14
mar

O Brasil não é um celeiro missionário

por: Leonardo Goncalves


celeiroConheci a Cristo no final dos anos 90. Minha experiência de conversão se deu em uma igreja batista recém-plantada na minha cidade. Meu batismo e minha experiência de discípulo começou no inicio do ano 2000, na igreja Assembleia de Deus. Eu vivi uma parte do movimento AD2000 (1) e da chamada “Década da Colheita” (2), e de certa forma toda minha geração foi influenciada por estes movimentos. Uma e outra vez, escutávamos a frase: “O Brasil é um grande celeiro de missionário”. Por nossa pequena igreja passavam alunos da “Missão Horizontes” falando sobre a janela 10/40 e sobre como o brasileiro gasta mais com Coca-cola do que com o Reino de Deus. Após o culto, nós doávamos aquilo que tínhamos para as missões. Lembro-me de um diácono pobre doando um relógio a um missionário que havia perdido o seu em uma viagem de barco na Amazônia. Lembro-me também de um amigo que constrangido pela necessidade da obra e sem nada para doar, tirou dos pés um par de tênis Nike e colocou sobre o altar, voltando para casa descalço depois do culto. A gente dava o que tinha, e não era por causa de alguma promessa de retorno financeiro (como nas campanhas dos televangelistas atuais), mas simplesmente por amor e desejo de ver o evangelho avançando entre as nações da terra. Os jovens da igreja (e eu era um deles) eram muito ativos: organizavam jograis e teatros com temas missionários, e muitos de nós queríamos ser pastores ou missionários. Hoje, vários daqueles jovens com os quais cresci são pastores, evangelistas, missionários, obreiros em suas igrejas locais, e estão envolvidos de alguma forma com a grande comissão.

UMA IGREJA QUE RESPIRAVA MISSÕES

Mas eu não consigo escrever este texto sem lágrimas nos olhos. Agora mesmo, sinto o peito doer e meus olhos se enchem de água ao me lembrar daqueles dias quando a gente vivia de maneira tão intensa, organizávamos vigílias, acampamentos de oração, visitávamos, evangelizávamos de verdade. Conheço um jovem em Cristo que aos 16 anos tinha uma rotina invejável: Ele fazia semanalmente visitas no hospital da nossa pequena cidade, e saia dali direto para o asilo contrabandeando doces e bíblias para os anciãos com quem passava parte do seu domingo. Por volta das 4 horas da tarde saia dali com outros meninos da sua idade, numa kombi velha da wolksvagen para realizar visitas em uma comunidade rural e “cooperar” com os irmãos de lá. As vezes a Kombi não vinha, e eles faziam o trajeto de 18 quilômetros de bicicleta. Quando chegavam a cidade novamente, era para tomar um banho e ir ao culto, ansiosos por ouvir a Palavra pregada e dispostos a participar, seja cantando, pregando, limpando ou fazendo qualquer outra coisa na igreja local. Durante a semana, ele e outros eram voluntários no “Desafio Jovem Liberdade” – centro de recuperação para usuários de drogas – muitas vezes saindo do trabalho direto para lá, para ensinar violão, passar algum tempo de comunhão com os internos e pregar no culto da noite. Esses rapazes respiravam missões.

Na época, surgiam seminários com cursos rápidos, em média 2 anos, em regime de internato, onde a ênfase não era apenas preparar teólogos, mas obreiros. Trabalhavam-se questões como caráter, perseverança, domínio próprio, obediência, e grande parte das disciplinas do curso eram de viés missionário. Éramos confrontados com as biografias de William Carey, David Brainerd, Hudson Taylor, Adoniran Judson, George Miller, e nos inspirávamos neles. Criticava-se o modelo de seminário que formava apenas teólogos e falava-se muito em vocação ministerial. Escutávamos uma e outra vez que ser pastor é um dom e não uma profissão, e que o ministério é muito mais dar do que receber. O ponto alto das aulas era quando por lá passava algum missionário em transito, e contava as experiências vividas naquela terra desconhecida. Lembro-me de ter ouvido um desses missionários falando sobre o país dos Incas, e de como me senti desafiado pelo testemunho daquele jovem obreiro. À noite, enquanto orava por aquele país, discerni claramente a voz de Deus falando fortemente ao meu coração: “Eu te levarei ao Peru!”. Cai em pranto, sentindo um misto de temor e imensa alegria, pelo peso da responsabilidade e pela honra recebida. Sai do meu país em 2003, quando ainda se vivia a ressaca destes movimentos.

JOVENS QUE NÃO ALMEJAM O MINISTÉRIO

Hoje a igreja evangélica definitivamente não é a mesma. Ela nem sequer se parece com aquela igreja de 15 anos atrás. Cada vez que viajo ao Brasil, fico absorto com a secularização cada vez maior da igreja. Vejo uma igreja rica, muito rica, mas tremendamente ensimesmada. Em círculos tradicionais e na ala pentecostal clássica, pouco se fala em evangelismo e missões. Já os neopentecostais distorceram o conceito de evangelismo e missões transformando a igreja em uma pirâmide e implementando visões celulares das mais absurdas, substituindo paixão missionária por obediência cega a um líder autoritário. Se antes os jovens desejavam o ministério, a geração atual foge dele. É comum ver rapazes de moças de vinte e poucos anos com altos salários, comprando carros importados, fundando empresas, empreendendo e ganhando muito dinheiro. Os pastores destas igrejas sofrem, pois tem que se desdobrar em mil ofícios para atender as necessidades do rebanho, já que ninguém quer se envolver no ministério e sacrificar as horas de descanso para cuidar das necessidades alheias. Alguns poucos ainda ousam se envolver com missões, mas raramente em tempo integral. Ao invés disso, doam parte das suas férias para servir em algum país exótico, e passam 4 ou 5 dias visitando alguma igreja local, e o resto das férias em alguma praia paradisíaca do Índico ou do Pacífico. Não trabalham nada, mas tiram umas quinhentas fotos com crianças locais e chegam a suas igrejas com testemunhos fantasmagóricos acerca de como salvaram o mundo em seis dias e ensinaram os pastores e missionários locais a pastorearem suas igrejas.

MISSIÓLOGOS DE INTERNET QUE NUNCA SE ENVOLVERAM COM MISSOES

O conceito de missão tem sido banalizado por uma geração hedonista mais preocupada com seus prazeres do que com glorificar o Cristo entre as nações. Para justificar sua falta de coragem para encarar o campo missionário, criam-se as mais distintas agencias missionárias, muitas das quais não enviam e nem sustentam nenhum missionário, dedicando-se apenas a recrutar voluntários para viagens de ferias, exatamente do tipo que mencionei no último parágrafo. Diga-se de passagem, o dinheiro gasto por uma equipe de voluntários de férias, se fosse doado integralmente a alguma missão séria que trabalhe entre os autóctones, daria para sustentar cerca de 10 obreiros durante um ano. Crer que 20 brasileiros em uma semana podem fazer um melhor trabalho que um obreiro nacional em um ano é um sofisma, mas parece ser este o pensamento predominante nessas missões recém-criadas no Brasil (as exceções conformam a regra).

Embora não estejamos mais tão engajados com missões transculturais, nunca tivemos tantos “ESPECIALISTAS” em missões! Meninos de vinte anos, com pouca ou nenhuma formação teológica, sem experiência de vida ou ministério e cujo maior esforço missionário foi falar de Jesus para o colega de classe, editam blogs e vlogs, dão opiniões e organizam conferencias missionárias onde eles mesmos são os preletores. Recentemente um desses palpiteiros da internet, um garoto de 20 anos, escreveu um livro sobre missões. Muita gente elogiou a atitude do rapaz e não encontrei ninguém, nem mesmo entre a velha guarda evangélica (que também é ativa nas redes sociais) para colocar freio na arrogância do moleque que escreveu suas 120 paginas sobre um assunto que ele nunca experimentou de fato. Há algum tempo recebi duas equipes de voluntários na cidade de Piura, onde desde 2008 temos desenvolvido alguns projetos missionários. Um dos rapazes que nos visitou, ainda nem tinha barba no rosto, mas logo se apresentou como consultor em missões. Segundo ele, varias igrejas no Brasil contam com seus conhecimentos de consultoria. Isso me parece estranho, se considerarmos que ele nunca foi missionário de fato, apenas participou de algumas palestras com ênfase na famigerada e pouco eficaz Missão Integral (3). Recebi deste garoto que nunca fez missões, diversos conselhos sobre como treinar meus obreiros e torná-los mais efetivos. Outros chegam já satanizando a cultura, tendo visões esquisitas acerca de demônios territoriais e correntes que estão aprisionando nossa igreja e missão, algo muito esquisito e sem bases bíblicas em minha opinião.

UMA JUVENTUDE QUE QUER ENSINAR, MAS NÃO SE PRONTIFICA A APRENDER

Durante os dois últimos meses visitei varias igrejas no Brasil e por onde passei, desafiei pessoas para virem ao campo missionário no Peru, e o máximo que consegui foram uns garotos meio-hippies dispostos a vir salvar o mundo em uma semana e ensinar os pastores a pastorear suas igrejas. Todos os rapazes com quem falei queriam vir e ditar seminários, palestras, conferências, treinamento para pastores, e não atentavam para o ridículo das suas propostas, já que eles mesmos nunca pastorearam nem suas próprias famílias. No entanto, nenhum deles se mostrou disposto a passar ao menos um ano trabalhando de forma sistemática e fiel junto aos nativos, participando da vida, da luta e das dores do povo, compartilhando a comida e vivendo a verdadeira essência da missão. Todos queriam ensinar, ninguém estava disposto a viver. Todos queriam vir e impor; ninguém estava disposto a vir, viver e receber. Todos queriam formar obreiros, ninguém queria ser formado como obreiro. Todos queriam vir correndo e voltar; ninguém estava disposto a vir e permanecer. Cada um tinha uma visão diferente para a igreja peruana, mesmo sem ter conhecido de perto este campo missionário. Todos tinham receitas exatas para fortalecer o ministério local, mas ninguém queria servir no ministério. Muitos reis, nenhum servo. Como diria o pastor Kolenda, de saudosa memória, simplesmente “muito cacique para pouco índio”.

UMA IGREJA SECULARIZADA QUE NÃO AMA MISSOES

Não posso dizer exatamente onde foi que a igreja errou (não se preocupem, deve ter algum conferencista de vinte anos capaz de decifrar este mistério!). Porém, mesmo sem saber exatamente, acredito que alguns fatores são visíveis e fáceis de discernir: economia estável, bons empregos, oportunidade de fazer duas, três, quatro faculdades, anos de pregação antropocêntrica que exclui o sacrifício como parte da experiência cristã, tudo isso contribuiu para uma horrível secularização da igreja. Se eu fosse dispensacionalista, não teria dificuldade em aceitar que a igreja está vivendo a “Era de Laodicéia”. A igreja de Laodiceia e a igreja brasileira são irmãs: As duas são ricas materialmente, ensimesmadas, autossuficientes. As duas estão corroídas pelo pecado, empobrecidas de galardão e cegas quanto a sua real situação. Se há algumas décadas dizia-se que o Brasil era um celeiro de missões, hoje tenho certeza que este título deve pertencer a algum outro país: China, Índia, Coreia do Sul, talvez… Mas definitivamente, esse título já não se pode aplicar ao Brasil.

***
Leonardo Gonçalves é missionario há 11 anos. Neste período ajudou a plantar e consolidar igrejas no Brasil, Argentina (Patagonia e provincia de missiones), e no norte de Peru. Desde 2008 vive na cidade de Piura, envolvendo-se na plantação de 7 igrejas autóctones. O Projeto Piura sustenta hoje 6 obreiros autoctones e ajuda a 60 crianças provindas de comunidades carentes do Peru.

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NOTAS:

1. O Movimento Ano 2000 (AD 2000) surgiu de uma reunião em janeiro de 1989, em Singapura, onde foi realiazada uma Consulta Global de Evangelização Mundial para o ano 2000 e Além. Esta consulta deu origem ao movimento denominado AD 2000, cujo enfoque eram os povos não alcançados da chamada ‘janela 10/40’.

2. A Década da Colheita foi o resultado de um encontro de líderes das Assembleias de realizado nos Estados Unidos, em 1988. Foram também estabelecidas metas bem claras para a AD no Brasil, para serem alcançadas até o ano 2000: (1) Levantar um exército de três milhões de intercessores; (2) Ganhar 50 milhões de almas para Cristo; (3) Preparar 100 mil obreiros dispostos a trabalhar na seara do Mestre. (4) Estabelecer 50 mil novas igrejas em todo o Brasil; e (5) Enviar novos missionários para outras nações.

3. Não é que eu me oponha totalmente a Missão Integral. Minha crítica a este movimento pode ser resumida em poucos pontos: (1) A terminologia Missão Integral é, por si, uma redundância. Se é missão cristã, deve ser integral, e se não for integral (no sentido de total), não é missão. (2) Os promotores da Missão Integral no Brasil parecem se inspirar mais no marxismo do que na Bíblia. Um dos líderes desse movimento chega a apresentar o comunismo como uma ideia bíblica de comunidade. Ora, confundir comunidade cristã com uma ideologia que foi responsável por milhões de mortes no mundo, incluindo muitos cristãos, é uma boçalidade. (3) O discurso da Missão Integral tem servido de plataforma política para ideias esquerdistas, e sua super-ênfase no social tem levado alguns a pregar um conceito que beira a salvação pelas obras, algo abominável do ponto de vista bíblico. (4) Nunca vi um leprosário criado ou mantido por adeptos da Missão Integral.

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13
mar

A INVENÇÃO DA JUVENTUDE

por: Compartilhamento


polis1Houve um tempo em que não existiam jovens. Existiam, evidentemente, pessoas na faixa dos 15 aos 30 anos de idade, mas elas não se viam como um grupo que compartilhava valores, códigos de conduta, vestimentas ou dialetos diferentes do restante da sociedade. Nesse tempo, que se estendeu até o final da Segunda Guerra Mundial, a infância era mais longa, interrompida por uma brusca entrada na vida adulta. As meninas eram meninas – ou seja, brincavam de bonecas – até os quinze anos, quando debutavam e começavam a espera, por vezes exasperadora, do pretendente com o qual se casariam. As filhas de famílias de classe média iam cursar a Escola Normal, onde aprimoravam seus dotes de futuras esposas e mães. Os garotos tinham infância um pouco mais longa: os folguedos podiam durar até os dezessete anos, quando a necessidade os empurrava para a rua, para aprenderem uma profissão e ajudar no sustento da casa. Aos mais ricos, que ingressavam nas faculdades, era permitido adiar um pouco mais a entrada no mundo do trabalho.

Essa etapa entre a infância e a adultice – a espera matrimonial das moças, a formação profissional dos rapazes – não era uma “juventude” no sentido que uso aqui, isto é, uma fase diferenciada da vida, durante a qual se compartilha valores, condutas, modas etc., diferentes dos adultos e crianças. O que todos queriam era abreviar, e não prolongar essa fase. Não havia qualquer prazer em ser jovem. A inexperiência era um martírio, motivo de escárnio para os mais velhos. Nos anos 1900, na Bolsa de Café de São Paulo, por exemplo, ridicularizava-se os rapazes que não exibissem vastos bigodes, símbolo de virilidade na Belle Époque. O que os moços e moças mais desejavam era serem valorizados e respeitados, o que só ocorreria com casamento, filhos, experiência profissional e diploma. Os jovens se preparavam arduamente para serem aceitos no mundo dos adultos, e nisso se resumia a juventude.

Tudo isso mudou no pós-guerra. Nos países ricos e, entre nós, nas famílias de classe média e alta das grandes cidades, surgiram condutas, modas, músicas, enfim, um universo de referências culturais identificadas à juventude. Nos Estados Unidos, graças à prosperidade econômica e ao costume dos empregos temporários, os jovens passaram a dispor de mais dinheiro, o que se traduziu na formação de nichos de consumo específicos para essa faixa etária. O nascimento dorock and roll, entre 1951 e 1952, exemplifica bem esse novo comportamento. Naqueles anos, garotos e garotas começaram a sintonizar rádios independentes de rythm and blues negro, a comprar discos desse gênero e a dançá-los, utilizando-se das coreografias do boogie woogie. Artistas como Fats Domino, Chuck Berry e Little Richard logo perceberam que o ritmo e o hedonismo da música negra era o que mais agradava os jovens. Por intermédio de pequenas gravadoras, lançaram composições que fundiam o rythm and blues ao country. Esse novo estilo, batizado de rock and roll, tornou-se um estrondoso sucesso e pegou de surpresa a grande indústria fonográfica. Pela primeira vez, os adolescentes ouviam um tipo de música diferente do que os seus pais gostavam.

Junto com a música, vieram o cinema e a moda. Hollywood logo percebeu que a juventude era um novo filão de consumo, e Juventude Transviada estreou em 1955, com James Dean interpretando Jim Stark, um rebelde agressivo que esbanjava charme e apelo sexual. Marlon Brando, em O Selvagem, lançado no mesmo ano, viveu um jovem líder de uma gangue de motociclistas, vestindo camiseta justa e jaqueta de couro. Dean e Brando tornaram-se os modelos daquela geração: o comportamento rebelde, agressivo e sensual de seus personagens era imitado pelos garotos e arrancava suspiros das moças. Nessa época, formaram-se violentas gangues de jovens em quase todas as grandes cidades do mundo, montados em motonetas scooters e trajando a moda rockabilly: camisetas, jaquetas de couro, calças jeans, costeletas e longos topetes.

Inventava-se, assim, a juventude, identificada pelo comportamento transgressor, pela gíria, pela vestimenta, pela música. Os adolescentes, em qualquer cultura e época, constroem suas identidades ao rejeitar a condição de crianças e romper, às vezes intempestivamente, os vínculos que os mantêm unidos aos pais. A novidade histórica dos anos do pós-guerra foi associar, a essa atitude essencialmente juvenil, dois ingredientes: a idéia de liberdade individual e o consumo. A relação entre esses elementos foi dialética, como diriam os hegelianos e marxistas. A idéia de liberdade como livre arbítrio, herdada das Luzes e fundamental para a concepção ocidental de democracia, foi transformada pelos jovens rebeldes em liberdade para escolher ser diferente dos pais, professores, padres, ou seja, dos adultos. Isso implicava no consumo de bens – músicas, roupas, adereços, filmes, drogas – capazes de defini-los como membros de um grupo que lhes emprestava identidade e, portanto, reforçava a sensação de liberdade.

Hoje, uma das idéias centrais de nossa cultura é a obsessão pela juventude. A infância foi encurtada, pois meninos e meninas querem deixar de ser crianças cada vez mais cedo. A adultice é cada vez mais postergada, pois os adultos relutam em assumi-la e querem permanecer jovens por mais tempo. Se, antes, a juventude era apenas mais um nicho de consumo, hoje se tornou o eixo quase único a orientar a produção da música, moda, cinema e outros.

Via.

***

O texto é de Livan Chiroma, que é Comunicólogo, Teólogo e Antropologia Cultural (graduando-Unicamp). Mestre em Ciências da Religião. Áreas: Antropologia, Sociedade, Cultura, Mídia e Religião.

Fonte: Polis Centro.

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12
mar

“Naqueles momentos de dor” (nos ouvidos)

por: Antognoni Misael


Gente, não sei se isso é “tiração” de onda. Mas escolho acreditar que o amigo abaixo realmente tem se esforçado pra ser um cantor. Só que não deu, não dá e nem vai dar.

Alguém precisa chegar nele e dizer que esse não é o dom dele – choque de realidade. De repente trabalhar numa rádio como locutor, ou fazendo narrações bíblicas como o Cid Moreira, ou algo parecido, quiçá.

Agora, pensando neste tema, não é difícil encontrar gente fissurada pela sina de cantar. Ser cantor parece ser o ápice do desejo de muitos crentes. Não sei o que tanto encanta estar neste pedestal, mas que esta corrida inconseqüente em busca deste dom pode revelar pessoas cheias de força de vontade, porém indefesas, chegando a passar por situações com sérios riscos de serem ridicularizadas, isso sim pode ocorrer.

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Antognoni Misael, não sei se rio ou se choro em altos decibéis.

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12
mar

“Ex-bruxo” Aldo Nascimento e suas histórias fantasiosas recheadas de heresias

por: Antognoni Misael


aldo nascimentoA mistura de sincretismo religioso, malandragem e a boa fé do povo brasileiro tem aberto cenário para alguns líderes religiosos, sobretudo evangélicos, que viajam por este vasto “continente” tupiniquim contanto as suas peripécias e pregando uma mensagem evangélica recheada de perfumaria, enfeites e a famosa e ‘in-rejeitável’ prosperidade material por parcela da igreja.

Antes, os alvos fáceis eram gente com Edir Macedo, Valdemiro, “Terra Nova”, isto é, um dos gigantes heréticos da nação brasileira. Hoje não, os líderes de ministérios duvidosos estão se multiplicando mais rápido que codornas em cativeiro e têm sido recebidos como “homens diferenciados”, com testemunhos macabros, fantasiosos, “homens com certo poder”, ou algo do tipo, em nossas cidades, inclusive as menores.

Ontem eu presenciei isso em minha pequena Guarabira-PB. E pasmem!, em uma igreja local, que tenho apreço e respeito, e que não faz jus a minha crítica, mas que teve a infelicidade de trazer, talvez por desconhecimento ou engano, o famigerado “Ex-bruxo” Aldo Nascimento, conhecido por seus supostos trabalhos de bruxaria oferecidos aos artistas da Globo.

Antes, de falar do que vi ali, vou apresentar um pouco deste incauto líder, que não tem nada de ex-bruxo. Vejamos algumas informações já espalhadas desde 2011 pelas redes sociais, e precisamente pelo blog do teólogo Valdemir. Acompanhe a matéria abaixo:

As Mentiras de Aldo Nascimento

Este depoimento do Aldo Nascimento esta cheio de incongruências. Pelo que Aldo falou ele teria feito trabalhos malignos para a Rede Globo no início da década de 80, quando tinha 13 anos de idade, é muito provávaldo nascimentel que esteja mentindo.

Vários detalhes do seu depoimento não condizem com a verdade. Ou ele era menino de rua, trombadinha e finalmente um detento quando chegou a maior idade, ou era um influente macumbeiro que trabalhou para a Rede Globo e para gente famosa, como Didi, dos Trapalhões. Sou policial Judiciário e já interroguei mais de três mil pessoas, desenvolvendo certa capacidade de detectar mentirosos e mentiras.

Aldo disse que foi transferido de uma cadeia estadual para o presídio do Estado de Alagoas. Isso é totalmente impossível, não existe este tipo de procedimento. Se cometeu crime em um Estado da Federação tem que cumprir ali. Somente no século XXI é que o Governo Federal construiu presídios de Segurança Máxima para receber indivíduos de alta periculosidade e de facções criminosas, podendo assim, com um devido processo de Execução Penal, um preso ser transferido de um Estado para cumprir pena em outro Estado, desde que em presídio Federal. São inúmeras as falhas neste depoimento.

A foto que o Aldo mostra de uma pessoa pulando vários metros de altura, que ele alega ser dele, também não parece ser autêntica, a foto não tem boa definição e pode ter sido tirada de qualquer revista de kung fu ou karatê que circulava frequentemente nos anos 80 e 90.

O PbJadson (http://www.youtube.com/user/Pbjadson) alega conhecer a família e o Aldo, que ele foi criado em Americanópolis e que desconhece toda esta invenção fantasiosa do Aldo, informando que nada disso aconteceu. Parece que o Aldo inventou toda esta história para ser convidado a palestrar pelas igrejas do Brasil, cobrando uma taxa que inclui hospedagem viagem e ajuda de custo, e assim, tem vivido à custa das igrejas incautas. (Por Valdemir Mota de Menezes)

[Fonte: Blog Biblical de Monology]

Outras informações interessantes são as fornecidas por Franklin Ferreira (editor do blog Adoradores de Deus), o qual afirma que a história de Aldo é uma farsa. Veja por quê:

-Procure no google sobre a notícia do suposto macumbeiro menininho do inferno que foi preso em recife (como ele mesmo disse que teve grande repercurssão na mídia)

- Procure o Debate que o Pr Aldo Nascimento disse ter tido com o Padre Quevedo em 2004 e ficou conhecido por conta disso, tambem não vai encontrar, porque nunca existiu.

observe com atenção o vídeo (abaixo) e verá muitas contradições em seu testemunho.

a única prova que ele apresenta é alguém dando um salto que não dá para precisar a altura e muito menos se é ele, onde estão as provas de que ele foi preso? Alvará de soltura?

Pr Aldo é o cumprimento das promessas de Deus vivemos Os dias do fim! “E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos.” Mateus 24:11. (Escreveu Ferreira)

Em eu canal de vídeos no youtube o internauta PbJadson escreve:

Conheço este tal e eu nunca soube que ele era ex pai de santo, ele morou na minha comunidade aqui em americanopolis-sp por muitos anos, conheço a família inteira dele e eu nunca soube disso ! Eu estou chocado porque este testemunho não é verídico e muitos estão acreditando / tem um irmão por nome mersonda que está me chamando de ateu e caluniador , porque eu estou falando a verdade queria que o irmão falasse com ele”.

Disse ainda,

“Tem q ser muito inocente para acreditar em td isso, ele não da provas de nada, só fala. Não diz q prisão ficou, não diz número de inscrição q teve na prisão, não mostra cicatriz das ditas facadas, se procurá-lo na internet, não encontra telefone e nem igreja que prega, muito menos algum endereço. Ele foi muito esperto, gravou o vídeo ganhou dinheiro e sumiu, afinal se parecer será processado. Afinal de que religião ele é mesmo ?”

***

Aldo é mais um dos aproveitadores da fé alheia. Não precisa de esforço pra perceber isso. Assista aos seus vídeos e veja o quanto ele fala de Cristo, da Cruz; veja o quanto ele utiliza a Bíblia para fazer suas exposições (praticamente inutiliza). E não venha com essa conversa de que é “mistério” de Deus. Afinal, Deus foi muito claro em relação ao verdadeiros pastores e a mensagem da Cruz, Evangelho Genuíno, onde Cristo é o centro do culto e a Glória é dada apenas a ELE.

Note que Aldo parece que ter decorado os nomes de entidades da macumba, provavelmente por ter lido o livro “Orixás, Caboclos e Guias” do Edir Macedo, mas não oferece provas reais do que fala, e ainda demonstra ser um grande ignorante do ocultismo. Ora diz que era bruxo, ora que lidava com candomblé, ora com macumba.

Entretanto ao dizer que mexia com magia negra e sacrificava crianças, ele tem um débito com a justiça, concorda? Portanto, se o cara mexia com isso realmente, cometia crime, e deve ser punido. Mas se ele não foi preso até agora, é por que diante das autoridades (polícia) ele nega tudo o que diz.

Outra coisa, assim como Tio Chico, Aldo também já fez circular uma falsa notícia de sua morte, para chamar atenção do público, e continuar vendendo DVDs. Aliás, veja que as histórias de Tio Chico e Aldo são quase idênticas, mudando apenas o relato do nome Xuxa, atribuindo esse nome a outros orixás.

O que vi em minha cidade

Após gastar mais de 40 minutos preparando o público pra ouvir a parte macabra da suposta bruxaria, testemunho este mais montado que cavalo de jóquei, o pastor narrou com detalhes seu encontro com os demônios:

aldo2- disse que esteve trancado por 45 dias num quarto escuro;

- que um tal de “Exu Mirim” teria saído de uma vela acesa e pactuado com ele;

- que fez rituais macabros com crianças;

- que abriu corpos, arrancou pele da face de cadáveres;

- que deu um salto de 3 metros e meio;

e blá,blá blá…

Antes, ele já tinha destilado dezenas de heresias, como as do tipo:

- “Deus quer homens corajosos, por isso você só tá de carro velho porque não tem coragem de comprar um novo”

- “Você só mora de aluguel porque é medroso, e não teve coragem de financiar uma casa própria”.

paulIsto é, a coragem que ele tanto pregara tinha tudo a ver com as velhas dicas de ser um homem rico, próspero, oriunda de “saltos” irracionais de fé, onde Deus é o garçom e nós somos os fregueses #TEOLOGIA DA PROSPERIDADE pra alegrar o povão!

Ainda disse mais heresias como:

- “Deus vai levantar sepultura de pastor nesta cidade”

- blá, blá, blá…

Diante tanta asneira, fiquei ainda a pensar quem era o apóstolo Paulo: perseguidor de cristãos, o maior assassino dos cristãos da igreja primitiva! O cara que perseguia o próprio Jesus Cristo!! Quando pecador, chamado por Saulo,  após ser resgatado por Cristo, recebera um novo nome, Paulo, e não ex-matador, ex-assassino de cristãos. Seu passado, suas cartas às igrejas… nada de vanglória, fantasias, histórias macabras, nem relatos de poderes diabólicos. Paulo em suas viagens missionárias não saiu lucrando em cima do seu testemunho impiedoso, mas o que importava para ele era pregar a Cristo:

“E assim, quanto está em mim, estou pronto para também vos anunciar o evangelho, a vós que estais em Roma. Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego.” [Rm 1.15-16]

Desta feita, resta-nos lembrar que as pessoas estão carentes em ouvir o verdadeiro Evangelho, mas infelizmente o que tem acontecido é que os nossos púlpitos estão dando lugar a testemunhos esquisitos, pregações a gosto do freguês e muita ausência de Bíblia. Ler a Palavra e comentá-la expositivamente como faziam os reformadores, expondo fielmente o texto bíblico e saciando espiritualmente a igreja não tem dado ibope.

Segundo Paul Washer, a igreja moderna tem sofrido em alguns pontos, dentre alguns cito:

1) ela não tem tratado as Escrituras como suficientes para a revelação de Deus (sempre a espera de revelações sobrenaturais, curas, milagres, línguas e profecias);

2) tem sido ignorante a respeito de quem é Deus (e nisto esquece-se que Ele governa o mundo, nada foge ao Seu controle, e satanás não tem poder sobre a sua criação Sl 99.1);

3) tem sido um fracasso em abordar o mal do homem (as pessoas vão para os cultos e são tratadas como bonzinhas perante Deus e merecedoras de bênçãos materiais, ver Rm 3.10-12)

4) tem sido ignorantes em relação ao Evangelho de Jesus (Rm 5.8-9)

5) tem feito um convite anti-bíblico ao evangelho (nas supostas conversões de alguns cultos modernos, geralmente as pessoas tomam decisões superficiais em busca de melhorar suas vidas, e não se prostram arrependidas e humilhadas por terem dado conta do tamanho pecado e separação que tinham diante de Deus – Mc 1.15)

6) pastores mal nutridos na Palavra de Deus (o exemplo óbvio disso é o pastor apresentado nesta matéria: 0% de Bíblia e 100% de heresias – ver 2 Tm 2.15).

Termino lembrando que,

Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios (1 Timóteo 4:1)

Veja alguns vídeos que talvez contribua pra pensarmos sobre o que é o EVANGELHO!!

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Arte de Chocar.

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11
mar

Matéria, tempo e acaso – a santíssima trindade irracional do Evolucionismo

por: Compartilhamento


ACASO

A evolução é tão irracional quanto amoral. No lugar de Deus como criador, o evolucionismo colocou –a sorte, o imprevisto, a causalidade, o acidental, a coincidência, os eventos aleatórios e a sorte irracional. O acaso é o motor que muitos evolucionistas acreditam dirigir os processos evolutivos.

O naturalismo ensina essencialmente que ao longo do tempo e a partir do caos total, a matéria evoluiu para tudo o que vemos hoje por mero acaso. E isto tudo aconteceu sem nenhum planejamento especial. Com o tempo necessário e eventos aleatórios suficientes, o evolucionista diz, “tudo é possível”. E a evolução de nosso mundo com todos os seus intricados ecossistemas e complexos organismos é portanto simplesmente o resultado acidental de um número muito grande de acidentes da natureza indiscriminados, mas extremamente fortuitos. Tudo é do jeito que é simplesmente por força da sorte. E esta sorte tem sido elevada ao papel de criador.

John Ankerberg e John Weldon ressaltam que a matéria, o tempo e a sorte constituem a santa trindade dos evolucionistas. Na verdade, estas três coisas são tudo que é eterno e onipotente no plano evolucionista: matéria, tempo e acaso. Juntos formam o cosmo como conhecemos. E usurparam Deus na mente evolucionista. Ankerberg e Weldon citam Jacques Monod, vencedor do prêmio Nobel em 1965 por seu trabalho em bioquímica. Em seu livro Chance and Necessity [O acaso e a necessidade], Monod escreveu: [O homem] está sozinho na imensidão indiferente do universo, do qual emergiu por acaso… Apenas o acaso está na origem de cada novidade, de toda criação na biosfera. O mero acaso, absolutamente irracional, [está] na própria raiz do estupendo edifício da evolução.

Obviamente, isso é muito diferente de ser criado à imagem de Deus. É também absolutamente irracional. A idéia evolucionista não só despe o homem de sua dignidade e valor, mas também elimina a base de sua racionalidade. Se tudo acontece por acaso, então, em último caso, nada pode ter um objetivo ou significado real. E é difícil pensar em qualquer ponto de partida filosófico que seja mais irracional do que isso.

Mas uma reflexão momentânea revelará que o acaso simplesmente não pode ser a causa de qualquer coisa (muito menos a causa de tudo). O acaso não é uma força. O único sentido correto da palavra acaso está relacionado à probabilidade matemática. Se você tirar cara ou coroa inúmeras vezes, o quociente da probabilidade matemática sugere que a moeda irá cair com a coroa virada para cima cerca de cinqüenta vezes em cem. Deste modo, dizemos que quando você tira cara ou coroa, há uma probabilidade meio a meio que saia coroa.

Mas o “acaso” não é uma força que pode na verdade virar a moeda. O acaso não é uma inteligência que elabora o modelo de probabilidades matemáticas. O acaso não determina nada. A probabilidade matemática é apenas uma forma de medir o acontece.

Entretanto, na linguagem evolucionista e naturalista, “acaso” se torna algo que determina o que acontece na ausência de qualquer outra causa ou projeto. Vejamos novamente a observação de Jacques Mono: “Acaso…é a fonte de cada de novidade, de toda criação”. Na verdade, os naturalistas atribuíram ao acaso a capacidade de causar e determinar o que ocorre. E este é um conceito irracional.

Não há eventos sem causa. Todo efeito é determinado por alguma causa. Mesmo a virada de uma moeda não pode acontecer simplesmente sem uma causa definida. E o bom senso nos diz que quando a moeda cai cara ou coroa, também foi determinada por algo. Um número de fatores (inclusive a quantidade exata de força com a qual a moeda foi jogada e a distância entre a qual a moeda deve cair antes de chegar ao chão) determina o número de revoluções e voltas que irá fazer antes de cair de um lado ou de outro. Embora seja impossível para nós controlar precisamente as forças que determinem como a moeda irá cair, estas forças, e não o “acaso”, determinam se será cara ou coroa. O que pode parecer totalmente aleatório e indeterminado para nós, apesar de tudo, é definitivamente determinado por alguma coisa. Isto não é causado por mero acaso, porque o acaso simplesmente não existe como uma força ou uma causa. O acaso é nada.

***

O texto é de John MacArthur, extraído do seu livro ‘Criação ou Evolução –  a luta pela verdade sobre o princípio do universo’.

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11
mar

Cantor desafia estrelas do Gospel a tocarem no sertão de graça

por: Antognoni Misael


thales e andrePCEstá rolando nas redes sociais um vídeo cujo cantor de nome Samuel Mariano, desafia algumas estrelas do Gospel a irem tocar, sem cobrar cachê, nas cidades pobres do estado do Piauí. Após a polêmica correr solta, o site Gospel Prime publicou a seguinte matéria:

“Cantor desafia Thalles Roberto e André Valadão a fazerem shows gratuitos no sertão”

Confira parte do texto onde o desafio é lançado:

Os desafiados foram: Thalles Roberto, André Valadão, Davi Sacer e Fernandinho. Cantores que Mariano sabe que têm dinheiro e que têm público no local. Samuel Mariano concedia uma entrevista para o projeto “Quero Almas” e relatou sua visita ao Piauí. “Eu fui cantar no Piauí e não aguentei e peguei toda a minha oferta e a vendagem do CD e deixei pro missionário”, disse.

O cantor pernambucano explicou que se sentiu comovido com a situação do missionário que estava fazendo o trabalho de evangelismo sem ter condições, ganhando cerca de R$400/ R$500 por mês.

“Eu gostaria de fazer um clamor pra vocês: vai pro sertão, gente. Pega uma grana aí, liga pra mim, a gente faz um evento. Por que só cidade grande? Por que só cidade volumosa? Por que a gente não se junta para evangelizar o Piauí?”

Mariano explica que as condições não são favoráveis aos artistas, pois não tem hotel cinco estrelas, toalhas no camarim e etc. O cantor deixa claro que são os próprios artistas, caso aceitem o desafio, é que devem pagar as despesas do evento, incluindo passagens e alimentação.

“Ai vocês vão pra história desse país, porque vocês vão pegar o dinheiro que eu sei que vocês têm e vão investir de alguma forma em um lugar onde as pessoas só vêm vocês em uma internet péssima”, disse.

Vejam o vídeo:

Algumas coisas me chamaram atenção no vídeo do Samuel. Isto porque a ironia do cantor, ficou ainda meio que obsoleta. A intenção dele é plausível de mais. Porém, não compreendi a consideração que ele continua tendo com as estrelas que ele mesmo criticou. Ao declarar “liga pra mim”, “a gente se junta”, e em seguida dizer que o povo sertanejo sonha com as estrelas, e com um show gospel lá, sei lá… foi um tanto quanto irrelevante. É disso que o povo tá precisando? Entretenimento? Mas, tudo bem…vai que eu entendi errado.

Pra terminar de polemizar a coisa, o músico, apresentador e editor da revista + Gospel, Valmir Soull, registrou em sua página do facebook o seguinte texto:

Sobre o desafio do cantor humilde aos “astistas gospeis”

“Não é meu intuito vir aqui para difamar ou jogar acusação sobre o cantor que acredita que um ‘congresso acabou com o carnaval’.

O que lamento profundamente é o rapaz dar uma entrevista se colocando como uma pessoa humilde, em detrimento dos cantores conhecidos do grande público como Thalles, Fernandinho, Davi Sacer e cia, dando a entender que tais cantores não são humildes por causa dos cachês, ofertas ou seja lá como queira chamar.

O cidadão poderia na entrevista citar que ele cobra R$ 15.000,00 de cachê (fiz meu dever jornalístico – liguei para a assessoria do cantor hoje à tarde e confirmei o valor, fora as despesas de deslocamento, hospedagem e alimentação).

Falar dos outros é fácil, irmão. Vamos conhecer melhor a vida dos outros cantores (que também são dignos do que recebem) e fazer mais pelo reino.

E sobre cachê / oferta meu pensamento é um só:

O obreiro é digno do seu salário, seja artista, pastor ou motorista.

Só cobra alto porque há quem pague.

Se quiser me convidar, irmãozinho, pra viajar com você e dividir esse ‘fardo’ da oferta, eis-me aqui.

Abraços fraternais,

PS: vou ali ouvir os gritos de Thalles e pular com as guitarras ensurdecedoras de fernandinho. Ô glória!”

Disse Valmir (valmirsoul@gmail.com)

Oremos pra que a igreja brasileira perceba a sua negligência em locais ermos e inabitados por ela mesma. Que o Senhor levante obreiros comprometidos com a obra e que vidas sejam alcançadas pelo poder do Evangelho.

Aos do palco, luzes e êxito, faz parte do show. Aos do púlpito, trabalho, suor e missão, faz parte da devoção.

***

Antognoni Misael.

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11
mar

A CULPA DO DEUS (que não existe?)

por: Antognoni Misael


Aos que crêem em um arquiteto da existência humana, acredita-se que Ele legou à humanidade as condições de existência e viabilizou todos os detalhes para a vida aqui, como: água, comida, terra e espaço físico.

Então, o homem , cujo Thomas Hobbes fez uma leitura interessante ao afirmar que ele é ” o lobo do próprio homem” ao utilizar-se de sua maldade nata (e, diga-se de passagem, que nunca entrou em processo evolutivo para bondade, pois continua sendo o mesmo homem pervertido, egoísta e ganancioso) iniciou o processo de apropriação de terra, bens e pessoas, historicizando pequenos e grandes eventos cujo poder e dominação dramatizam nossa existência.

Daí alguns incautos, esquecendo-se que são parte do problema da humanidade, e como um ato de intelectualidade, apontam para a inexistência de um criador por estes não verem intervenções sobrenaturais nos processos de injustiça na humanidade. Ou se caso ele existisse, seria o CULPADO DISSO TUDO! Sabe aquele argumento batido e ultrapassado pra falar da África? – Pura demonstração de que ao se conjecturar sobre justiça divina/injustiça humana ainda encontra-se no velho “mobrá”.

A lógica se faz assim:

Homem mata = culpa de Deus;
Políticos roubam = culpa de Deus;
Líderes de nações subjugam povos = culpa de Deus;
Homens se omitem a dividir suas posses com o mais necessitado = culpa de Deus.

Será que vc já viu algum menino despido e com fome em alguma calçada? Não dividiu o pão nem o guarda-roupa? – Já sei, “culpa de Deus’!

Culpa de Deus, culpa de Deus…

Como bem disse Winston Churchill, “Vivemos com o que recebemos, mas marcamos a vida com o que damos”. Por isso, quem sabe o braço de socorro de Deus que muitos esperam, não é parte do seu próprio braço.

“Por que, pois, se queixa o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus próprios pecados.” Lamentações 3.39

O mais bacana disso tudo é que, ante a tamanha injustiça, protagonizada pelo próprio homem, o projetor entrará em cena, um dia, daí surgirá uma escuridão aos impiedosos, a medida que ressoará uma bela frase:

” Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos” Mt 5.6.

***

Antognoni Misael.

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10
mar

VOCÊ É UM FILHO DA “GERAÇÃO QUE DANÇOU”? – UMA ANÁLISE

por: Compartilhamento


dancaPrometiam uma “Nova Unção”. Há cerca de 20 anos o campo religioso evangélico brasileiro estava praticamente estático. O costumeiro declínio numérico das igrejas históricas e o crescimento quantitativo das igrejas neopentecostais, ambos inevitavelmente demonstrado nas estatísticas.

Era inicio dos anos 2000 e os movimentos do tabuleiro evangélico dos próximos anos já pareciam definidos: Caio Fabio, fundador da AEVB (Associação Evangélica Brasileira) havia se retirado do Brasil. Durante muito tempo ele foi o opositor ideológico da IURD (1977). A Associação foi soerguida para criar polaridade às organizações neopentecostais, que ganhavam poder político e econômico e inseriam a Teologia da Prosperidade nas igrejas brasileiras. No entanto, Caio foi acusado de envolvimento com o “Dossiê Cayman”, além de cometer o “pecado abominável número 1″ dos evangélicos, o pecado moral de um relacionamento extra conjugal. Foi execrado pela opinião pública evangélista. A AEVB se fragmentou. Isto aconteceu em 1998.

No início dos anos 2000, na mesma Igreja Batista que catapultou o cisma na Convenção Batista Brasileira (CBB) (nascendo a Convenção Batista Nacional – 1965), emergiu uma “nova unção” para o Brasil. Márcio Valadão, pastor da Igreja Batista Lagoinha, havia enviado seus filhos para uma temporada no instituto Christ For The Nation, Ana e André foram treinados teologicamente como avivalistas e no movimento da “Chuva Serodia”. O movimento carismático Later Rain afirmava que a geração contemporânea seria uma “geração escolhida”, portanto receberia uma “chuva fora do tempo”. Chuva de bençãos, de prosperidade e do avivamento.

Aos que viveram o protestantismo nos anos de 1990, só o advento do grupo Vencedores Por Cristo havia provocado tamanha onda transformadora cultural, sobretudo na área musical. O VPC rompeu barreiras musicais, inserindo o rock e ritmos brasileiros no protestantismo evangélico e apresentou às igrejas brasileiras um louvor congregacional destoante dos hinos do séc XVI-XIX até então padrão na maioria dos cultos evangélicos. Mas isso foi nos anos 70. Como o retorno de Ana Paula Valadão ao Brasil, a cantora e filha do pastor principal da Igreja da Lagoinha passa a liderar os momentos musicais junto à uma das bandas que conduziam adoração nos cultos da Igreja Batista da Lagoinha. Conforme seu relato, tem uma visão: durante um banho, envolta à água e as espumas do chuveiro, antevê, em sua profecia particular, que o Brasil seria banhado por uma onda de despertamento espiritual. Este evento fundante alavanca a gravação do primeiro CD da banda, que até então era simplesmente um grupo que entre outros que ministravam os momentos litúrgicos nos cultos da IBL. Produzido e masterizado no exterior por Randy Adams, o CD explodiu em vendas. A escolha de Adams foi certeira e trouxe um padrão sonoro e de masterização de alta qualidade dificilmente encontrada nas produções evangélicas nacionais. A compra dos direitos da canção “Shout to the Lord“, composta por Darlene Zschech, líder do ministério cristão australiano “HillSong” impulsionou a fama do grupo. “Shout to the Lord” era um sucesso garantido e o grupo “Diante do Trono”, já em seu primeira investida fonográfica, alcança destaque nacional.

Liderado por Ana, o grupo “Diante do Trono”, vendeu mais de 10 milhões de CDs e, concomitante à atuação fonográfica, impulsionou diversas novas linhas teológicas e eclesiologias pelo Brasil. Este ministério evangélico não só foi o maior catalisador musical do movimento gospel durante os anos 2000 como protagonizou uma segunda onda cultural na música cristã evangélica brasileira. Os protestantes históricos, urbanos e pós modernos, não vivenciavam outros horizontes litúrgicos por décadas. Agora seria diferente. As igrejas pentecostais e históricas estavam culturalmente estáticas, sem grandes alterações morfológicas e gramaticais e, apesar de certas tentativas para alterar o desenho das igrejas protestantes como a “Igreja com propósito”, “Rede Ministerial”, estes sistemas eclesiásticos soavam, para a maioria do grande público, gerenciais e americanizadas demais – tais fiéis históricos tinham um novo paradigma – a “nova unção”, operando principalmente através da música gospel e o sistema de igreja em células, que disciplinava os membro das igrejas à “ganhar, consolidar, treinar e enviar”.

Na carona do DT veio o G12 – sistema de células – criado 10 anos antes, em Bogotá. No inicio da década passada foi uma enxurrada de pastores históricos e pentecostais aderindo ao sistema, nem sempre com respeito à suas denominações e membresias. Os crentes tradicionais ficaram confusos. O que estaria acontecendo quase que “do dia pra noite”?

Em dez anos o deslocamento cultural foi efetivado – os antigos grupos musical das igrejas locais protestantes realizaram uma repaginação estética e estrutural/teológica. Igrejas perdiam membros e o solo se moveu de maneira sem precedentes, uma verdadeira hemorragia e circulação dos membros, em direção às igrejas “avivadas”. Ouvi-se sobre “a igreja onde as pessoas caem no chão, em êxtase” (fenômeno “reciclado” dos anos de 1960. Porém o fenômeno, que em um período anterior, era experimentado em esfera privada, discretamente, a partir de sua versão contemporânea, era exposto midiaticamente pelos famosos artistas gospeis durante suas apresentações, virou “hit”). Em um Brasil pós ditadura militar e com o amadurecimento do neoliberalismo, cuja transversalidade influenciava outros setores estruturantes para além da economia, os sujeitos agora podiam operar suas próprias escolhas. A liberdade religiosa possibilitou o intenso trânsito das saberes do sagrado – sair de suas denominações familiares para outras (ou até, migrar para outras religiões não herdadas), mais modernas e conveniente, não era mais considerado como tabu ou afronta à religião dos pais.

Nesta onda surgiram novos grupos, novas teologias, novas “moveres”. Toneladas de novas bandas e pastores midiáticos. Também neste movimento o líder de adoração foi elevado ao status de um pastor. Considerados “levitas” que podiam “ministrar” ou seja, antecediam casa canção com uma pequena pregação. Antes o estreitamento com as escrituras era condicionado ao Pastor protestante (Para o pós moderno a experiência proporcionado pela arte e pelos sons pode ser mais interessante que ouvir um sermão explicativo da bíblia ou frequentar um classe de catequização – a catarse emocional como elemento de transcendência, que era comum ao pentecostal desde o início do século XX, penetrava o culto do protestante histórico, em uma espécie de “pentecostalização tardia”, o êxtase tornava-se também régua na mensuração da espiritualidade do protestante comum/histórico). A experiência emocional cúltica definitivamente tornou-se sobrepujante à reflexão racional. O que os crentes assistiam no DVD ou no show gospel precisava ser repetido em suas igrejas locais e nem sempre a cultura eclesiástica local suportava tamanha e rápidas mudanças de paradigmas. Hoje praticamente todas as denominações não católicas, tem em seus repertórios, ao menos rabiscos desta Cultura Gospel, tornando-se quase dominante à todos os viéses evangélicos.

Dificilmente alguém, sendo evangélico nos anos 2000, não ter ouvido sobre os grupos musicais Filhos do Homem, Casa de Davi, Santa Geração, Vineyard, David Quilan, Ludmila Ferber e muitos outros. Nesta mesma época muitos acessaram novos arsenais espirituais para eu cardápio: Vigílias no Monte, “mantras gospel”, unção com óleo, cânticos espontâneos, shofares (uma espécie de “berrante”), batalha espiritual, demônios territoriais, etc; anteriormente esses elementos eram observadas em redutos específicos, a partir desta virada, popularizaram-se e, em muitos casos, tornaram-se fundamentais na experiência comunitária do culto cristão. Falava-se em uma “judaização do cristianismo brasileiro”.

Costumes como “cair na unção”, atos proféticos, ser “pai de multidões”, surgiram no léxico do campo religioso protestante. Uma interpolação do antigo e novo testamento. Era um movimento tectônico poderoso de carga simbólica intensa. Para se entregar ao “novo mover”, os crentes precisavam transformar suas próprias biografias religiosas. A entrega ao “irracional”, ao “sobrenatural” era necessária e muitos “históricos” (batistas, presbiterianos, metodistas, …) “desde o berço”, através da inserção de suas comunidade aos novos vetores, realizavam estas metamorfoses ou, pelo menos, simulavam. Era preciso para “estar na visão”, embora muitos “lá no fundo” relutavam em entrar na onda, no entanto, com a adesão de suas igrejas e pastores ao neo carismatismo protestante, abdicaram da teologia conservadora, do estudo da bíblia como padrão de fé e confiaram suas pertenças religiosas à estas “novas visões”, principalmente adquiridas em congresso, CDs e literaturas que se espalhavam pelo Brasil.

Muitos se decepcionaram com estas promessas. Milhares, talvez milhões. Nesta movimentação, diversas comunidade resistiram à tentação do crescimento rápido, da evangelização fast food, propostas pelas novas técnicas. Muita gente bem intencionada, pastores e lideres mais conservadores, equilibrados, souberam realizar esta transição cultural com respeito. Outros não. Muitos dos quais decidiram fechar os olhos e lançarem-se aos novos movimentos, forçados pela pressão de grupos à “falarem em línguas”, ser “líder de multidões”, etc; hoje, após o desgaste dentro destes movimentos, optaram pelo desligamento, junto a muitos de seus membros. Recentemente ouvimos falar sobre os desigrejados, evangélico sem igreja, aumento do número daqueles desafeitos às lógicas evangélicas. Também, pessoas com sérios problemas psicológicos propiciados por abusos de pastores e lideres gananciosos. A lista é grande…

Há de se discernir o “joio e o trigo”. Algumas comunidades “decantaram” todo o movimento, assimilaram coisas e descartaram excessos. Além disso a onda diminuiu e formarem-se algumas ilhas, regiões do “avivamento”, como Belo Horizonte (sede do ministério Diante do Trono) e Manaus (“capital” do G12, sede do ministério de Renê “TerraNova”). Também as igrejas afins formaram redes e alianças, mais fios e traços dentro do complexo mapa religioso brasileiro. Concluo sugerindo que a geração que dança está passando, os jovens e adolescentes à época, tornaram-se adultos, com maior senso crítico e de avaliação de significados. Ainda não há sinais de uma nova onda tão significativa, ou então, tornou-se a grande onda fracionada em diversas outras vagas?

E 10 anos depois? Como estão os filhos da “Geração que dança”?

***

O texto é de Livan Chiroma, que é Comunicólogo, Teólogo e Antropologia Cultural (graduando-Unicamp). Mestre em Ciências da Religião. Áreas: Antropologia, Sociedade, Cultura, Mídia e Religião.

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