiba seguir um raciocínio de maneira lógica irá se perguntar o que Rob Bell tem que atrai tanta gente.

Vou começar reconhecendo o que não há de tão ruim na entrevista. Bell se posiciona contra o aborto e reconhece as limitações do darwinismo para explicar a totalidade da existência, embora aceite que Deus poderia ter usado o processo evolutivo como o método da vida.

Bell também está certo quando diz que céu e inferno são “como dimensões da nossa existência aqui e agora”. Concordo com ele. Os ímpios já experimentam aqui e agora, alguns mais e outros menos, os sofrimentos iniciais do inferno que se avizinha. Da mesma forma, os salvos pela fé em Cristo, pela graça, já experimentam o céu aqui e agora, embora de forma limitada. Lembremos que Jesus disse que quem crê nele já tem a vida eterna. O Espírito em nós é o penhor da nossa herança e nos proporciona um gosto antecipado do que haverá de vir.

Surpreendente para mim foi ver que nesta entrevista Bell não nega o céu ou o inferno depois da morte, mas sim que possamos saber com certeza que eles existem depois da morte. Nas suas próprias palavras, “acredito que céu e inferno são realidades que se estendem para a dimensão para a qual vamos ao morrer, mas aí já entramos no campo da especulação”. A “bronca” dele é com a certeza e a convicção que as igrejas e os evangélicos têm de que após a morte existe céu e inferno. “Vamos pelo menos ser honestos. Ninguém sabe o que acontece quando morremos. Não tem fotografia, não tem vídeo”. É claro que, por este critério, também não podemos ter certeza se Deus existe ou que Jesus existiu, pois não temos nem foto nem vídeo deles – que eu saiba…

Nesta mesma linha, ao se referir ao fato de que acredita que Deus ao final vai conquistar todos, diz “não sei se isso vai acontecer, também não sei o que acontece quando morremos.”

Então, tá. Não sabemos o que acontece depois da morte. Mas é aí que começam as contradições de Rob Bell. Ao ser perguntado se Gandhi, que não era cristão, estaria no inferno, ele responde “acredito que está com o Deus que tanto amou”. Isso só pode ser o céu, certo? A resposta coerente e honesta com seu pressuposto seria “não sei”.

Da mesma forma, quando a revista pergunta sobre Hitler, se ele está no céu, Bell responde que Deus deu a Hitler o que Hitler buscou a vida toda, “infernos para si e para os outros”. E acrescenta “qualquer reconciliação ou perdão, nesse caso, está além da minha compreensão”. Se esta resposta não quer dizer que Hitler recebeu o inferno da parte de Deus depois da morte não sei o que mais poderia representar. A resposta coerente e honesta deveria ter sido esta: “não sei”, o que significa dizer que ele admite a possibilidade de Hitler ter ido para o céu.

À certa altura o jornalista perspicaz indaga acerca do livre arbítrio: “não existe escolha, então, ninguém pode dizer não ao paraíso?” E Bell retruca, “acho que você pode dizer não ao paraíso e neste caso talvez você fique em algum estado de rejeição ou resistência. Talvez seja esse o estado que as pessoas chamam de ‘inferno’”. Bom, parece por esta resposta que para Bell o inferno é na verdade o céu, só que os condenados no céu viverão em estado constante de rejeição e resistência a Deus. Mas, qual o céu disto e neste ponto, em que difere do inferno? Vá entender… e é claro, de onde ele tirou esta ideia? Se não temos na Bíblia informação suficiente para saber se o céu e o inferno existem, muito menos para uma teoria destas.

Não é difícil identificarmos as origens destas contradições tão óbvias no pensamento de Rob Bell.

A primeira e mais importante é que ele rejeita o ensino de Jesus Cristo nos Evangelhos sobre o inferno e o céu. Se Jesus era a personificação do Deus que é amor – e amor é, para Bell, o mais importante, senão o único, atributo de Deus – este é um fato que não pode ser desprezado. Eis alguns poucos exemplos:

Mat 5:22 Eu, porém, vos digo que todo aquele que sem motivo se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo.

Mat 5:29 Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno.

Mat 5:30 E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não vá todo o teu corpo para o inferno.

Mat 10:28 Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo.

Mat 11:23 Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno; porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se fizeram, teria ela permanecido até ao dia de hoje.

Mat 16:18 Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

Mat 18:9 Se um dos teus olhos te faz tropeçar, arranca-o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida com um só dos teus olhos do que, tendo dois, seres lançado no inferno de fogo.

Mat 23:15 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque rodeais o mar e a terra para fazer um prosélito; e, uma vez feito, o tornais filho do inferno duas vezes mais do que vós!

Mat 23:33 Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno?

Marcos 9:43 E, se tua mão te faz tropeçar, corta-a; pois é melhor entrares maneta na vida do que, tendo as
duas mãos, ires para o inferno, para o fogo inextinguível

Marcos 9:45 E, se teu pé te faz tropeçar, corta-o; é melhor entrares na vida aleijado do que, tendo os dois pés, seres lançado no inferno

Marcos 9:47 E, se um dos teus olhos te faz tropeçar, arranca-o; é melhor entrares no reino de Deus com um só dos teus olhos do que, tendo os dois seres lançado no inferno,

Lucas 10:15 Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno.

Lucas 12:5 Eu, porém, vos mostrarei a quem deveis temer: temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno. Sim, digo-vos, a esse deveis temer.

Lucas 16:23 No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio.

Mat 13:42 e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes.

Mat 3:12 A sua pá, ele a tem na mão e limpará completamente a sua eira; recolherá o seu trigo no celeiro, mas queimará a palha em fogo inextinguível.

Mat 25:41 Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna.

João 15:6 Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, à semelhança do ramo, e secará; e o apanham, lançam no fogo e o queimam.

Mat 22:13 Então, ordenou o rei aos serventes: Amarrai-o de pés e mãos e lançai-o para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes.

As referências de Jesus ao inferno, como o castigo eterno dos ímpios, formam reconhecidamente um dos temas dominantes do ensino dele, como pode ser claramente visto acima. Contudo, Rob Bell afirma contra todas as evidências que Jesus falou muito mais do sofrimento real que as pessoas têm aqui neste mundo. É claro que o Senhor Jesus se preocupou com o sofrimento presente, mas consistentemente, como pode ser visto nas passagens acima, ele nos avisa que o sofrimento eterno é muito pior.

O que espanta é o uso seletivo que Rob Bell faz das palavras de Jesus. Ele ignora por completo todas as passagens cima em que Jesus fala do inferno mas se refere à fala dele sobre os sofrimentos físicos. Bell fala várias vezes na mensagem de amor pregada por Jesus. Mas, de onde ele tirou estas informações acerca da pregação de Jesus? Só pode ter sido do Novo Testamento, o único documento que a preservou. Mas, então, por que ele ignora uma das maiores ênfases da pregação de Jesus, que foi o castigo eterno preparado para os ímpios?

Se Rob Bell diz que não podemos ter certeza de que o céu e o inferno existem, como ele pode ter certeza, então, que Jesus pregou sobre o amor e o sofrimento das pessoas neste mundo? Estas coisas todas estão no Novo Testamento. É evidente a interpretação enviesada, preconceituosa e selecionada que ele faz, conservando as passagens que lhe interessam e rejeitando as que o contradizem.

Outra razão para as contradições de Rob Bell é a sua base epistemológica. Ele declara: “nunca fiquei preocupado com sistema doutrinário, nunca me empenhei em ter confirmação de meu dogma.” Tudo bem. Mas, então, o que ela pensa sobre céu e inferno é o que? Para mim, é sistema doutrinário e dogma. É teologia. Mas, onde ele baseia suas ideias, enfim? A resposta é surpreendente: “tive alguns encontros meus, profundos, com o amor de Deus que tiveram sobre mim, digamos, um impacto pré-cognitivo.” Parece que ele teve algumas experiências que serviram para orientar a sua teologia. Aqui o ensino das Escrituras passou longe, como única regra de fé e prática. Bell é mais um daqueles hereges que apela para suas experiências como fonte de autoridade. Nada novo aqui.

E deve ser por isto que o conceito dele sobre Deus é tão equivocado. Deus é amor, diz Bell. Por isto, a salvação universal deve ser o ponto de partida. Para ele, é “incompreensível um cristão que não considera a salvação universal como a melhor saída, a melhor história”. O erro deste raciocínio, evidentemente, é não levar em conta que Deus também é justo, verdadeiro, santo e reto. Não se pode separar os atributos de Deus e não podemos considerá-lo a partir de um destes atributos somente. O amor de Deus deve ser levado em conta juntamente com a sua santidade e sua justiça. Portanto, um cristão verdadeiro não considera o universalismo como a melhor saída ou o melhor fim da história. O melhor fim da história é aquele escrito por Paulo:

Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios? (Rom 9:22-24).

A melhor saída é aquela onde Deus expressa a plenitude do seu ser, o seu amor e a sua ira, nos que se salvam e nos que se perdem, no céu e no inferno.

Por fim, Bell faz uma inferência historicamente equivocada em suporte de seu argumento. Afirma ele que “as pessoas mais interessadas em discutir o inferno depois da morte são as menos interessadas em discutir o inferno sobre a terra”. Não há dúvida de que entre os evangélicos que acreditam no céu e no inferno há muitos que não se importam com as questões sociais, mas a afirmação de Bell é uma generalização grosseira. Calvino, Lutero e os demais reformadores criam no inferno e pregavam abertamente sobre ele. Contudo, poucos fizeram tanto para diminuir o sofrimento da Europa de sua época, abrindo escolas, hospitais, orfanatos, brigando contra leis injustas, o monopólio de alimentos e a corrupção do Estado. Outros muitos exemplos poderiam ser dados para contradizer esta falácia de Rob Bell.

Obrigado, revista VEJA, por ter exposto o pensamento de Rob Bell ao Brasil, as suas incoerências, sofismas e as origens de suas ideias estranhas. Como sempre acontece com as seitas, muitos os seguirão. Mas, como nos disse o apóstolo João,

Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos. (1Jo 2:19).

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Fonte: O Tempora, O Mores.

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14
nov

R. C. Sproul – Toda a terra está cheia da Sua glória

por: Voltemos ao Evangelho



“Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória. (Is 6:3)”

Por: R. C. Sproul. Extraído do site ligonier.org. © 2012 Ligonier Ministries. Original: R.C. Sproul on the Ubiquity of God’s Glory in Creation

Tradução: Vinícius Musselman Pimentel – Editora Fiel © Todos os direitos reservados

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Fonte: Voltemos ao Evangelho.

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